Futebol/Amistoso - ( )

Agitado por amigos, Marcos vence temor em pênalti com ajuda de Dida

Edoardo Ghirotto* e William Correia São Paulo (SP)

Eternizado na história palmeirense por ser um exímio pegador de pênaltis, Marcos precisou encarar um antigo temor para fazer a alegria da torcida na última terça-feira, no Pacaembu. Ao ser convencido pelos amigos de que deveria cobrar o pênalti sofrido por Edmundo no primeiro tempo, o ex-goleiro utilizou uma antiga tática entre os companheiros de profissão e soltou a bomba no meio das redes para balançar as redes. E teve a ajuda de Dida, que admitiu ter pulado antes da batida para ajudar o amigo.

“Eu não queria bater o pênalti, não. Ficaram me forçando e já pensei em bater aquele pênalti de segurança, fechar o olho e chutar no meio do gol. Mas o pessoal também me pressionou lá na área falando que ia ficar feio se eu perdesse”, disse o palmeirense, que negou qualquer tipo de acordo com Dida antes da cobrança. “Não combinei nada, não. Mas acho que ele saiu bem antes. O Dida já estava caindo para a esquerda quando corri para chutar a bola.”

Mesmo com todo o respeito demonstrado a Dida, o pênalti batido por Marcos saiu forte e estufou o canto superior de sua meta. Surpreendentemente, como Dida queria. O goleiro da Seleção Brasileira de 2002 tinha combinado com os demais companheiros para ajudar o amigo. “Estava tudo combinado. Era só bater no gol que entrava”, sorriu o jogador que defendeu a Portuguesa no último Brasileiro.

Fernando Dantas/Gazeta Press
O ex-goleiro Marcos atendeu aos pedidos do Pacaembu e ignorou a pressão dos amigos antes de cobrar o pênalti
Para fazer o que todos desejavam, o ídolo palmeirense precisou atender aos pedidos de quase 37 mil torcedores nas arquibancadas e cobrar o tiro. Antes da partida, Marcos havia deixado claro que o cobrador oficial seria Evair. Os apelos vindos das arquibancadas, porém, fizeram com que até mesmo o camisa 9 alviverde se dirigisse à área do Santo e ajudasse a empurrá-lo até o gol adversário.

A relutância de Marcos em se despedir do futebol com um gol chegou a ser motivo de piada entre os veteranos jogadores. Artilheiro da Seleção de 2002, Ronaldo brincou com a postura do Santo no lance. “Ele ficou nervoso na hora. Tenho certeza disso”, disse o ex-atacante.

Capitão do Brasil de 2002, Cafu revelou o que foi dito para Marcos ser convencido a balançar as redes. “Ele ofereceu uma resistência muito grande. Não queria bater por respeito ao Dida e falei que a festa era dele. Ele era o homenageado e estava proporcionando aquele jogo para nós. Era justo que a festa fosse coroada da melhor maneira possível. O Marcos sairia sem tomar gol e ainda faria um em sua despedida”, relatou.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Após anotar o segundo gol de sua carreira, Marcos correu até o amigo Dida e autorizou uma cobrança sua em um eventual jogo de despedida
Antes de atender ao pedido no amistoso, Marcos já tinha balançado as redes cobrando pênalti. Em 2001, a fórmula do Campeonato Paulista determinava que os empates fossem decididos por meio das penalidades máximas. Na ocasião, um duelo contra a Inter de Limeira, no Palestra Itália, foi para as alternadas e obrigou o ex-goleiro a converter o tento que manteve o Palmeiras vivo na disputa.

Em sua despedida,  nessa terça-feira, o desejo do ex-goleiro era terminar a sua carreira com um gol de cabeça. Em 2005, o Santo participava de um jogo beneficente no Palestra Itália e subiu ao ataque para completar um cruzamento para as redes. Apesar de ter atuado na linha por mais de meia hora, a chance de marcar mais um tento não apareceu e sua passagem pelo Palmeiras terminou com um empate por 2 a 2 diante da Seleção de 2002.

“Você sente a felicidade de momento, mas nem considera. Eu já tinha pedido para a Ana Paula (de Oliveira, árbitra do amistoso) não marcar pênaltis porque o pessoal ia me obrigar a bater. Depois do gol, ainda falei para o Dida bater um pênalti em mim no seu jogo de despedida”, brincou. “Meu sonho era fazer um gol no ataque. Eu tentava subir nos momentos que o time dava uma pane, mas não tinha dom para isso. Dessa vez me forçaram. O jogo era meu, o projeto era meu, fui lá e bati”, encerrou o homenageado da noite.

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