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Da ambição à renúncia, a queda de Ricardo Teixeira

Gazeta Press Rio de Janeiro (RJ)

Durante mais de duas décadas, Ricardo Teixeira foi o mais poderoso dirigente do futebol brasileiro e um dos mais influentes do mundo. Desde o dia 16 de janeiro de 1989, quando assumiu o comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Teixeira se caracterizou por atitudes polêmicas e também pela forma personalista como dirigia o futebol brasileiro.

Genro de João Havelange, que o preparou para sucedê-lo no comando, Teixeira passou o tempo do seu mandato combatendo os opositores com todas as armas possíveis e também sendo combatido por eles. Nos últimos meses antes da sua renúncia, seu prestígio, que parecia inabalável, caíra tanto que ele não conseguia sequer ser recebido pela presidente Dilma Roussef.

As denúncias de corrupção que passaram a atingir sua administração foram decisivas para a queda do poderoso cartola. No dia 12 de março, ele renunciou e foi substituído por José Maria Marin, um dirigente que se destacou por ser um destacado adepto do deputado Paulo Maluf.

AFP
Depois de deixar os gramados e entrar na vida política, Romário se tornou um dos grandes rivais de Teixeira
A trajetória

Quando assumiu a presidência da CBF, Teixeira teve logo uma atitude polêmica ao convidar o contestado Eurico Miranda para exercer o cargo de diretor de futebol. Mesmo com todo o barulho, Teixeira viu a Seleção Brasileira conquistar a Copa América depois de 40 anos de jejum, sob o comando de Sebastião Lazaroni, outra escolha contestada do dirigente.

Indicado por Havelange como seu sucessor na Fifa, Ricardo Teixeira enfrentou problemas com a federação portuguesa que se recusou a liberar jogadores brasileiros para a seleção para a Copa de 90 porque a CBF não tinha acertado seguro e salário dos jogadores, detalhes que depois foram contornados. A seleção acabou sendo eliminada pela Argentina, Lazaroni foi demitido e Teixeira convidou Falcão para assumir a seleção, experiência que se revelou desastrosa.

Divulgação/Fifa
Teixeira ambicionava seguir os passos de Havelange e chegar à presidência da Fifa
Em 92, mesmo diante do protesto de outros candidatos, Ricardo Teixeira antecipou as eleições para a presidência da CBF e acabou sendo reeleito, com certa facilidade. Ele foi acusado de fazer uma manobra ilegal para continuar no poder, mas acabou tendo sua escolha confirmada.

Em 1994, depois de um período de turbulência, a Seleção Brasileira conquista a Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos sob o comando de Parreira e Zagallo, dupla escolhida pelo presidente da CBF e que sofreu críticas de todo o Brasil. O resultado ajudou Teixeira a se reeleger numa eleição em que não houve candidato de oposição.

Em 96, Ricardo Teixeira banca uma virada de mesa no Campeonato Brasileiro, beneficiando Fluminense e Bragantino que haviam sido rebaixados. No ano seguinte, explodiu um escândalo sobre manipulação da arbitragem, mas Teixeira saiu incólume da confusão.

Em 98, o Brasil foi derrotado pela França no final da Copa, mas o resultado não influi no destino do dirigente, reeleito no ano seguinte como candidato único e com votação unânime. Em 2000, a CBF banca mais uma virada de mesa. Cria a Copa João Havelange e o Fluminense que disputaria a Série B acabou sendo promovido para o grupo de elite. Bahia, Juventude e América-MG também são beneficiados.

Brasília aperta

Em maio de 2001, foi convocado para depor numa CPI instalada na Câmara dos Deputados, criada para investigar contratos supostamente irregulares firmados entre a CBF e uma empresa de material esportivo. Outro contrato, agora assinado com a AmBev, despertou suspeitas. Um ex-sócio e amigo do cartola recebeu oito milhões de dólares como intermediário, o que causou grande polêmica.

A CPI apurou que as federações estaduais receberam muito dinheiro para apoiar Ricardo Teixeira. Em 2002, o Brasil conquista o pentacampeonato e Teixeira vê a pressão ser aliviada sobre a sua administração. É reeleito em 2003 com aprovação geral das entidades regionais.

Em 2005, reportagem publicada pela revista Vejamostra um esquema de manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro com a participação do árbitro Edilson Pereira de Carvalho. Onze jogos suspeitos foram remarcados, o que causou grande desgaste para o dirigente. O contrato com a Nike foi renovado sem concorrência, o que gerou mais desconfiança sobre a atuação de Teixeira. Mesmo assim, ele foi reeleito em 2007 para mais um mandato.

AFP
Prestígio do dirigente perdeu ainda mais força com a falta de apoio de Ronaldo e da presidente Dilma
Logo depois o Brasil é escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014, o que fez o prestígio do cartola aumentar ainda mais, em termos internacionais, embora continuasse a ser contestado no Brasil. O atacante Ronaldo, antigo aliado, abre fogo contra o presidente da CBF e diz que ele tem “duplo caráter”.

Em 2011, Teixeira conseguiu bloquear em Brasília mais uma CPI que seria criada para investigar a CBF. Em entrevista, promete fazer todo tipo de maldade durante a Copa do Mundo de 2014, inclusive negando credenciamento para os órgãos de imprensa que o criticam sem tréguas.

A Polícia Federal promete investiga-lo por lavagem de dinheiro. O dirigente também é acusado de receber suborno para apoiar a indicação da África do Sul. Cercado por todos os lados, Ricardo Teixeira finalmente renunciou. O homem que se proclamava o mais poderoso dirigente do futebol mundial não resistiu a tantos escândalos e saiu de cena.

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