Futebol/Campeonato Paulista - ( - Atualizado )

Paulistão reúne campeões de 2012 e confrontos de reforços badalados

Luiz Ricardo Fini* São Paulo (SP)

Os quatro grandes clubes do Estado conquistaram títulos no ano passado, mas isso não inibiu três deles na busca por reforços badalados nesta temporada, o que gera também uma expectativa maior em relação ao Campeonato Paulista, apesar da realização simultânea da Copa Libertadores da América. Os confrontos das estrelas nos campos da capital e também do interior se transformaram no chamariz do torneio.

O Corinthians inicia o ano com a contratação mais cara da história nacional: R$ 40 milhões ao Milan por Alexandre Pato. O São Paulo repatriou o pentacampeão Lúcio e vive a expectativa de dar sequência a Paulo Henrique Ganso, depois de adquiri-lo no fim do ano passado. Para repor a saída de seu ex-maestro, o Santos nunca gastou tanto como no acerto com Montillo (R$ 16 milhões ao Cruzeiro). Já o Palmeiras ainda lamenta o rebaixamento no Brasileirão, emperrou em sua guerra política e pouco fez, a não ser o esforço financeiro para segurar Barcos.

Arte GE.Net
Mesmo com a presença do trio de ferro no torneio continental, o discurso é de respeito e interesse ao Paulistão. Sem atuar no futebol nacional desde quando era um adolescente, Alexandre Pato tem sua estreia prevista a partir da terceira rodada e nem pensa na hipótese de ser poupado para a Libertadores, pois quer aproveitar seu retorno ao País.

“Saí daqui com 17 anos e quero conhecer o Brasil. Estou louco para jogar e ser feliz com este elenco, não vejo a hora de viajar para fazer o que mais gosto”, afirmou o atleta, para completar. “Sou novo ainda e quero ganhar o Paulista, a Libertadores e todos os títulos possíveis. Espero dar continuidade ao que vinha fazendo no Milan”. Como se não bastasse, o Alvinegro manteve sua base, com o cobiçado Paulinho e os heróis Emerson Sheik, Cássio e Paolo Guerrero.

A competição estadual reúne os atuais campeões da Libertadores e do Mundial (Corinthians), da Copa do Brasil (Palmeiras), da Copa Sul-americana (São Paulo) e da Recopa (Santos). Além disso, o Peixe chega também com o status de tricampeão paulista e liderado por Neymar, aliviando a perda de Ganso, que pretende ajudar o Tricolor a deixar de ser o grande que há mais tempo não ganha o campeonato (desde 2005).

O camisa 10 são-paulino, de 23 anos, custou aos cofres do Morumbi quase R$ 24 milhões e estreou em novembro de 2012. Como já atuou diante dos tricolores, o armador atrai menos holofotes do que o zagueiro Lúcio, que está de volta ao País depois de 12 anos no exterior e trata o Paulistão com a mesma importância da Libertadores.

“O primeiro jogo do Paulista já está valendo três pontos. Ou seja, tem de ser encarado da mesma forma que o jogo da pré-Libertadores. Claro que é o primeiro da temporada e nosso objetivo é ir crescendo dentro da competição”, avaliou o pentacampeão, incumbido de ajudar a liderança de Rogério Ceni, que adiou a aposentadoria por mais um ano.

Mesmo com a estreia na pré-Libertadores agendada para quarta-feira, o técnico Ney Franco não quer saber de poupar sua equipe e coloca os titulares em campo logo na primeira rodada do Paulistão, diante do Mirassol, neste sábado, no Morumbi, em uma clara preparação para o jogo contra o Bolívar.

A situação contrasta com o Corinthians, que usa formação reserva contra o Paulista, neste domingo, já que os principais atletas voltaram mais tarde das férias. O Santos, por sua vez, não tem a Libertadores neste primeiro semestre e tratou de se reforçar para evitar que Neymar ficasse novamente isolado. Montillo é a grande aposta da equipe, mas tem também o ex-palmeirense Marcos Assunção e o ex-são-paulino Cícero, entre outros. Muricy Ramalho, porém, não se ilude em encontrar um possível desinteresse dos rivais diretos.

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“Claro que as pessoas não dão muita importância quando você ganha o Paulista, mas para quem perde é complicado. Os nossos adversários estarão divididos com outras competições, mas fizemos isso nos anos anteriores e deu certo. Jogamos as duas fortes, para ganhar. Por isso, vejo o Santos como um dos candidatos ao título, mas não somos o único favorito”, argumentou.

A incógnita para a temporada é o Palmeiras, que estreia neste domingo, contra o Bragantino, um dia antes das eleições presidenciais, entre Décio Perin e Paulo Nobre, postulantes ao lugar hoje ocupado por Arnaldo Tirone. O rebaixamento à segunda divisão do Brasileiro motivou uma ideia de reformulação na diretoria, mas, enquanto cerca de 20 atletas saíram, apenas dois foram contratados (Fernando Prass e Ayrton), para desespero do técnico Gilson Kleina, que tem como alento só a permanência de Hernán Barcos, depois de muita indefinição.

“Fiz mais reunião do que a ONU com o (gerente de futebol César) Sampaio e os meus superiores”, desabafou o treinador, sem sensibilizar Arnaldo Tirone. “Respeitamos o momento, mas temos que entender: no futebol, é necessário ser ágil. Se não for, pela grandeza do clube, ficaremos em um patamar diferente, e isso não vamos querer”.

Como dirigia a Ponte Preta antes de assumir o Palmeiras, Kleina sabe da possibilidade de surpresas durante a competição – no ano passado, a Macaca eliminou o Corinthians, enquanto o Guarani derrubou o Verdão e chegou ao vice-campeonato. “O Paulista é o mais difícil do Brasil. É tão forte que, quando começam as Séries A e B do Brasileiro, os times são abastecidos principalmente por jogadores daqui”.

Até mesmo quem passou boa parte da carreira na Europa conhece a fama de zebras da competição. “Nunca vi um campeonato regional tão forte. Os quatro grandes ganharam no ano passado e tenho certeza de que o Paulistão vai ferver. Alguns jogadores voltaram, como o Renato Augusto (no Corinthians), que foi meu colega de Seleção de base, assim como o Pato também”, ponderou o volante são-paulino Denilson.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Rivaldo está de volta ao futebol brasileiro e vai jogar o Paulistão pelo São Caetano
A última conquista de uma equipe diferente dos quatro grandes aconteceu em 2004, quando o São Caetano ainda estava em seu auge para levantar a taça, sob o comando de Muricy. Para tentar repetir o feito, o Azulão tem agora a liderança de Rivaldo, que, depois de ter atuado na Angola, optou pelo time do ABC em vez de jogar pela agremiação em que foi presidente, o Mogi Mirim.

O pentacampeão terá a companhia do atacante Jóbson, que busca mais um recomeço na carreira. Já a principal ausência dentre os participantes é a Portuguesa, que terminou em 17º lugar na edição passada e disputa a Série A2 em 2013.

(*) Colaboraram Rodrigo Martins, Edoardo Ghirotto, Tossiro Neto e William Correa

 

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