Atletismo/São Silvestre - ( )

Após vitória na SS, técnico do Cruzeiro quer parceria com africanos

Bruno Ceccon São Paulo (SP)

A vitória da queniana Maurine Kipchumba, contratada pelo Cruzeiro especialmente para a Corrida Internacional de São Silvestre, foi suficiente para mudar as convicções de Alexandre Minardi. Satisfeito com o triunfo, o diretor técnico de atletismo do clube mineiro pensa em fazer uma parceria permanente com a equipe Luasa.

Desafetos festejam triunfo inédito na SS

Atraídos pelo calendário movimentado, pelos prêmios em dinheiro e pelo baixo nível técnico de algumas provas, os africanos passaram a dominar as corridas de rua no Brasil. Minardi combatia abertamente a presença dos estrangeiros, a ponto de sugerir à Confederação Brasileira de Atletismo (Cbat) um máximo de três representantes da África por evento.

Diante da reclamação dos atletas e técnicos nacionais, a Cbat resolveu limitar o número de estrangeiros por corrida no começo de 2009. Em provas da chamada Classe A-1, são permitidos no máximo três atletas por país, mas a entidade pode rever o limite a seu critério em eventos deste nível.

Para finalmente ganhar a São Silvestre depois de quase três décadas de tentativas infrutíferas, Minardi resolveu se render aos africanos e contratou dois atletas quenianos especialmente para a corrida junto à Luasa. Enquanto Maurine Kipchumba levou o Cruzeiro ao lugar mais alto do pódio, Joseph Aperumoi ficou em segundo.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Contratados pelo Cruzeiro apenas para a São Silvestre, Maurine Kipchumba e Joseph Aperumoi foram ao pódio
A Luasa, dirigida pelo ex-maratonista olímpico Luiz Antônio dos Santos, bronze no Mundial de Gotemburgo-1995, trabalha com atletas de países como Quênia, Tanzânia e Etiópia em Taubaté. Após os resultados da São Silvestre, Minardi quer ampliar a parceria com a equipe.

“O excesso de africanos não é legal para os brasileiros, mas vamos ter que conviver com isso. Então, eu entrei na deles e vou fazer de tudo para formar uma parceria forte com a Luasa. Se depender de mim, o acordo já está feito. Vamos incrementar essa parceria do Cruzeiro com alguns quenianos estrelados”, disse.

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press
COQUINHO MINIMIZA CONCORRÊNCIA

Moacir Marconi, mais conhecido como Coquinho, empresaria e treina africanos que disputam provas de rua no Brasil. Ex-corredor, ele minimiza a concorrência de uma eventual parceria do Cruzeiro com a Luasa.

“Não me incomoda de jeito nenhum. Só me incentiva a fazer um trabalho cada vez mais forte”, disse Coquinho, técnico de Edwin Kipsang, ganhador da São Silvestre no masculino, e desafeto de Minardi.

“Eu me preocupo com minha vida e meu trabalho. Se estou incomodando, é porque meu trabalho é sério, tem resultado e sou competente. Se cuidassem mais da vida deles, talvez o resultado deles seria melhor”, alfinetou.

A postura de combater a presença dos africanos rendeu alguns desentendimentos para Minardi ao longo dos últimos anos. Após ver os quenianos levarem a bandeira do Cruzeiro ao pódio, no entanto, o diretor técnico se diz interessado até em visitar o país.

“Valeu a pena investir nos africanos. Eu ainda não conheço o Quênia e também quero levar alguns atletas do Brasil ao país”, disse Minardi, antes de reiterar seu interesse. “Se depender de mim, a Kipchumba e o Aperumoi serão atletas do Cruzeiro em 2013”, declarou.

Luiz Antônio dos Santos também ficou satisfeito com a performance de seus pupilos pelo Cruzeiro e está interessado em ampliar a parceria com o clube mineiro. Contudo, ele condiciona um eventual acordo a uma negociação detalhada com Alexandre Minardi.

“Da minha parte, também há interesse (na parceria). Tenho consideração pelo Minardi, mas pensamos de maneira diferente. Para mim, ninguém vive só de vitórias. Ele tem patrocínio e bons atletas nas mãos, mas acaba perdendo alguns pela forma de conduzir. Estou disposto a fazer a parceria, mas temos que conversar muito”, disse.

A contratação dos africanos pelo Cruzeiro para disputar a São Silvestre, porém, não teria sido bem recebida dentro da própria equipe de atletismo do clube. Segundo Minardi, Ivanildo Pereira dos Anjos, o Gomes, torceu o nariz para os quenianos.

“Antes da largada, chamei o Gomes para tirar uma foto com a Kipchumba e o Aperumoi, mas ele recusou. Isso não pode, é ignorância! Ele disse: ‘você era contra os africanos e agora fica contratando eles’. E se eu não contratasse? O Cruzeiro perderia a vitória”, declarou Minardi.

COM NOIVO BRASILEIRO, CAMPEÃ DA SS DEVE MORAR NO BRASIL

Ganhadora da Corrida Internacional de São Silvestre, Maurine Kipchumba (foto) namora o também atleta William Salgado Gomes. Na medida em que planeja casar com o brasileiro, a corredora queniana poderia morar no Brasil e tem o projeto de competir com mais frequência no País.

“Já entendo até um pouquinho de português”, disse Kipchumba, 24 anos, confirmando o projeto de casar e morar no Brasil. Campeã da Volta Internacional da Pampulha no começo de dezembro, ela está com a Luasa há aproximadamente três anos e volta regularmente ao Quênia.

 

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