O último ato de Arnaldo Tirone foi falho. Por falta de uma auditoria externa, as contas do último mês da antiga gestão não puderam ser avaliadas pelo Conselho Deliberativo e, assim, Paulo Nobre não sabe exatamente o tamanho da dívida que passa a administrar até dezembro do ano que vem. Mas está ciente de que conter gastos é uma necessidade.
“Com certeza absoluta vai ser um biênio de recesso. Não é segredo para ninguém que o Palmeiras tem problemas financeiros”, falou o presidente, sem condições de estimar o rombo financeiro. “Tenho noção, sei que não é pequeno, mas só vou saber mesmo o tamanho do buraco a partir desta semana, quando tomar pé dos números.”
Os cálculos da dívida palmeirense variam de R$ 160 milhões a quase R$ 300 milhões, já que muitos incluem os adiantamentos feitos por Tirone nesta conta. É incontestável, porém, que o ex-presidente não só deixou de cumprir sua promessa de conter gastos, mas aumentou as dificuldades financeiras a ponto de ter que aceitar em dezembro que o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) tivesse poder de vetar qualquer contratação até ele deixar o cargo.
O novo presidente, porém, promete encontrar meios para investir. “O carro chefe da Sociedade Esportiva Palmeiras é o futebol, e ele não pode, em hipótese alguma, ser relegado a segundo plano. Nosso maior patrimônio é a torcida, e precisamos mantê-la ao nosso lado respeitando-a e montando um time competitivo, que honre a camisa.”
A mesma garantia é dada aos sócios. “Vou avaliar muito bem os custos a serem cortados, mas o associado não pode pagar o pato por más administrações que passaram por aqui. O associado não pode ter o seu lazer tolhido”, assegurou o presidente, que tem como primeira novidade separar a administração e o orçamento do clube social e do futebol.
