É costume de Mark Korir correr com tênis de numeração menor do que a sua. "Ele é teimoso", opina o técnico brasileiro Moacir Marconi, o Coquinho. Por teimosia ou não, o queniano, que terminou a Corrida Internacional de São Silvestre em terceiro lugar, cruzou a linha de chegada com o pé esquerdo sangrando.
O sangue pôde ser visto pela cor avermelhada da meia, quando ele, com algum esforço, conseguiu ficar descalço, pouco depois da cerimônia de premiação no pódio.
"É complicado correr com descidas e subidas com curvas, acabei me machucando. Mas consegui terminar a prova", justificou o vice-campeão da edição de 2011 e antes favorito – à sua frente, terminaram os compatriotas Edwin Kipsang (44min04s) e Joseph Kachapin Aperumoi, com respectivamente 16 e seis segundos de vantagem.

"O tênis fica apertado e, quando a meia molha, pela água e pelo suor, eles machucam os dedos no movimento de subida e descida do percurso", disse o treinador, falando em português diante dos quenianos, que nada entendiam.
Além dos três quenianos, o pódio da 88ª edição da principal corrida de rua do País, realizada de manhã pela primeira vez na história, teve o brasileiro Giovani dos Santos (44min50s) e o marroquino Hafid Chani (45min54s), respectivamente quarto e quinto colocados.
