Tênis/Aberto do Brasil - ( - Atualizado )

Com apoio de psicóloga, Bellucci tenta repetir Guga contra espanhóis

Bruno Ceccon São Paulo (SP)

A iniciativa de levar sua psicóloga para o confronto com os Estados Unidos na Copa Davis é uma amostra da importância que Thomaz Bellucci atribui ao trabalho desenvolvido ao lado de Carla Di Pierro. Com o apoio da profissional, que promete marcar presença em todos os seus jogos no Aberto do Brasil, o tenista tentará repetir Gustavo Kuerten, único anfitrião a triunfar, e quebrar o domínio estabelecido pelos espanhóis no torneio disputado no Ginásio do Ibirapuera. Ele estreia por volta das 19 horas (de Brasília) desta terça-feira, contra o compatriota Guilherme Clezar.

Em queda no ranking mundial e com sua vaga nas Olimpíadas de Londres-2012 ameaçada, Bellucci resolveu investir nos serviços da psicóloga na metade do ano passado. Em três semanas ao lado de Carla na Europa, ele venceu o Challenger de Braunschweig, fez semifinal em Stuttgart e quebrou um jejum de dois anos com o título em Gstaad. Assim, saltou do 80º para o 40º posto da lista da ATP.

“Não sei se foi coincidência ou não, mas desde que ela começou a trabalhar comigo tive aqueles três resultados muito bons. A Carla me auxilia e direciona em muitas coisas, tanto dentro como fora da quadra. Muitas vezes, sinto emoções fora da quadra com as quais preciso lidar para render 100% quando entrar na quadra. É um trabalho muito pessoal”, explicou Bellucci à Gazeta Esportva.net.

Comparado frequentemente com os carismáticos Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni, o introvertido canhoto nascido em Tietê-SP ainda não conta com a empatia de parte do público brasileiro. Especialista em psicologia do esporte, Carla trabalha há 11 anos com competidores de modalidades como judô, caratê, atletismo e triatlo. Após acompanhar o tenista número 1 do Brasil durante a pré-temporada, realizada na Costa do Sauípe e em Buenos Aires, ela percebe alguns ganhos, apesar do período curto de trabalho.

“A gente precisa de tempo para notar as mudanças mais concretas, mas eu vejo uma evolução do Thomaz no sentido de habilidade social, na hora de se comunicar, seja comigo, com a comissão técnica e com as pessoas de maneira geral. Na verdade, acho que as pessoas conhecem pouco o Thomaz porque ele se mostra muito pouco. Com isso, fica mais difícil o público sentir uma afinidade maior com ele”, explicou a psicóloga, que mantém contato através de mensagems e por Skype quando o tenista está no exterior.

Uma simples brincadeira, como dançar ao lado de um mascote no Federer Tour-2012, encarada com desenvoltura até mesmo pelo astro nascido na Suíça, foi uma dificuldade para Bellucci. Sem jeito, o brasileiro aceitou ensaiar alguns passos apenas diante da insistência do garoto fantasiado de funcionário dos Correios, seu patrocinador pessoal. Além de treinar saques e subidas à rede, o tenista de 25 anos deve exercitar o lado social, diz Carla Di Pierro.

“Ele ainda precisa desenvolver a habilidade de conseguir se sentir à vontade, de se mostrar um pouco mais, de falar um pouco mais o que sente”, afirmou. O trabalho no aspecto mental, garante a profissional, também serve para proporcionar maior estabilidade dentro da quadra e evitar momentos de pane durante os jogos, problema que costuma acometer Bellucci.

Fernando Dantas/Gazeta Press
A psicóloga Carla Di Pierro acompanha Thomaz Bellucci desde o ano passado e pede para o tenista se mostrar mais
“Qualquer mudança ou aprimoramento que consigamos no comportamento do Thomaz fora de quadra será transferido para dentro, e vice-versa. Com certeza, um dos objetivos é que ele ganhe habilidades, se sinta bem para estar dentro de quadra e superar qualquer momento difícil. Queremos identificar os sentimentos e emoções para perceber o que cada uma deles promove”, disse.

O trabalho desenvolvido por Carla Di Pierro com Thomaz Bellucci é visto com bons olhos pelo treinador argentino Daniel Orsanic, ex-jogador profissional. Na medida em que conhece o tenista e suas reações dentro da quadra melhor do que a psicóloga, a palavra do técnico é fundamental. Desta forma, ambos mantêm uma troca constante de informações e tomam algumas decisões em conjunto.

“A Carla é uma peça importante na equipe que o Thomaz armou para acompanhá-lo. Ele ter começado a trabalhar com uma psicóloga é algo muito positivo, porque ela possui ferramentas que um treinador ou um preparador físico não possuem. Então, consegue ajudá-lo em outros aspectos que são tão relevantes quanto a parte técnica”, declarou o argentino.

Divulgação
VITÓRIA PSICOLÓGICA NA DAVIS

A convite de Thomaz Belucci, Carla Di Pierro integrou a equipe brasileira no confronto com os Estados Unidos, pela Copa Davis. A vitória em 5 sets sobre John Isner após a derrota por 3 a 0 diante de Sam Querrey foi antecedida por uma consulta com a psicóloga.

“A gente teve uma conversa importante”, contou Carla, que não deixa de atribuir a mudança de postura do tenista a outros fatores. “A vitória fantástica nas duplas contaminou o Thomaz. Ele pensou: ‘quero dar uma virada’. E conseguiu”, afirmou.

A chance de observar o comportamento do jovem em meio à equipe também foi importante, explicou a psicóloga. “É uma situação diferente estar com mais jogadores e uma outra comissão técnica. Então, pude ver como o Thomaz funciona ali”, disse.

Os trabalhos desenvolvidos por Daniel Orsanic e Carla Di Pierro serão colocados à prova nesta semana, uma vez que Thomaz Bellucci, cabeça de chave número 5, é a principal esperança para romper a hegemonia espanhola no Aberto do Brasil. Segundo a dupla, o tenista vive um momento psicológico favorável, principalmente pela recente vitória sobre o norte-americano John Isner, na Copa Davis.

“O Thomaz está muito motivado. Jogar em casa é sempre bom, com o apoio da família e dos amigos. Ele vem de uma partida que o deixou super fortalecido. Está bem feliz e empolgado para começar esse torneio”, explicou Carla, garantindo que atuar como número 1 do Brasil não será um fardo. “Isso não é algo que o incomode. As expectativas são boas e podemos esperar bons jogos”, apostou.

De 12 edições do Aberto do Brasil, os tenistas espanhóis venceram seis, inclusive as últimas cinco, e têm mais quatro vice-campeonatos. Nas temporadas de 2005 e 2008, o país simplesmente monopolizou as decisões. Desde 2005, por sinal, há pelo menos um representante da nação na final. Nove espanhóis entraram na chave principal em 2013, entre eles Rafael Nadal, contra apenas quatro brasileiros.

Gustavo Kuerten, campeão em 2002 e 2004, é o único anfitrião a conquistar o título. Fernando Meligeni, derrotado pelo tcheco Jan Vacek em 2001, e Thomaz Bellucci, vítima do espanhol Tommy Robredo em 2009, foram vices. Recordista do torneio com três triunfos, o também espanhol Nicolas Almagro, cabeça de chave número 2, luta pelo inédito tetra em São Paulo.

ESPANHÓIS DOMINAM ATP BRASILEIRO EM SIMPLES
AnoCampeãoVice
2001Jan Vacek (TCH)Fernando Meligeni (BRA)
2002Gustavo Kuerten (BRA)Guillermo Coria (ARG)
2003Sjeng Schalken (HOL)Rainer Schüttler (ALE)
2004      Gustavo Kuerten (BRA)Agustín Calleri (ARG)
2005Rafael Nadal (ESP)Alberto Martin (ESP)
2006       Nicolas Massu (CHI)Alberto Martin (ESP)
2007       Guillermo Cañas (ARG)Juan Carlos Ferrero (ESP)
2008       Nicolas Almagro (ESP)Carlos Moya (ESP)
2009       Tommy Robredo (ESP)Thomaz Bellucci (BRA)
2010       Juan Carlos Ferrero (ESP)Lukasz Kubot (POL)
2011        Nicolas Almagro (ESP)Alexandr Dolgopolov (UCR)
2012        Nicolas Almagro (ESP)Filippo Volandre (ITA)

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