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Musa da natação, Gabriella Silva se aposenta do esporte aos 24 anos

São Paulo (SP)

Dona da melhor posição de uma brasileira em mundiais na história, Gabriella Silva anunciou que se aposentou da natação. Com apenas 24 anos, a nadadora se mostrou emocionada ao lembrar dos feitos de sua carreira e culpou as lesões pela aposentadoria precoce.

Sem pompa, o anúncio oficial foi feito pelo perfil da atleta na rede social Facebook nesta quinta-feira. Desde as primeiras braçadas no esporte, a musa da natação agradeceu a Deus pelas conquistas ao longo dos anos, destacando as marcas inéditas alcançadas por uma brasileira dentro das piscinas.

A ascensão de Gabriella começou nos Jogos Pan-americanos de 2007. Diante da torcida brasileira, a nadadora ficou com a medalha de bronze nos 100m borboleta. Um ano depois, nas Olimpíadas de Pequim, ficou na sétima posição na mesma prova com o tempo de 58s10 e na décima colocação do revezamento 4x100 medley. No Mundial de 2009, disputado em Roma, a brasileira mais uma vez quebrou recordes no País ao chegar na quinta colocação nos 100m borboleta.

Confira, na íntegra, o anúncio da aposentadoria de Gabirella Silva:

Não é fácil dizer adeus àquilo que se ama. Muito do que eu tenho na minha vida devo à natação. Foi nadando que eu passei os momentos mais felizes dela. Comecei muito nova, aos 3 anos e, aos 6, já competia e já amava esse esporte. Nunca tive dúvida do que iria ser ‘quando crescer’, nunca tive dúvidas quanto ao meu sonho de ir para as Olimpíadas.

Reprodução
Além das conquistas no esporte, nadadora Gabriella Silva chamou atenção pela beleza
Graças a Deus consegui realizar a maior parte desses sonhos. Nadar é mais do que um esporte, uma filosofia ou um modo de vida, nadar sempre foi essencial, vital. Nunca vou esquecer da minha primeira seleção carioca, minha primeira brasileira, minha primeira vitória em um campeonato nacional adulto aos apenas 16 anos.

Nunca vou esquecer do Pan do Rio, do pódio, das lágrimas, da conquista. Jamais esquecerei o dia que fiz o índice olímpico. Minha família toda lá, torcendo, chorando, vibrando, sentindo, sonhando junto comigo. As 3 vezes que caí na água em Pequim para nadar os 100 borboleta são memórias que eu vou levar pra sempre.

A eliminatória, a semifinal e a final, cada uma com sua importância, cada uma significou um passo mais perto do meu grande sonho, uma medalha olímpica. No ano seguinte veio o campeonato mundial, onde, por oito centésimos eu não consegui a medalha de bronze. Aquilo doeu, mas me deu mais força pra continuar lutando.

Eu fui a primeira mulher brasileira a nadar abaixo do 1?00, dos 59s, dos 58s e dos 57s e sou a nadadora brasileira melhor colocada em campeonatos mundiais na história da natação. Disso tudo eu tenho muito orgulho.

Infelizmente minha carreira sempre foi marcada por um outro lado, não tão bonito, mas que teve seu valor na minha formação como atleta e pessoa; minhas lesões. Não é fácil entender o que o nosso corpo está nos dizendo, mas há alguns anos eu tenho ouvido ele reclamar e tenho escolhido não escutá-lo.

AFP
Gabriella Silva fez história na natação e no esporte brasileiro com marcas expressivas em Mundiais, Pan e Olimpíadas
Agora ele começou a gritar, mesmo que eu quisesse já não dá mais pra fingir. Eu não sei bem quem sou sem natação, mas sei o que quero fazer, para onde quero ir. Eu quero ir. Com a cabeça erguida, com novos sonhos, novas metas, novos aprendizados. Começo uma nova etapa na minha vida, onde, confesso, morro de medo! Mas é um medo bom, é uma vontade de encarar o novo. Porque se tem uma coisa que eu sou é corajosa.

Saio da natação com muito orgulho de toda a minha carreira. Nunca usei de meios proibidos para conseguir nada, nunca passei ninguém pra trás, nunca humilhei um adversário, sempre que pude ajudei e compartilhei minha experiência com outros atletas mesmo que eles nadassem contra mim. Sempre dei meu máximo e abri mão de muitas coisas pra ter tido uma carreira bem sucedida, e tudo valeu a pena.

Toda saudade, toda dor, todos treinos, fisioterapias, musculações, poucas férias, nenhuma sexta a noite, nenhum feriado, toda disciplina, cada salada, cada centavo gasto em suplementação, maiôs, supermaiôs, tudo valeu. Mas a gente tem que saber a hora de parar, antes que a vida pare pra gente.

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