Futebol/Campeonato Brasileiro - ( - Atualizado )

Admirador do Brasileirão, Riquelme tem filho vidrado em Neymar

Bruno Ceccon São Paulo (SP)

Se em 2000, 2007 e 2012 Juan Roman Riquelme desembarcou no Brasil com o semblante sério para disputar a final da Copa Libertadores, na tarde da última terça-feira ele estava eufórico. Carregando cuidadosamente o terno que usaria na gravação do Troféu Mesa Redonda, o meia se apressou em pedir à reportagem para bater uma foto ao lado do irmão, do empresário e de um amigo no Aeroporto de Guarulhos.

Minutos depois, enquanto Cristian Riquelme tentava publicar a foto no Twitter, Roman brincava. “Meu irmão criou uma conta recentemente e ainda não sabe usar direito. Eu não gosto muito dessas coisas. Em Buenos Aires, fico na minha casa e não falo com ninguém. Desde que perdemos do Corinthians, quase não falei com jornalistas”, disse o astro, receoso com o pedido da entrevista da Gazeta Esportiva.net.

Durante o percurso de aproximadamente 40 minutos até um hotel na Avenida Paulista, Riquelme, estirado no último banco da van, lembrou seus feitos no Brasil, a exemplo do bicampeonato da Copa Libertadores (2000 e 2007), demonstrou surpresa pela troca de Mano Menezes por Luiz Felipe Scolari na Seleção e provou conhecer a fundo o futebol nacional, do qual é admirador, a ponto de elogiar o jovem são-paulino Wellington e lembrar-se do São Caetano.

Na chegada ao hotel, Roman esperou Cristian cuidar do check-in e, antes de pegar o elevador, prometeu voltar para conceder entrevista. De roupa trocada, o pai do pequeno Agustín, fã do santista Neymar, reapareceu 20 minutos depois e convidou a reportagem para o restaurante. Após certificar-se sobre o tema e a data da publicação da matéria, pediu um misto quente com batatas fritas, consultou seu empresário, coçou o queixo e aceitou falar.

Divulgação/Twitter
No caminho do aeroporto para o hotel, o irmão de Riquelme publicou no Twitter a foto tirada pela reportagem
Longamente e de forma bem-humorada, o maior ídolo da história recente do Boca Juniors respondeu sobre todos os assuntos, do desafeto Diego Armando Maradona à chance de atuar no Brasil. Aos 34 anos, cansado de viajar pelo interior da Argentina para enfrentar times inexpressivos, ele se anima com a competitividade do futebol pentacampeão do mundo e fala com empolgação sobre a possibilidade de jogar no País, ideia que agrada a seu irmão.

GE.net – Você veio ao Brasil para participar de uma festa de premiação aos melhores do Campeonato Brasileiro. Costuma ver os jogos do torneio na Argentina?
Riquelme - Tenho a sorte de que na Argentina as partidas são transmitidas e vejo os jogos do futebol brasileiro todos os domingos. Gosto muito de futebol, e o Brasil conta com grandes jogadores. Então, é prazeroso vê-los atuando.

GE.net – Algum jogador chamou a sua atenção pelo desempenho no último Campeonato Brasileiro?
Riquelme - O Neymar atualmente é algo diferente de tudo. Depois, há Ronaldinho, Seedorf, Fred, Deco, Lucas, Ganso, Arouca. É incrível. Se você observar, todos os times têm grandes jogadores, como o Montillo, do Cruzeiro. O Corinthians contratou o Guerrero. Isso faz com que o futebol brasileiro seja cada vez mais importante.

GE.net – Alguns de seus compatriotas fazem sucesso no futebol brasileiro, como Montillo (Cruzeiro), Barcos (Palmeiras), Guinãzu e D’Alessandro (Internacional), entre outros. Nos últimos anos, o Brasil se converteu em um bom mercado para vocês...
Riquelme - Sim, sim. Para a sorte dos argentinos, somos muito bem tratados nesse País. Guiñazu e D’Alessandro estão aqui há bastante tempo e parecem muito confortáveis. Isso fez com que pudessem chegar Martínez, Barcos, Bolatti. É fácil perceber que eles gostam muito de jogar aqui. Para um argentino, atualmente, jogar no futebol brasileiro é importante. O Mundial está chegando, a cada semestre há jogadores mais importantes e isso entusiasma a nós, argentinos.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
No Troféu Mesa Redonda, ele usou o terno trazido de Buenos Aires e concedeu inúmeros autógrafos aos fãs
GE.net – A principal esperança do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 é o Neymar. Qual é a sua opinião sobre esse jogador?
Riquelme – O Neymar está dando muitas alegrias ao futebol brasileiro, principalmente ao Santos, e não tenho dúvida de que vai jogar muito bem no Mundial de 2014. Vai estar em casa, com a torcida, em um País que adora o futebol, assim como a Argentina. É um craque, e vocês têm a sorte de que poderão continuar desfrutando dele aqui por muito mais tempo. Não tenho dúvida de que, se o Brasil fizer as coisas certas, vai ter vantagem no Mundial.

GE.net – Muitos dizem que o melhor para a carreira do Neymar nesse momento é deixar o Brasil para jogar na Europa. Com 24 anos, você saiu do Boca e teve uma passagem discreta pelo Barcelona. Concorda com a tese de que o Neymar deve jogar no exterior o quanto antes?
Riquelme - Ele está contente aqui, não é? Por isso, não decide sair para a Europa. O Neymar tem a grande vantagem de que o Mundial vai ser no Brasil. Isso para ele é maravilhoso, vai estar com muita confiança e segurança. Os torcedores do Brasil, à medida que o Mundial se aproximar, vão curtir esse momento e o Neymar tem muito tempo para conseguir tudo que quer.

GE.net – Você esteve na Bombonera recentemente para ver o Superclássico das Américas. O que achou da partida entre os times alternativos de Argentina e Brasil?
Riquelme – Gosto de futebol, principalmente dos jogadores argentinos e brasileiros. O meu filho Agustín, de 10 anos, fica o dia inteiro no computador vendo como o Neymar dança a cada vez que marca um gol. Parece que ele está fazendo uma dança nova agora (Riquelme sorri e gesticula para tentar imitar a comemoração). Meu filho me mostra os vídeos do Neymar todos os dias! Ele queria ver o Neymar jogar e praticamente me obrigou a ir ao Superclássico. A verdade é que foi nesse dia que voltei ao estádio do Boca depois de quatro meses.

GE.net – O cabelo do Agustín é igual ao do Neymar?
Riquelme - Não, não (risos). Isso, não. Meu filho gosta muito de futebol. Ele tem até um pijama do Brasil, mas também tem um da Argentina. (Ao final desta entrevista, o jogador mostrou no telefone celular fotos do filho com um pijama do Brasil e com a camisa de Kaká no Real Madrid.)

Djalma Vassão/Gazeta Press
Agustín, filho de Riquelme, é fã das coreografias do santista Neymar e obrigou o pai a levá-lo ao Superclássico
GE.net – Será que seu filho gosta mais do Neymar do que do Messi?
Riquelme - Para os argentinos, o Messi é incrível. E acho que não há que comparar os jogadores, eu penso dessa maneira. Devemos desfrutar muito tanto do Neymar quanto do Messi.

GE.net – Com o Messi, a Argentina pode ter sucesso aqui em 2014?
Riquelme - Espero que sim. A Argentina tem o melhor jogador do mundo, o que nos dá confiança e muita esperança. Acho que nosso país precisa de uma grande alegria.

GE.net – Em algum momento você se arrependeu de ter renunciado à seleção argentina, então comandada pelo Maradona, em 2009?
Riquelme - Não, não, não. Eu fiz o que tinha que fazer.

GE.net – Você e o Maradona eram amigos e tiveram algumas diferenças. Você gostaria... (o jogador interrompe a pergunta)
Riquelme - Nunca tive problema algum com o Maradona, jamais. Ele era o treinador da seleção argentina, eu era jogador do Boca e podia decidir se jogava ou não na seleção. Decidi não trabalhar com ele por questões que ficarão comigo para sempre e desejo o melhor a ele.

GE.net – Falando na seleção argentina, na semana passada a Fifa anunciou os concorrentes ao prêmio de melhor do mundo e incluiu o Messi outra vez, além do Cristiano Ronaldo e do Iniesta. A quem você daria a Bola de Ouro?
Riquelme - Messi.

GE.net – Mas você também gosta muito do Iniesta...
Riquelme – Sim, mas o Messi é uma coisa anormal. Ele faz 90 gols, 100 gols. Nem ele sabe quantos gols marca. É uma coisa única. Temos a sorte de que ele é argentino e estamos muito contentes com isso. Não tenho dúvida de que o Messi vai ganhar a Bola de Ouro outra vez, de forma merecida. O Iniesta também é fora de série, um craque. Os três são grandes jogadores, mas o Messi é o melhor de todos.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Meia ganhou ouro olímpico em 2008 (foto), se recusou a jogar com Maradona e foi chamado de novo em 2011
GE.net – Uma pergunta que não posso deixar de fazer: quem foi melhor, Pelé ou Maradona?
Riquelme - (Respira fundo) Não tenho ideia. Vi o Pelé apenas por vídeos e era uma coisa incrível. Os dois foram magníficos. Digo isso pelos vídeos que assisti, porque não os vi jogar (Riquelme nasceu em 1978 e Maradona viveu seu auge no final dos anos 1980). Para os brasileiros, Pelé. Para os argentinos, Maradona. Para os brasileiros, Neymar. Para os argentinos, Messi.

GE.net – Você acha que o Messi pode superar os dois no futuro?
Riquelme - Pelé foi o melhor no seu momento, Maradona foi o melhor no seu momento, Messi agora é o melhor e é assim que funciona. Você não pode comparar os jogadores de épocas distintas. Temos a sorte de estar falando de jogadores argentinos e brasileiros. Isso tudo comprova que os dois países produzem os melhores jogadores do mundo, o que é o mais importante.

GE.net – O seu último jogo oficial foi em São Paulo, a derrota para o Corinthians na final da Copa Libertadores, disputada em julho. Como está sua vida ultimamente? Está passando mais tempo com os amigos e familiares? Fazendo muitos churrascos?
Riquelme - Estou contente, desfrutando de muitas coisas que antes não podia, de coisas que não me dava conta que podia desfrutar quando jogava futebol. Estou vivendo muito bem, treinando a cada dia. Agora, neste mês ou em janeiro, vou decidir se continuo jogando futebol um pouco mais ou não. Estou muito contente, mas sei que posso jogar um pouco mais. Então, encaro tudo com muita calma.

GE.net – Poucas horas antes de você chegar a São Paulo, cerca de 15 mil corintianos se reuniram no aeroporto para se despedir do clube no embarque para o Mundial. Pelo que você conheceu do Corinthians na final da Libertadores, acha que eles têm chance de vencer o Chelsea em uma possível final?
Riquelme - Se o Corinthians ganhar o primeiro jogo, terá 90 minutos para conquistar o título. O Chelsea é uma equipe muito forte, mas eu sempre penso que, diante de um adversário europeu, os times brasileiros e argentinos têm vantagem. Tratam-se de jogadores brasileiros, então podem tirar vantagem e ganhar a partida.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Contra o Corinthians, na final da Copa Libertadores, Riquelme disputou seu último jogo oficial, no Pacaembu
GE.net – Em 2000, o Boca venceu o Real Madrid, então defendido por astros como Figo, Raul e Roberto Carlos, na final do Mundial. Como o time sul-americano deve encarar esse confronto com um rival muito superior financeiramente?
Riquelme - Tem que perguntar isso ao Tite. Ele saberá como jogar. Nós estivemos muito perto de ocupar o lugar do Corinthians. Eles nos venceram na final da Libertadores de maneira merecida e estão de parabéns. Espero ver uma grande partida, que ganhe o que jogar melhor. Mas volto a repetir: o jogador argentino e brasileiro sempre tem vantagem. Então, o Corinthians pode ganhar.

GE.net – Nesses quase cinco meses de inatividade, do que você sente mais falta? De escutar a torcida gritando o seu nome, de fazer um gol? Ou não sente saudade de nada?
Riquelme - (Risos) Acontece o seguinte: quando tomo uma decisão, eu penso muito. Acreditava que havia chegado ao máximo no Boca, havia acabado de disputar minha quarta final de Libertadores e achei que era o momento de dar um passo ao lado. Os torcedores do Boca gostam muito de mim e vice-versa. Quando o Boca empata ou perde, a torcida grita “Riquelme” no final do jogo, o que mostra o carinho que eles têm por mim. Apesar de isso incomodar muitas pessoas no clube, a torcida gosta bastante de mim. Eu me sinto muito tranquilo. Quero ver com meu representante, com meu irmão e toda a minha família as propostas que tenho e decidir se jogo um pouco mais.

GE.net – Depois do jogo contra o Corinthians, você disse, ainda no vestiário do Pacaembu, que se sentia vazio, que não podia jogar pela metade pelo time do seu coração. Agora, já se sente capaz... (o meia interrompe a pergunta)
Riquelme - (Risos) Quando eu falei isso depois do jogo, foi pelo meu clube. Se agora estou parado há cinco meses é porque o presidente e toda a diretoria do Boca não assinaram os papéis para que eu pudesse jogar em outro lugar, e não por uma decisão minha. O presidente já assumiu que demorou a assinar os papéis. Eu tinha a chance de jogar no futebol brasileiro e sou grato às equipes que sempre se lembram de mim. Fico muito satisfeito com isso. Agora, tenho que esperar para ver se acontece o mesmo em dezembro e se posso desfrutar do futebol por mais um tempo.

GE.net – Você esteve perto de jogar no Cruzeiro em uma negociação intermediada por seu amigo Sorín, certo?
Riquelme – Juanjo (apelido de Juan Pablo Sorín) se preocupou bastante quando terminamos de jogar contra o Corinthians. É verdade que estivemos muito perto de acertar com o Cruzeiro. Por isso, digo que minha decisão foi dar um passo ao lado no Boca, e não ficar parado por cinco meses. A diretoria do Boca demorou a assinar os papéis. Quando eles assinaram, a janela do futebol brasileiro já tinha fechado. Mando um beijo grande ao Sorin, porque gosto muito dele.

AFP
Fãs do Boca Juniors criticam a diretoria do clube pelo tratamento dispensado ao astro da equipe na Bombonera
GE.net – Se você tivesse conseguido a liberação, seria rival do Ronaldinho Gaúcho em Minas Gerais...
Riquelme - (Risos) Poderia ser, mas estou muito agradecido por se lembrarem de mim no Brasil. A partir do momento que joguei a final contra o Corinthians, o Grêmio, o Flamengo e o Cruzeiro se comunicaram conosco. Para mim, foi um momento muito bonito. Desde que o Ganso foi para o São Paulo, na Argentina também começaram a falar no Santos. Admiro bastante os jogadores brasileiros e que os clubes daqui se interessem por mim é algo que me deixa lisonjeado.

GE.net – Dizem que você também esteve perto de acertar com o Flamengo...
Riquelme - Cada vez que termina um semestre, na Argentina dizem que o Flamengo quer o Riquelme. Não tivemos mais do que conversas por telefone. Mais uma vez, quero reiterar que sou grato não apenas ao Flamengo, mas a todos os clubes que se comunicaram comigo ou com meu representante. Vamos atender a todo mundo, como sempre fizemos. Depois, veremos se há a possibilidade de poder desfrutar do futebol brasileiro.

GE.net – Mas qual é a sua vontade? Quer voltar ao Boca Juniors, jogar no Brasil ou tentar a sorte em países como Estados Unidos ou Catar, por exemplo?
Riquelme - (Risos) Eu gostaria de desfrutar mais. Sei que posso jogar futebol por mais tempo em um nível muito bom. Vamos ver se há um clube que me empolgue e decidir se jogo por mais tempo ou não. Eu me encontro bem, curtindo outras coisas, mas amo jogar futebol. Vamos ver o que acontece no futuro.

GE.net – O jovem Leandro Paredes vem sendo apontado como seu ‘sucessor’ no Boca Juniors. Recentemente, ele te homenageou ao comemorar um gol como você costumava fazer, com as duas mãos atrás das orelhas, ao estilo Topo Gigio...
Riquelme – Depois do jogo, ele disse na televisão que foi para um amigo, e não para mim.

GE.net – Mas o Topo Gigio é você...
Riquelme - Acontece que, no meu clube, se você se declara a favor do Riquelme, a diretoria fica incomodada. Então, é preferível dizer que foi para um amigo. Mas o Leandro é um grande jogador, tem muita técnica, muita classe. Espero que dê muitas alegrias aos torcedores do Boca.

AFP
O meia levou a comemoração Topo Gigio à Espanha, mas não ganhou títulos expressivos no Barça e no Villarreal
GE.net – A saída do técnico Julio Falcioni poderia facilitar um eventual retorno ao Boca Juniors?
Riquelme - O time vem de um semestre muito ruim. É entendiante ver o Boca jogar atualmente. Não sei o que vai acontecer. Eles estão decidindo se continuam com o técnico atual, se contratam outro, se esperam um técnico durante mais seis meses. Eles têm muitas dúvidas, não estão com as coisas claras. O único que quero é que o Boca tenha sucesso. Sou torcedor do Boca e quero o melhor para o clube. Espero que tomem a melhor decisão.

GE.net – O Boca se classificou para a próxima edição da Copa Libertadores. Isso aumenta as chances de você voltar ao clube?
Riquelme – A classificação para a Copa Libertadores é uma obrigação para o Boca. Atualmente, a imprensa argentina quer fazer as pessoas acreditarem que entrar na Libertadores é motivo para festejar, mas não é assim. O mínimo que o Boca tem que fazer é se classificar, é algo normal, uma obrigação que não se deve comemorar. É como o Barcelona e o Real Madrid, que têm a obrigação de disputar a Champions.

GE.net – Estamos na semana do primeiro jogo da decisão da Copa Sul-americana, entre Tigre e São Paulo. Você torce pelo Boca Juniors, mas também tem uma ligação com o Tigre. Como é isso?
Riquelme - (Risos) Eu nasci e vivo até hoje em Don Torcuato, um bairro que pertence ao distrito de Tigre. O estádio do clube fica muito perto da minha casa e o presidente conversa comigo frequentemente, já que nos conhecemos há muito tempo. Torço pelo Boca, mas há gente no Tigre que conheço e admiro muito.

GE.net – Você acha que o Tigre tem alguma chance de surpreender o São Paulo nessa final?
Riquelme - O São Paulo é um grande rival, tem jogadores de muita categoria e é o favorito. Mas em uma decisão tudo pode acontecer. O futebol tem essa coisa linda de que às vezes há surpresas. Mas o favoritismo do São Paulo é inegável. Conta com Lucas, Luís Fabiano, Denílson, Rogério Ceni, Osvaldo, que é muito rápido, e ainda se dá ao luxo de ter o Ganso no banco. Quem é o número 5 do São Paulo?

AFP
Meia Riquelme esteve nas tribunas da Bombonera para torcer pelo Tigre na primeira decisão contra o São Paulo
GE.net – É o Wellington.
Riquelme - Ele joga muito bem. Gosto bastante da maneira que o São Paulo joga. O Tigre está muito esperançoso. É a primeira vez que chega a uma final, os torcedores estão muito felizes e vão aproveitar muito. Veremos o que acontece na final.

GE.net – Você disse que conhece o pessoal do Tigre, mas no São Paulo também tem um amigo seu, o Cañete...
Riquelme - É um jogador com muita técnica e qualidade. Parece que acabou de se recuperar de uma lesão. Espero que possa jogar bem e que os torcedores do São Paulo possam desfrutar de vê-lo jogando. Desejo o melhor e gosto muito dele. Treinamos muitas vezes juntos no Boca e é uma grande pessoa.

GE.net – Você viveu alguns dos maiores momentos da sua carreira no Brasil: ganhou a Libertadores de 2000 sobre o Palmeiras, no Morumbi, e a edição de 2007 contra o Grêmio, no Olímpico. Costumava se dar bem por aqui...
Riquelme - Tanto em 2000 quanto em 2001 fizemos uma rivalidade muito bonita com o Palmeiras. Eles sempre chegavam até as finais e nós também tivemos a sorte de fazer boas campanhas. Em 2000, ganhamos a final nos pênaltis e no ano seguinte também, na semifinal. Eles tinham uma grande equipe, com o goleiro Marcos e o talentoso Alex, que eu gostava muito de ver jogar. Lembro que vivemos grandes momentos, fizemos grandes jogos. Eu gosto de jogar contra grandes equipes e o Palmeiras nesse momento tinha ótimos jogadores. Quanto a 2007, ganhamos do Grêmio com a maior diferença de gols de uma decisão da Libertadores (5 a 0).

GE.net – Os palmeirenses se lembram muito do jogo de volta da semifinal de 2001, no Palestra Itália. Foi uma das melhores partidas sua carreira?
Riquelme - Para o torcedor do Boca, pode ser que sim. Tanto esse jogo contra o Palmeiras quanto a final que jogamos contra o Real Madrid, pela Intercontinental, são os que o torcedor do Boca mais lembra. Esse confronto com o Palmeiras foi incrível. Estávamos ganhando por 2 a 0 e o Palmeiras conseguiu empatar. Tivemos a sorte de passar nos pênaltis para depois ganhar a final contra o Cruz Azul. Para mim, era um prazer jogar essas partidas. Tive a sorte de contar com companheiros que jogavam muito bem, que faziam com que as coisas ficassem mais fáceis para mim.

AFP
Na semifinal da Libertadores de 2001, Riquelme trucidou o Palmeiras, então defendido por Galeano e Alex
GE.net – Você se surpreende ao encontrar o Palmeiras na Série B pouco mais de 10 anos depois daqueles duelos memoráveis?
Riquelme – Isso é estranho, não? Se entendi bem, eles vão jogar a Libertadores e a Segunda Divisão no mesmo ano. É isso mesmo?

GE.net – Exatamente. O Palmeiras se classificou para a Libertadores ao ganhar a Copa do Brasil, disputada no primeiro semestre.
Riquelme - É estranho. Mas o Palmeiras é um time muito grande, que seguramente vai se dar muito bem em 2013. Vai voltar à Primeira Divisão, sem nenhuma dúvida.

GE.net – É isso, Roman. Muito obrigado pela entrevista e boa sorte para definir o seu futuro.  
Riquelme -
De nada. Só não vá me colocar em apuros.

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