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Ceni faz 40 anos e atinge idade 'tabu' no futebol em alto nível

Tossiro Neto São Paulo (SP)

As boas defesas na vitória de domingo sobre o Mirassol foram as últimas de Rogério Ceni aos 39 anos. Nesta terça-feira, véspera do retorno do São Paulo à Libertadores, o qual colaborou na decisão de renovar contrato por uma temporada, o goleiro-artilheiro fura a barreira dos 40 e, apesar das dores pela idade incomum no futebol, continua atuando em alto nível com as mãos e os pés.

A personalidade competitiva ajuda a entender sua longevidade nos gramados. Atleta desde pequeno – jogou tênis e voleibol antes de se encantar pelo futebol –, ele é exemplo de aplicação na equipe. Participa dos rachões na linha e treina mais do que a maioria não somente por precisar de tempo maior de recuperação, mas também para aprimorar as cobranças de falta e pênalti, uma das virtudes que o diferenciaram em sua posição. Ao todo, são 107 gols em 1051 partidas com a camisa tricolor.

"Ele tem desempenhado suas funções sem nenhum questionamento a sua competência, apesar dessa idade, que é um tabu no futebol", elogia o vice-presidente João Paulo de Jesus Lopes.

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Camisa 1 pode fazer sua última temporada pela equipe que defende deste 7 de setembro de 1990

Dida e Marcos, dos quais foi colega na conquista da Copa do Mundo de 2002, aposentaram-se antes dos 40 anos. O primeiro parou na metade de 2011, porém mais tarde reconsiderou a decisão e hoje está no Grêmio, aos 39. Já o ex-palmeirense largou mão em dezembro por não suportar mais conviver com lesões, situação que Ceni enfrentou menos – lesões graves, o são-paulino teve duas na carreira.

A primeira, em abril de 2009. Durante trabalho no CT, ele fraturou o tornozelo esquerdo, passou por cirurgia e voltou depois de pouco mais de quatro meses. Na pré-temporada de 2012, acusou incômodo no ombro direito, que precisou ser operado em razão de lesão ligamentar e no labrum (tecido fibocartilaginoso que dá mais estabilidade à articulação) e o impediu de atuar até julho. Por conta disso, cogitou encerrar a carreira ao fim do contrato, mas, à medida que o time foi crescendo no segundo semestre, mudou de ideia.

"Eu acho que sua boa forma física, por ser um excelente profissional, o ajudou a tomar essa decisão, além da oportunidade de jogar mais uma Libertadores", opina seu reserva, Denis.

Campeão da competição em 1993, na reserva de Zetti, e em 2005, como titular, Ceni não a disputa desde 2010, ano em que foi eliminado pelo Internacional na semifinal. Nesta quarta-feira, ele dá início a sua talvez uma participação – em jogo de ida da fase preliminar, contra o Bolívar, no Morumbi –, já que é grande a possibilidade de se retirar no fim do ano. Como um mito.

"O Rogério é um dos maiores ídolos que o São Paulo tem em sua história. Por várias razões. Pelo empenho que tem, pelo amor à camisa e pelo amor à vitória. É um atleta completamente fora do padrão profissional do momento. É difícil algum jogador ficar mais do que dois ou três anos no clube. O Rogério está conosco há décadas (chegou ao clube em setembro de 1990). Isso mostra o compromisso com a instituição", destaca Jesus Lopes.

Para o preparador de goleiros Haroldo Lamounier, a opção por seguir além dos 40 anos caberá somente a Ceni. "Ele sabe os limites dele. Quando dá, dá. Quando não dá, não adianta forçar. Teve duas lesões graves na carreira. Foi através delas que ele viu realmente que é um ser humano e está sujeito a isso. Mas ele que tem que ver o que tem mente, se já se deu por satisfeito pelas conquistas. Isso só ele e o dia a dia é que vão poder dizer", salienta.

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