A receita foi a mesma que fez a equipe ser considerada melhor do mundo nas últimas temporadas: troca de passes curtos na entrada da área e domínio absoluto de posse de bola. Mas a magia dos tempos de Guardiola não deu as caras em Camp Nou e faltou inspiração ao Barcelona para derrotar o Real Madrid. Pelo segundo jogo das semifinais da Copa do Rei, diante de seu maior rival, deu Cristiano Ronaldo: 3 a 1, com dois marcados pelo astro português e o outro pelo oportunista zagueiro Varane, candidato a novo ídolo de El Clasico.
O jovem francês já havia sido protagonista do jogo de ida ao marcar o gol que determinou o empate por 1 a 1 em Santiago Bernabéu e deixar tudo aberto para o confronto desta quarta-feira. Com o preciosismo de Ronaldo, que marcou em todos os últimos seis clássicos em Barcelona, o Real superou a crise que vive no Campeonato Espanhol e aumentou a instabilidade dos culé, que já haviam perdido até para o Milan, nas oitavas de final da Liga dos Campeões, e agora caem também da Copa do Rei.
Com gols do português aos 12 do primeiro tempo, em cobrança de pênalti, aos 10 do segundo tempo, aproveitando ampla superioridade madrilenha, e Varane, aos 19, abusando da desatenção e das falhas defensivas do Barcelona, o Real se credencia à decisão da Copa do Rei, já que levou gol só de Jordi Alba, aos 43 da etapa complementar. O adversário será conhecido nesta quarta-feira, quando o Sevilla recebe o Atlético de Madri e tenta reverter uma desvantagem de 2 a 1 na outra chave.
Apesar disso, os primeiros minutos de bola rolando foram de pressão catalã, com o time apoiado pela força de sua torcida. Em ritmo eletrizante, Pedro tentou pelo menos duas vezes abrir o placar e aproveitar todo o ambiente favorável. Pela direita, fintou Coentrão sem dificuldades e tocou no meio da área para Messi abrir e chutar rente à trave do goleiro do Real Madrid. Na outra oportunidade, pela esquerda, parou na boa marcação de Arbeloa.
Depois de pelo menos dez minutos de futebol amarrado e com os ataques ocorrendo apenas pelos lados do campo, Cristiano Ronaldo recebeu à direita da grande área e pedalou para cima de Piqué, que acabou cometendo pênalti. Na cobrança precisa, à esquerda de Pinto, o Real Madrid abriu o placar fora de casa, assim como no primeiro jogo, quando o visitante levou o primeiro gol da partida.
Depois de tomar pressão nos minutos iniciais e abrir o placar de pênalti, o Real Madrid passou a marcar forte, mas sem ter se recuado. Com raras, mas existentes saídas de bola, o time administrava a vantagem que o Barça só ameaçou uma vez: aos 36 minutos do primeiro tempo, em cobrança de falta, Messi bateu rasteiro, assustando o goleiro Diego López e animando o torcedor. Diante de uma defesa impenetrável, reclamações foram a saída.
Antes da partida, o técnico Jordi Roura criticou a escalação do árbitro Undiano Mallenco, com quem o Barcelona tinha “dificuldades em jogar” por conta de sua permissividade. Nos lances finais do primeiro tempo, toda essa impaciência ficou evidente em um lance não marcado de pênalti em Pedro Rodríguez e também em um mau posicionamento do árbitro enquanto Messi tentava invadir a área pela esquerda.
Depois de um primeiro tempo sem inspiração, o Barcelona pecou ainda mais na etapa complementar, e desta vez não teve jeito, o Real aproveitou. Inspirado e frio, Cristiano Ronaldo aumentou a vantagem aos dez minutos do segundo tempo, após lançamento longo de Khedira, domínio e drible curto de Di Maria para cima de um lento Puyol e batida firme, no canto de Pinto.
Amplamente superior mesmo antes de começar a marcar atrás da linha da bola e ver o Barcelona falhar outras tantas vezes na partida, o Real Madrid fechou o caixão aos 19 minutos da etapa complementar, quando Varane recebeu cruzamento na área e viu a defesa adversária pregada no chão antes de subir e cabecear certeiro. Aos 43 minutos do segundo tempo, ainda houve tempo para Jordi Alba animar o Barcelona após bela jogada de Iniesta, mas foi insuficiente em busca da reação.
