Basquete/NBB - ( - Atualizado )

Com Tyrone em quadra, Verdão tenta evitar novo rebaixamento no NBB

Bruno Ceccon São Paulo (SP)

Enquanto Tirone vive seus últimos dias como presidente do Palmeiras de forma melancólica, Tyrone tenta evitar um novo rebaixamento para o clube comandado por seu quase xará, desta vez no Novo Basquete Brasil (NBB). Um dos três norte-americanos no elenco formado pelo Verdão para disputar o principal campeonato de basquete do País, o ala-pivô Tyrone Dell Curnell fugiu à regra e escolheu estampar o primeiro nome em sua camisa de jogo.

“Quando viram meu nome na camiseta, os outros jogadores disseram que era igual ao do presidente do Palmeiras. Eu pensei: isso é uma coisa boa, preciso conhecê-lo. Fico honrado pela coincidência”, declarou o jogador de 2,03m, poupado pelo técnico Arturo Alvarez nos últimos treinamentos em função de uma lesão muscular na coxa.

Vice-campeão da Super Copa Brasil-2012, o Palmeiras se classificou para o NBB de forma inédita e, até o momento, vive uma situação preocupante. Em dez partidas, o Verdão acumula oito derrotas e duas vitórias, o que perfaz um aproveitamento de 20%, superior somente aos de Suzano/Cesumar/Campestre e Tijuca/Rio de Janeiro entre os 18 clubes que participam do torneio. Os dois últimos colocados ao final do campeonato disputam um quadrangular com os finalistas da Super Copa Brasil e os vencedores jogam a elite do basquete nacional na próxima temporada.

“Não tenho dúvidas de que somos capazes de reagir no NBB. Formamos um time novo e estamos começando a treinar todos juntos agora. É difícil ter um bom rendimento logo no começo. Você precisa trabalhar muito para construir um time. Quando atingirmos o ponto ideal, vamos formar uma equipe boa e mostrar a todos que sabemos jogar. Por enquanto, ainda estamos nos conhecendo, mas vamos ficar bem, não teremos problemas”, apostou o norte-americano.

Satisfeito por defender o clube que revelou Leandrinho, hoje no Boston Celtics, Tyrone chegou a se inscrever no draft da NBA em 2010, mas não foi selecionado e iniciou uma carreira internacional. Antes de defender o Palmeiras, o ala-pivô nascido em Nova York e criado na Flórida, admirador do astro LeBron James, passou por clubes de Kwait, Israel e Portugal. Em São Paulo, ele vive junto aos compatriotas Antwaine Wiggins e Caleb Franklin Brown, seus companheiros no Verdão, em um apartamento do clube em frente ao Palestra Itália.

“Antes de acertar com o Palmeiras, tudo que sabia era que se tratava de um clube muito forte no futebol, um dos maiores do Brasil, com 16 milhões de torcedores. O futebol não teve um ano muito bom, mas o clube está construindo uma nova arena e gostei do que vi até agora. É um dos melhores lugares em que já estive na minha carreira. Todos são legais, amigáveis e me fazem sentir em casa. Estou adorando o Palmeiras e o Brasil. Não saio muito, gosto de ficar em casa conectado à Internet e às vezes vou ao cinema", contou.

A reação que o Palmeiras precisa para evitar um novo rebaixamento passa pelo ala-pivô de 2,03m e 24 anos. Nas quatro partidas que disputou no torneio, o camisa 88 estabeleceu uma média de 13,8 pontos – a segunda melhor da equipe -, e cinco rebotes. Ex-assistente do Real Madrid e técnico da seleção paraguaia, o espanhol Arturo Alvarez, responsável pela indicação do norte-americano, trabalhou com ele em Portugal e acredita na repetição do sucesso de nomes como Shamell (Pinheiros/SKY) e Larry Taylor (Paschoalotto/Bauru) no Brasil.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Eleito em 2011, Arnaldo Tirone comemorou o título da Copa do Brasil-2012, mas desistiu da reeleição após a queda
“É um dos jogadores mais importantes do time. Mesmo com alguns problemas físicos que sofreu, ele alcançou boas médias para um recém-chegado a um torneio tão duro como o NBB. Com apenas 24 anos, já tem uma boa experiência no basquete internacional. Acho que a torcida vai gostar muito desse atleta”, disse Alvarez. “Vamos deixar que ele seja apenas Tyrone”, completou o treinador, sorrindo, ao falar sobre a coincidência de nomes com o atual presidente.

Como a primeira fase do NBB é disputada em dois turnos, o Palmeiras tem 24 partidas para tentar se recuperar. Ainda assim, o técnico espanhol admite o receio com a situação da equipe e já faz contas para garantir a permanência no campeonato. No futebol, o time então comandado por Luiz Felipe Scolari, recém-campeão da Copa do Brasil, demorou a perceber o perigo iminente e acabou degolado.

“Nos times de camisa, há um sentimento, um coração. O Palmeiras é uma entidade muito grande, para o bem e para o mal. Se não estivesse preocupado, não seria um bom treinador. Mas não me sinto pressionado. Pressão sentem os operários que trabalham 20 horas por dia para sustentar suas famílias. Nosso primeiro objetivo é alcançar um mínimo de oito vitórias, o que garantiria nossa permanência no NBB por mais um ano”, declarou o comandante, que tem contrato com o clube até o final do torneio.

Foto: Acervo/Gazeta Press
MAIOR ARTILHEIRO DO FUTEBOL FOI CAMPEÃO NO BASQUETE

Autor de 327 gols com a camisa do Palestra Itália entre 1916 e 1931, Heitor Marcelino Domingues é o maior artilheiro da história do clube. Um dos primeiros ídolos da torcida alviverde, ele se aventurou de forma bem-sucedida por outras modalidades, a exemplo do basquete, algo comum nos tempos do amadorismo.

“Naquela época, os atletas viviam a instituição de uma forma mais ampla e eram multiesportistas. Com o Heitor, não foi diferente. Há registros dele também nas equipes de vôlei e tênis de mesa”, disse o jornalista Fernando Galuppo, historiador oficial do Palmeiras e autor do livro "Alma Palestrina", sobre o artilheiro.

Campeão paulista com o futebol em 1920, 1926 e 1927, Heitor faturou o Estadual de 1928 com a equipe de basquete. Em 1934, o time de bola ao cesto alviverde chegou a representar a Seleção no Campeonato Sul-americano. Responsável por lançar Oscar e Leandrinho, o clube conquistou 12 Paulistas e um Brasileiro na modalidade.

No treinamento acompanhado pela Gazeta Esportiva.net, o primeiro após a derrota diante do Basquete Cearense, realizado na tarde da última terça-feira, Arturo Alvarez reeprendeu seus pupilos ao vê-los executar as atividades propostas de forma mecânica. “Não é possível jogar basquete sem falar!”, esbravejou o treinador, de braços abertos no meio da quadra, em português e em inglês. Timidamente, os atletas começaram a se comunicar durante os exercícios.

Com passagem pelo poderoso Real Madrid, outro time tradicional no futebol que mantém uma equipe de basquete, Alvarez rejeita qualquer tipo de comparação com o fracasso dos boleiros palmeirenses. Por outro lado, o espanhol revela o desejo de trocar experiências com o técnico Gilson Kleina, contratado para suceder Felipão na tentativa infrutífera de salvar a equipe do rebaixamento a 13 rodadas do final do Campeonato Brasileiro.

“Nós somos novos no NBB e ninguém disse que seria fácil. Se o futebol não conseguiu evitar o rebaixamento, temos que tentar mais ainda permanecer na melhor categoria do basquete brasileiro. Estou conversando com os diretores para encontrar o Gilson e compartilhar os métodos de trabalho. Podemos aprender com os melhores profissionais de todos os esportes. Que ninguém tenha nenhuma dúvida de que estamos trabalhando 24 horas por dia para permanecer na elite”, disse o espanhol.

Segundo Ronaldo Faria, mais conhecido como Dinho, diretor de basquete do Palmeiras, a gestão encabeçada por Arnaldo Tirone, apontado como principal culpado pelo fiasco no futebol, apoiou sua modalidade de forma adequada. Otimista, ele ainda acredita na possibilidade de terminar a primeira fase do NBB entre os 12 primeiros colocados para disputar uma vaga na próxima fase – atualmente, o último classificado seria o Vila Velha, com uma campanha de quatro vitórias e sete derrotas (36,4%).

“Nosso planejamento inicial foi ficar entre os 12 melhores. Dentro dessa meta traçada, acho que estamos apenas uma derrota atrás do que imaginamos. Do 10º ao 18º colocado há muitos times iguais e nosso grupo ainda tem bastante a evoluir. O campeonato é duro, estamos jogando pela primeira vez e precisamos encaixar muita coisa. Temos a confiança de conseguir buscar essa vaga no playoff. Vai ser complicado, mas ainda estamos confiantes”, afirmou Dinho.

TAYLOR E SHAMELL SÃO CORINTIANOS


A estratégia de investir em jogadores norte-americanos não é novidade entre os clubes brasileiros. Shamell Jermaine Stallworth, ala-armador do Pinheiros, e Larry James Taylor Junior, armador do Bauru, são dois exemplos de jogadores dos Estados Unidos bem-sucedidos no NBB. Coincidentemente, ambos torcem pelo Corinthians no futebol.

“Não os conheço, apenas ouvi falar coisas boas deles. Sei que são grandes jogadores e já estão há alguns anos no Brasil, o que é positivo. Mas eu gosto de ser independente, de aprender e entender as coisas por minha conta. Não costumo interagir muito”, afirmou o palmeirense Tyrone Dell Curnell.

Há cerca de nove anos no Brasil, Shamell é casado com uma brasileira e tem filhos nascidos no País, mas ainda não conseguiu se naturalizar. Já Taylor, que chegou há aproximadamente quatro anos, teve sua naturalização sugerida pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e disputou os Jogos Olímpicos de Londres-2012 pela Seleção.

Bem adaptados ao Brasil, os dois norte-americanos falam com orgulho sobre o carinho pelo Corinthians. Fã do atacante Emerson Sheik, Shamell chegou a acompanhar alguns jogos da conquista da Copa Libertadores no Pacaembu. Já Taylor foi atraído pelo Timão na época de Ronaldo Fenômeno.

Uma das principais apostas do Palmeiras para espantar o fantasma do rebaixamento no NBB, Tyrone ainda não acompanhou uma partida do Verdão das arquibancadas. “Eu adoro futebol e fui a alguns jogos na época em que jogava em Portugal. Quero ver uma exibição do Palmeiras”, avisou.

 

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