Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

Após vencer racismo, Rodnei sonha com Champions no Red Bull Salzburg

Edoardo Ghirotto, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

O sonho de jogar na Europa já se tornou uma realidade para Rodnei Francisco de Lima. Aos 27 anos, o zagueiro é famoso na Alemanha por ter defendido o Kaiserslautern em seu acesso à primeira divisão da Bundesliga, em 2011. Com a experiência de quem já enfrentou a luta contra o racismo no continente e a disposição de quem ainda busca se firmar como ídolo de uma torcida, o brasileiro quer iniciar 2013 focado em colocar o nome do jovem Red Bull Salzbug, da Áustria, entre os classificados à próxima Champions.

De férias com o recesso de fim de ano, Rodnei buscou o conforto da casa dos pais para aproveitar os seus últimos dias no Brasil. Motivo de curiosidade ao passear por Taboão da Serra com a camisa do clube suíço, o jogador estampa objetos personalizados em sua residência e enche a família de orgulho. “As pessoas iam atrás dele e cercavam a gente em busca de autógrafos. Era uma loucura”, relata o sorridente pai Antônio, ao falar de sua viagem à Alemanha, onde o filho também defendeu o Hertha Berlin.

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Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Rodnei encarou o preconceito racial de lituanos e poloneses antes de se aventurar na Alemanha e Áustria
O destaque no futebol bávaro, entretanto, veio depois de muita luta para superar os obstáculos do leste europeu. Formado nas categorias de base do Juventus da Mooca e campeão da Série A2 do Paulista em 2005, o zagueiro chamou a atenção do FC Vilnius, da Lituânia, e, posteriormente, do Jagiellonia Bialystok, da Polônia. Mesmo sendo titular absoluto nas duas equipes, o preconceito racial foi uma das muitas dificuldades combatidas ao lado do “parceiro” corintiano Paulinho.

“O Paulinho comentou sobre esses casos de racismo depois que voltou para o Brasil. Na Polônia a gente ia cumprimentar a torcida após uma vitória e alguns tiravam a mão para não relarem nos negros. Já na Lituânia tinham uns brucutus que ficavam com ciúmes. Eles não estão acostumados com negros lá naquela região e nós chamávamos a atenção das mulheres por isso. Alguns trombavam de propósito e outros já apontavam e cochichavam na rua”, recordou o defensor.

Chamado à Áustria com antecedência para se recuperar de uma lesão na face, Rodnei tem a esperança de ser relacionado mais vezes pelo técnico Roger Schmidt nesta temporada. A equipe encontra-se na segunda posição do Campeonato Nacional, com 41 pontos – sete a menos do que o líder Austria Wien -, e ainda enfrenta a desconfiança de antigos torcedores.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Recuperado de uma lesão na face, o zagueiro Rodnei sonha em jogar a Champions com o RB Salzburg
Fundado com o nome SV Austria Salzburg, em 1933, o clube foi comprado pela empresa Red Bull em 2005 e se transformou em uma equipe totalmente diferente. A quebra de tradição levou a ala mais radical da torcida a criar uma nova agremiação na cidade e esvaziou os jogos do time financiado pela franquia. A ausência de público chegou a incomodar o elenco, mas não ofuscou os objetivos traçados para as próximas temporadas.

“O estádio é bonito e feito para 18 mil pessoas. As arquibancadas do meio até ficam cheias, mas as laterais ainda estão vazias. Os torcedores que faziam barulho mesmo foram embora e incomoda um pouco jogar em um lugar vazio”, conta o zagueiro. “Mas é uma equipe nova e que está se desenvolvendo no mundo todo. A estrutura não perde para nenhum clube do mundo e o nosso sonho é chegar até a Liga dos Campeões.”

Para cumprir com a missão traçada pela diretoria, o Red Bull terá de terminar o ano pelo menos na segunda colocação do Nacional e avançar em uma fase de qualificação antes de comemorar sua ida para a Champions. E é este objetivo que faz uma volta ao Brasil se tornar algo improvável para Rodnei. Mesmo com os apelos da família, dividida entre torcedores do Corinthians e do São Paulo, o zagueiro quer continuar na Europa para jogar a principal competição de clubes do mundo.

“O interesse de voltar existe e a família toda aqui faz a saudade apertar. Um dia eu quero voltar, mas não sei quando. Tenho amigos jogando por aqui e a vontade de disputar os campeonatos brasileiros é grande”, declarou o atleta, evasivo na hora de falar sobre as preferências familiares. ‘Torcedor’ do Red Bull, o jogador não comentou sobre a rivalidade entre os seus parentes e fez até o irmão corintiano Alexandre ‘virar a casaca’. “Eu sou Rodnei Futebol Clube. Vou vestir a camisa até se ele for para o Palmeiras”, brincou.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Dividida entre são-paulinos e corintianos, a família de Rodnei apóia até uma transferência para o rival Palmeiras

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