Futebol/Seleção Brasileira - ( - Atualizado )

Wesley se inspira em Marcos e quer pagar dívida com Felipão até 2014

William Correia São Paulo (SP)

Em 26 de fevereiro de 2012, o Palmeiras lançou um projeto de marketing convidando os torcedores a ajudarem na contratação de Wesley, mas arrecadou só R$ 832.600 dos R$ 21.377.300 que pediu e precisou buscar investidores para pagar o Werder Bremen. Um ano depois, o volante que não convenceu palmeirenses a gastarem para trazê-lo usa como exemplo Marcos, um dos maiores ídolos da história do clube, para compensar o esforço de Luiz Felipe Scolari em repatriá-lo da Alemanha.

Bastante à vontade para falar de qualquer assunto, Wesley conversou por cerca de 20 minutos com exclusividade à Gazeta Esportiva.net, e destacou principalmente o sentimento de gratidão com o técnico da Seleção Brasileira. Por ter operado o joelho direito após seu terceiro jogo pelo Verdão, ele mal pôde retribuir, mas promete pagar o que considera ser uma dívida se for convocado até a Copa do Mundo de 2014.

Neste sonho, se Barcos preferiu ir para o Grêmio de olho em uma vaga na seleção argentina, o volante pediu a seu empresário que nem falasse com outros clubes. Sua meta é repetir Marcos, goleiro chamado para a Seleção Brasileira mesmo em meio à disputa da Série B do Brasileiro de 2003.

Postura que pode ser comparada à de um líder. Wesley se mostra reticente em assumir a nova posição, mas aceita atuar como meia mesmo preferindo ser volante, abre mão de seu estilo calado para falar muito em campo e aceita todas as críticas que tem sofrido da torcida. A mesma que pouco contribuiu para sua contratação, mas para quem agora reforça: “Eu estou aqui. E feliz.”

Gazeta Esportiva.net: Há um ano, era lançado o projeto de marketing no qual a torcida era convidada a pagar pela sua contratação. Hoje, como você enxerga aquela tentativa que não deu certo?
Wesley: Tentaram inovar. Tudo é válido, na vida você tem que procurar arriscar. Não aconteceu e até acharam que eu poderia me sentir desvalorizado. De maneira alguma. É uma situação difícil, com muitas pessoas envolvidas em busca do mesmo interesse. Tentaram inovar e enfim... Não deu certo, mas paciência. Deu certo de outra forma e hoje estou feliz por estar aqui.

GE.net: O que você pode falar do Felipão, que solicitou sua contratação e hoje está na Seleção Brasileira?
Wesley: Sem palavras. O professor é um cara que já demonstrou, é campeão mundial, sabe os atalhos do futebol. Ele que pediu minha contratação e é uma pena que não pude corresponder. Nas três partidas em que joguei, ainda estava pegando ritmo de jogo por ter voltado da Europa. Mas o futuro a Deus pertence. Tenho uma dívida com ele e tenho certeza de que em breve vou pagar.

GE.net: Até 2014?
Wesley: Espero que sim. Primeiro, para pagar essa dívida, tenho que apresentar um futebol de alto nível no Palmeiras. Sei das minhas condições e vou tranquilo, devagar. Claro que é um sonho, e vou trabalhar muito para que possa se tornar realidade.

GE.net: Conversou com o Felipão desde que ele saiu?
Wesley: Não.

GE.net: Sua relação era próxima com ele?
Wesley: De trabalho, né? Do dia a dia, tendo um bom convívio com ele como com o grupo de jogadores.

GE.net: Você fala em ser convocado. O futebol que você mostrou no Santos em 2010 e o levou à Seleção Brasileira vai voltar?
Wesley: Estou muito tranquilo, evoluindo a cada jogo. Estou conseguindo fazer o que sempre fiz. Passei por um momento complicado, mas hoje, graças a Deus, estou conseguindo suprir isso. Estou mais confiante e com mais força para corresponder. Futebol é repetição e o professor Gilson Kleina está fazendo isso comigo. Logo vou estar a ponto de bala para dar alegria aos torcedores e quem sabe chegar à Seleção.

GE.net: Jogar a Série B não atrapalha para jogar na Seleção?
Wesley: Ninguém melhor do que o Marcos para falar e servir de opção real, foi um fato que aconteceu. Não tem problema nenhum. Se é essa situação que tenho que encarar, por que não? Vamos deixar acontecer.

GE.net: Você acha que o Barcos não percebeu isso?
Wesley: Cada um tem uma cabeça e um modo de pensar. Algumas pessoas também acabam influenciando. Mas cada um é cada um, cada um toma as suas decisões. Eu estou aqui.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Volante prometeu ficar mesmo se o time caísse e pediu ao seu empresário que não ouvisse ofertas após o rebaixamento
GE.net: No ano passado, antes mesmo de o time ser rebaixado, você disse que ficaria no clube independentemente de estar na Série A ou na Série B do Brasileiro...
Wesley: Já podemos esquecer o ano passado. Foi um ano complicado, aconteceram muitas coisas. O time na ocasião conquistou a Copa do Brasil e depois acabou caindo para a Série B. Mas é coisa do futebol, já é passado, estamos vivendo um novo momento agora, um momento de transição com vários jogadores sendo envolvidos e os que estão chegando com muita vontade de ajudar quem está aqui. Tomara que possamos formar uma família boa para termos grandes conquistas.

GE.net: No fim do ano passado, você pedia um elenco grande e qualificado. O time foi preparado dentro das suas expectativas?
Wesley: O espírito está em primeiro plano. Tendo essa mudança, já é de grande importância. O trabalho e a confiança que a comissão técnica e os jogadores estão passando são fundamentais para termos sucesso neste ano. A maratona não vai ser nada fácil para nós.

GE.net: Você passou quase o ano passado inteiro não podendo jogar. Sua evolução para esta temporada está como que você quer?
Wesley: Jogar futebol é o que amo fazer desde moleque, sempre foi o meu objetivo e hoje consegui chegar a esta situação. Estou com muita vontade, muita raça. Tive uma lesão muito complicada no ano passado, não foi nada fácil, mas sempre procurei levar da melhor maneira possível porque com desespero não se chega a lugar algum. Em 2012 aconteceram muitas coisas fora de campo também, mas não me deixei abalar em nenhum momento. Quando cheguei, joguei pouco, apenas três partidas até acontecer a minha contusão, mas é uma situação que já passou, vida nova. Nunca fui um cara de ter lesão, nunca tive esse problema. A vitória já foi dada.

GE.net: Você recebeu propostas para sair depois do rebaixamento?
Wesley: Sim, mas pedi para meu procurador nem ouvir nada. Eu me cobro bastante e não deixo me levar por qualquer situação. Não que estou devendo ao clube, em nenhum momento isso passou pela minha cabeça. O que aconteceu no ano passado não foi porque eu quis. Devo para mim mesmo. E me cobro muito para retribuir.

GE.net: Você acha que precisa vingar no Palmeiras antes de sair?
Wesley: Não preciso mais ficar provando nada para ninguém. Já consegui algumas coisas em relação a jogo, a títulos e ao que o futebol já me proporcionou. Só preciso de tranquilidade para administrar tudo da melhor maneira possível. E está sendo de grande importância, muito válido. Estou muito feliz.

Ricardo Saibun/Divulgação/Santos FC

Wesley diz que Peixe de 2010 era uma família
WESLEY AVISA AMIGOS DO SANTOS DE 2010: “O COURO COME”

O auge de Wesley ocorreu no primeiro semestre de 2010, quando se destacou ao lado de Neymar, Ganso, Robinho, Arouca e André no Santos campeão paulista e da Copa do Brasil. Um elenco marcado por bom futebol e brincadeiras que, até hoje, se fala mesmo em clubes diferentes.

“Somos amigos, isso é inevitável. No futebol, a amizade é muito grande. Na época formamos uma família e é claro que ainda conversamos”, disse o volante, ressaltando, porém, que atualmente o assunto não tem nada a ver com futebol.

“Só nos falamos de coisas de fora de campo. Dentro de campo, o couro come”, avisou o meio-campista, que ainda não pôde enfrentar o Peixe, clube que o revelou, por conta de contusão.

Mas não só com ex-santistas que o jogador mantém amizades. Em um ano e meio no Werder Bremen, Wesley também sorri ao se lembrar de colegas. “A amizade maior que tive foi com o Naldo, zagueiro que agora está no Wolfsburg. E outros amigos da Alemanha, da Áustria, com quem eu falava um pouco de português e alemão...”, lembrou.

GE.net: Que experiência você pode trazer por já ter disputado a Libertadores de 2008 pelo Santos?
Wesley: A Libertadores é um campeonato no qual todos querem ter uma linha de acesso para disputar. Essa oportunidade está acontecendo nas nossas vidas e na minha vida mais uma vez. O limite é o céu. Estamos trabalhando a cada dia, a comissão técnica está passando confiança para nós e procuramos corresponder da melhor maneira para conseguir resultados. Este ano de 2013 é de grande importância porque não temos que priorizar nada, mas procurar viver um dia de cada vez e ganhar jogo a jogo. Só assim vamos conseguir nossos objetivos.

GE.net: Você tem 25 anos, mas já acumula experiências no futebol. Pode se posicionar como um líder do elenco?
Wesley: Sou muito tranquilo em relação a isso. Não gosto muito de ficar falando, resolver negócio de bicho e essas coisas. Mas dentro de campo não só eu, os meninos jogando e quem está de fora também têm grande importância dando palpites para ajudar. Não que eu não me considere líder, mas todos têm o direito de falar.

GE.net: Pergunto por que dentro de campo você tem falado bastante...
Wesley: No futebol, se não conversarmos... Muitas coisas não acontecem pela falta de comunicação dentro de campo. Eu me movimento bastante e canso também, procuro falar pouco, mas no momento em que nos encontramos temos que sempre procurar conversar, uma cobrança normal do futebol para acertar. Se colocarem uma câmera em cada um, verão que todos estão falando para ajudar.

GE.net: Esse fato de todos falarem já gerou a sua discussão com o Souza no empate com o Corinthians. Ele reclamou muito em campo por você não ter tocado a bola.
Wesley: (Abre um largo sorriso) Está sendo uma nova função para mim, estou jogando como um meia, recebendo a bola de costas, tendo que ir para o ataque. Não fiz de sacanagem, já conversamos sobre isso, foi porque não ergui a cabeça mesmo. Ainda falei: se fosse o Valdivia, eu teria visto. Mas foi uma situação em que eu já tinha definido o lance, não ergui a cabeça. Nos próximos jogos vou procurar entregar a bola.

GE.net: Quando ele reclamou, você lembrou que deu as assistências para os dois gols e também o passe para o gol anulado do Patrick Vieira?
Wesley: Das coisas boas o pessoal esquece. Mas está tranquilo.

GE.net: Você sempre deixou claro que não está jogando em sua posição favorita.
Wesley: Gosto de jogar mais como segundo volante, da forma pela qual tive mais sucesso e consegui chegar à Seleção Brasileira. Mas quero ajudar da melhor maneira e corresponder onde o professor me colocar.

GE.net: Antes mesmo de poder escalá-lo, no ano passado, o Gilson Kleina já falava de você. Como é a sua relação com ele?
Wesley: O professor já é um cara rodado, experiente no meio do futebol, sabe lidar com as situações. Com ele não tem essa de nome ou o que já fez no futebol, trata todos da mesma forma, e é isso que tem sido de grande importância. No momento em que estamos passando não tem que ter um ou outro, tem que estar todos juntos, e ele está sabendo fazer isso muito bem. Está nos auxiliando na aplicação tática para correspondermos da melhor maneira.

GE.net: O que você trouxe de positivo da sua passagem pela Alemanha?
Wesley: Tudo é válido nessa nossa vida. Temos que tirar tudo como lição. Em relação ao futebol, aprendi demais, ainda mais na aplicação tática. Eles estão na nossa frente nisso. Mas o futebol brasileiro, por seu improviso, sempre está na frente, tanto é que em títulos mundiais ainda nos encontramos na frente.

GE.net: Sobre aplicação tática, dá a impressão de que você não corre tanto como no Santos.
Wesley: Isso depende muito da função em que o treinador me usa. Não corro menos do que na época do Santos. Se forem ver os testes que fazemos com o GPS, sou o primeiro, estou puxando a fila. Lógico que vou aprendendo ainda mais os atalhos do campo e é claro que tenho muito a aprender ainda, mas  procuro aproveitar o pouquinho que a vida já me deu.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Jogador chegou há um ano como aposta de projeto que não deu certo e abandonou trancinhas por conta do calor
GE.net: Em um ano de Palmeiras, o que você pode apontar de bom e ruim?
Wesley: O clube passa por um momento novo. Pude estar no elenco que ganhou a Copa do Brasil e agora está sendo uma experiência nova, um momento de transição no qual todos estão brigando pelo mesmo objetivo porque todos aqui têm família, pessoas que sempre procuram estar do nosso lado e de quem lembramos em momentos difíceis. É de grande importância vivermos este momento para termos grandes conquistas.

GE.net: Como é sua relação com a torcida?
Wesley: Muito tranquila. As cobranças são normais. A torcida do Palmeiras tem que cobrar mesmo por ser grande e sempre ter ganhado títulos, com um passado maravilhoso. Temos sempre que procurar corresponder. Supertranquilo.

GE.net: Você não passou por nenhum susto com torcedores?
Wesley: Não, tudo tranquilo. Seria de grande importância se eles apoiassem, como está acontecendo. Se me xingarem, estão no direito, temos que procurar absorver as críticas da melhor maneira. A cobrança é um tipo de situação normal, senão não estaríamos aqui para jogar futebol. A pressão é válida desde que até um ponto. Quando está lá na torcida, podem fazer o que quiserem. Fora de campo, envolvendo família ou alguma coisa do tipo, aí já não... Mas do jeito que está, supertranquilo. Temos que procurar corresponder e dar alegria a eles.

GE.net: Para este ano, dá para conquistar mais um título?
Wesley: No Palmeiras, temos que viver um dia de cada vez, jogo a jogo. A maratona neste ano vai ser complicada, vai ser punk como alguns falam. Mas se Deus quiser vamos estar preparados para ganhar jogo a jogo e quem sabe conseguir títulos.

Publicidade

Publicidade


Publicidade

Publicidade


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade