O aposentado Cafu agora usa as mãos que levantaram o troféu da Copa do Mundo de 2002 para desferir socos. Os pés, que tinham dificuldades para realizar cruzamentos no início de carreira, hoje servem para conectar chutes certeiros em seus sparrings – e não mais em bolas de futebol. Ao invés do gramado, ele se movimenta em um ringue, devidamente instalado dentro de casa. Com um extenso cartel como lateral direito, o ex-jogador decidiu recorrer a Mario Yamasaki (primeiro árbitro brasileiro da história do UFC) para aprender a lutar MMA em sua residência.
“É mais por lazer, diversão, condicionamento físico”, sorriu Cafu, em entrevista concedida à Gazeta Esportiva.net, negando a intenção de seguir carreira em outro esporte após abandonar o futebol. “O Marião (Yamasaki) é gente finíssima, nosso vizinho, um cara bom, de grande índole. De vez em quando, a gente faz uns treininhos de MMA para manter a forma”, acrescentou o ex-jogador.
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Criado no violento bairro paulistano do Jardim Irene, que homenageou no último título mundial conquistado pela Seleção Brasileira, Cafu conheceu Yamasaki na nobre região de Alphaville, em Barueri. O árbitro do UFC foi convidado para jantar na casa do vizinho, um grande fã de MMA, por intermédio de um amigo em comum. “Começamos a conversar naquele dia. O Cafu é um atleta excelente, que gosta de luta, e me pediu para ajudá-lo a montar uma academia em casa, dando aulas de jiu-jitsu e muay thai. Isso será bom para ele manter aquele grande preparo físico dos tempos de jogador”, disse o professor.
Segundo Cafu, a sua ligação com o MMA não irá além da exibição de combates no cinema caseiro e da instalação da academia. Está fora de cogitação trocar a antiga tarja de capitão no braço por um cinturão de campeão no corpo. “Não tenho pretensão alguma de lutar de verdade”, avisou, definindo suas lutas “de mentira” como um programa familiar. “Meus filhos também treinam. É algo que me faz ficar mais próximo deles. Acho legal. Todo mundo em casa aderiu. Mas estou sentindo muita diferença no preparo físico. Não há comparação com o que eu tinha alguns anos atrás”, garantiu aquele que foi famoso por correr e lutar bastante dentro de campo mesmo quando veterano.
Se depender da disposição de Mario Yamasaki, Cafu logo estará apto a readquirir a fama de velocista que teve como lateral direito. “Vou ajudá-lo a ter um grande condicionamento físico, sem dúvida. Se ele voltasse a jogar futebol, seria muito melhor do que alguns que estão atuando por aí. Sempre achei o Cafu um profissional excelente”, tietou o especialista em MMA.
O empreendedor Mario Yamasaki não tem apenas Cafu como parceiro famoso em seu círculo de negócios. Ele também dá aulas para o ator Fábio Villa Verde, que interpreta um técnico de futebol no remake da novela “Carrossel”, no SBT. “Assim que abrirmos mais academias, novas pessoas virão treinar. Não serei aquele professor casca-grossa, até porque só quero o bem-estar de quem está praticando a arte marcial. Vamos trabalhar não apenas o corpo do pessoal, mas a mente também”, propagou. Fora dos ringues e octógonos, o árbitro de UFC ainda conta com uma inusitada sociedade com a modelo e apresentadora Sabrina Sato para manter uma de suas academias na Zona Oeste de São Paulo. “Não nos conhecíamos. Os investidores quiseram usar os nossos nomes no negócio, e eu gostei. Criamos uma academia high tech, com menos máquinas e mais exercícios funcionais. Estamos seguindo uma tendência que eu trouxe dos Estados Unidos.”
Ao menos por enquanto, Cafu não pensa em integrar a relação dos primeiros 20 lutadores do “time Yamasaki”. Não por falta de preparo físico, segundo o seu técnico. Se ele mudasse de ideia, também não seria pioneiro entre os famosos a começar carreira no MMA. O ex-zagueiro Gustavo, que passou por clubes como Atlético-PR, Palmeiras, São Caetano, Corinthians e Sport, pratica o esporte e até participa de competições de jiu-jitsu. Já o cantor Bruno Scornavacca, da banda KLB, estreou na modalidade com vitória no final do ano passado. O artista finalizou Diego “Ramones” Mercúrio no segundo round de combate pelo Fair Fight MMA, no Via Funchal, e comemorou como se levantasse um troféu de Copa do Mundo.
| MARIO YAMASAKI É CORINTIANO FANÁTICO |
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Hoje professor de MMA do ex-jogador Cafu, o árbitro Mario Yamasaki é um grande admirador de futebol. Ele foi a todos as partidas que o Corinthians disputou no Pacaembu na última Copa Libertadores da América. Também levou os filhos Sofia, de nove anos, e Lucas, de cinco, para entrarem em campo com o seu time de coração em um clássico contra o Palmeiras. “O pior é que já fui palmeirense na infância. Não sei nem o motivo, já que a minha mãe é corintiana e o meu pai, são-paulino. Passei a torcer pelo Corinthians em 1977, quando o time foi campeão paulista depois de 23 anos. Gostei tanto que a paixão ficou até hoje”, contou. Apesar de se dizer avesso à violência do futebol, o especialista em MMA não consegue ficar muito tempo longe do esporte mais praticado no Brasil. “Cogitei até ir ao Japão, terra dos meus antepassados, para acompanhar o Corinthians no Mundial. Mas não daria tempo. Seria muito perrengue”, explicou Yamasaki. Estimulando o filho caçula a ser lutador, o árbitro está com dificuldades para fazer com que Lucas herde sua segunda paixão. “Meu filho diz que torce por Santos, Corinthians, Barcelona e Estados Unidos. O Santos é pelo Neymar, o Corinthians foi motivado por mim, o Barcelona está na moda com o Messi e os Estados Unidos porque moramos lá. Mas creio que ele será santista. Ele adora o Neymar”, sorriu Mario Yamasaki. |

