A Federação Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) promete reservar aos atletas que competem com idades adulteradas, os populares ‘gatos’, o mesmo tratamento dispensado aos competidores que usam substâncias irregulares para melhorar a performance.
“Esse é um problema que afeta todos os esportes com competições por idade e a IAAF o trata com extrema seriedade. As declarações do presidente Lamine Diack estão bem documentadas e ele deixou muito claro que a entidade lida com esse problema com a mesma seriedade do doping”, diz nota enviada pelo Departamento de Comunicação da IAAF à Gazeta Esportiva.net.
A entidade lembrou que o exame de idade óssea, já usado pela Fifa entre atletas de futebol, é questionável. Assim, a IAAF mantém o controle através da documentação e exige de todos os competidores um passaporte válido para participar de suas torneios.
“Na grande maioria das vezes, a informação procede. Quando há qualquer irregularidade, os casos são investigados detalhadamente através da Confederação Nacional do atleta. Em alguns deles, a IAAF também já conduziu sua própria investigação por meio das autoridades dos territórios em questão”, diz a nota.
Os gatos não são exclusividade da África, mas alguns fatores fazem com que sejam mais frequentes no continente. A distância das localidades dos órgãos de registro, nas nações em que eles existem, os custos envolvidos em obter um documento e a simples falta de costume são as principais causas do surgimento de gatos.
“Muitas vezes, usamos peso e altura para estimar esse dado, mas é um parâmetro com acurácia ruim, especialmente em contextos de desnutrição. É comum encontrar pessoas sem qualquer tipo de documentação, especialmente na região rural e nos países mais pobres. Os dados de natalidade e mortalidade desses países são apenas estimativas”, disse Couto.
Em muitos casos, os indivíduos tiram seus primeiros documentos de identidade apenas quando são exigidos a fazê-lo, como por exemplo para participar de uma competição esportiva no exterior, o que causa enganos com a verdadeira data e abre espaço para a falsificação deliberada.
A IAAF classifica o problema como “muito complexo” e relata que, em alguns casos, não existe má-fé, já que há países sem o costume de registrar nascimentos e mortes. Ainda assim, promete retificar resultados caso seja necessário e, se a falsificação for intencional, punir o responsável, nem sempre os próprios competidores. “Às vezes, os atletas nem sabem das adulterações feitas em seus nomes”, diz a nota do Departamento de Comunicação.
