O Tribunal de Disciplina da Conmebol definirá até o próximo dia 12 de fevereiro o resultado do julgamento do São Paulo pelos incidentes que marcaram a final da Copa Sul-americana contra o Tigre, no Morumbi. Antes, portanto, da estreia da equipe na fase de grupos da Libertadores, contra o Atlético-MG, em Belo Horizonte. Para isso, os membros do recém-criado órgão esperam por uma versão em espanhol da defesa, prometida pelo clube.
Como o caso envolve um time brasileiro, Caio César Rocha, presidente do Tribunal, não participará do julgamento, a ser dirigido pelo vice, o uruguaio Adrián Leiza. O chileno Carlos Tapia Aravena, o colombiano Orlando Morales e boliviano Alberto Lozada completam o grupo responsável por determinar a pena são-paulina – multa ou perda de mandos de campo.
Antigamente, os problemas de indisciplina dos torneios da Conmebol eram julgados pelo Comitê Executivo da entidade e não costumavam ser punidos com severidade. A partir de dezembro, no entanto, por sugestão da Fifa, o órgão criou um tribunal para cuidar deste tipo de assunto, e o primeiro caso importante é justamente o que envolve São Paulo e Tigre.
Depois de um empate sem gols na Argentina, o segundo e decisivo jogo da Sul-americana foi disputado no dia 12 de dezembro do ano passado, no Morumbi. Em 45 minutos marcados pela rispidez em campo, o time da casa abriu 2 a 0 e, após uma confusão no intervalo, os argentinos decidiram não retornar dos vestiários, o que motivou o árbitro chileno Enrique Osses a encerrar a partida e decretar o São Paulo campeão.
A princípio, o clube brasileiro enviou o material de sua defesa em português, um dos idiomas oficiais aceitos pelo Tribunal. No entanto, como o integrante brasileiro do grupo não participará do julgamento, o departamento jurídico se ofereceu para mandar uma versão em espanhol, de acordo com o uruguaio Adrián Leiza, vice-presidente do órgão encarregado da decisão.
Criado em dezembro, o Tribunal da Conmebol elaborou um novo regulamento disciplinar. Contudo, o caso do São Paulo será julgado com base nas normas vigentes na época dos incidentes. O código atual, diz Adrián Leiza, é significativamente mais rigoroso do que o anterior, o que pode ser benéfico para os brasileiros.
“Já julgamos o caso de um assistente técnico de um time que insultou um árbitro na Libertadores. Ele tomou a pena mínima de quatro jogos de suspensão mais uma multa de US$ 4 mil por simplesmente xingar o juiz, já que agora em todo tipo de sanção está prevista uma multa econômica como pena acessória. Sem dúvida, o código anterior era muito mais benevolente”, explicou.
Caso seja impedido de mandar um determinado número de jogos no Morumbi, a tendência é que o São Paulo não precise levar a partida para uma cidade vizinha, podendo apenas escolher outro estádio na capital paulista. Como o Tribunal vive transição para um novo código disciplinar, não está claro se o clube poderá recorrer de uma eventual punição.
