Futebol/Mundial de Clubes - ( )

Campeão em 2000 vibra com sucesso tardio do “chip Fábio Luciano”

Helder Júnior e Marcos Guedes São Paulo (SP)

Duas tecnologias foram testadas no último Mundial de Clubes para indicar aos árbitros se a bola cruzou ou não a linha do gol em lances duvidosos. Felizmente para os torcedores do Corinthians, o relógio do turco Cüneyt Çakir não exibiu a mensagem “Goal” quando a coxa de Cássio e poucos centímetros impediram Cahill de abrir o placar para o Chelsea na final.

Fábio Luciano provocava Anelka por 2000

Campeão mundial com o Timão em 2000, Fábio Luciano vibrou com a eficácia do Hawk-eye e do GoalRef no Japão. Na primeira edição da competição sob organização da Fifa, ainda não havia chip na bola, o que permitiu ao zagueiro enganar o juiz italiano Stefano Braschi na estreia alvinegra.

“Quando soube que a bola com chip seria testada, lembrei-me do meu gol na mesma hora. Já estou dizendo entre os meus amigos que o chip deveria se chamar Fábio Luciano. Chip Fábio Luciano: bem que esse poderia ser o nome hein?”, sorriu o ex-jogador, em entrevista à GE.net.

No Morumbi, há 13 anos, Fábio Luciano virou protagonista em sua estreia como corintiano. Ele escapou da marcação de Talal e subiu sozinho após batida de falta de Ricardinho. Chadili defendeu, mas o camisa 16 do Corinthians ficou com o rebote e bateu forte de pé esquerdo. A bola quicou fora, apesar de o árbitro, induzido pelos braços erguidos do “artilheiro” e pelo barulho da Fiel, apontar o centro do campo.

AFP
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Fifa mantém viva discussão de boteco

“Eu não sei, não. Nas segundas-feiras, vai acabar aquela discussão nos bares, nas padarias. O futebol vive disso também”, disse o ex-goleiro Ronaldo, que vibrou com o segundo gol do Corinthians contra o Raja Casablanca em 2000 e é um dos muitos que torcem o nariz ao uso da tecnologia.

A preocupação é compartilhada pela própria Fifa, que promete não ir muito além do “chip Fábio Luciano” acoplado na bola Cafusa. O presidente da entidade, Joseph Blatter, já demonstrou compreender a importância do que acontece após as partidas, dos bares de Itaquera aos pubs de Londres.

“É uma ajuda técnica para os árbitros. Só teremos a tecnologia de linha de gol no terreno de jogo, e nada mais. Não usaremos câmeras, por exemplo, para tomar decisões em uma partida. Devemos preservar o fascínio do futebol. Os torcedores gostam das dúvidas, vamos permitir que eles sigam desfrutando”, afirmou o suíço.

Dos dois protótipos testados no Mundial de Clubes, um será utilizado na Copa das Confederações deste ano. Não havendo nenhum problema – como não ocorreu no Japão –, a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, ficará marcada como a primeira com auxílio tecnológico aos árbitros.

“É uma iniciativa válida. Tudo o que vier para ajudar o futebol deve ser apoiado. A Fifa está preocupada em melhorar algumas questões do jogo, e a bola com chip chegou para acabar com uma parte das dúvidas da arbitragem. Mas ainda bem que isso não existia na minha época”, comemorou Fábio Luciano, beneficiado em 2000.

Assim, naquele 5 de janeiro, fechou-se o placar da vitória do Alvinegro sobre o marroquino Raja Casablanca: 2 a 0. O resultado foi decisivo para a classificação da equipe do Parque São Jorge, que avançou à final – na qual bateria o Vasco nos pênaltis, no Maracanã – com a mesma pontuação do Real Madrid e um gol a mais de saldo.

Os corintianos ainda recordam que um gol legítimo de João Carlos foi anulado no empate por 2 a 2 com o Real, mas o fato é que o chute de Fábio Luciano no travessão acabou sendo determinante. Para o Corinthians, que viraria Todo-poderoso nove dias depois, e para o próprio jogador, que começava a se projetar no clube.

“Meus amigos até me zoaram quando surgiu a notícia de que a bola do Mundial de agora teria chip. Vou fazer o quê? Melhor para mim e melhor para o Corinthians que não existia essa tecnologia no meu tempo. Aquele foi um gol bem importante para a minha carreira”, disse o ex-atleta.

Campeão mundial logo após a chegada da Ponte Preta, ele acabou se tornando capitão do Timão, fez carreira na Europa e voltou ao Brasil em 2007, quando começou uma relação intensa com o Flamengo. Hoje seu coração é mais rubro-negro, mas ainda há espaço para um amor antigo, do tempo em que ainda não existia o “chip Fábio Luciano”.

“Continuo seguindo o Corinthians. É claro que acompanhei o Mundial, foi uma conquista muito bonita. A torcida merecia isso, foi algo que veio para coroar um ano maravilhoso. Nós, que passamos por lá, também ficamos contentes. O Corinthians está se estruturando cada vez mais, tornando-se um dos maiores clubes do mundo”, comentou.

2000 x 2012
Para o técnico Tite, a dimensão da conquista de 2012 foi “bem maior” porque o Corinthians se credenciou à disputa do Mundial com o título da Copa Libertadores da América. Na edição de 2000, a equipe jogou como representante do Brasil, país que recebeu a competição.

Fábio Luciano, como os seus companheiros no triunfo de 13 anos atrás, não se importa. Ele recorda a enorme dificuldade do título – especialmente pelo desgaste do time, que havia decidido o Campeonato Brasileiro pouco antes – e não se esquece do apoio da Fiel no Maracanã.

“Chegamos ao Mundial de 2000 por outro caminho, que também era válido. O Corinthians era o representante do país-sede e contava com um grande elenco, que fez história. Aquele título teve muito valor, sim, assim como o de agora. O mais importante é que o clube tem um bicampeonato mundial reconhecido pela Fifa”, vibrou o candidato a nome de chip.

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