Futebol/Entrevista - ( )

Após quase ter perna amputada, amigo de Valdivia agradece ao Verdão

William Correia São Paulo (SP)

O trabalho especial feito por Valdivia para se tratar de lesões no Palmeiras acabou fazendo o clube despertar esperança em um jogador que viveu sério drama recentemente. Mark González, um dos destaques do Chile na Copa do Mundo de 2010, quase teve sua perna direita amputada em novembro. E acabou voltando a sorrir em passagem pela equipe do Mago para trabalhar com o mesmo preparador físico do camisa 10.

Em um dos três dias que passou no Verdão, Mark atendeu à Gazeta Esportiva.net com exclusividade logo após uma das suas sessões de tratamento. Mostrou extrema tranquilidade para falar do pior momento de sua vida: em 8 de novembro, uma pancada que recebeu na coxa direita durante um treino do CSKA quase o fez ter a perna cortada ou até morrer por trombose.

O meia foi operado no mesmo dia e passou a tratar de uma síndrome compartimental, já que sua circulação sanguínea tinha sido afetada. Menos de dois meses depois, o presidente do clube russo, Yevgeny Giner, lhe sugeriu publicamente a aposentadoria aos 28 anos.

O comentário irritou Mark González, tido como um dos principais nomes da seleção chilena no próximo Mundial. E acabou servindo de motivação ao jogador, que hoje, se mostra mais feliz ao falar do Palmeiras. A pouco mais de um ano do fim do seu contrato com o time de Moscou.

AFP
Destaque do Chile na última Copa do Mundo, Mark González levou pancada que quase lhe custou a vida no CSKA
Gazeta Esportiva.net: Você tem problema na circulação sanguínea?
Mark González: Isso é algo que quero esclarecer. Não tem nada a ver com o sangue, não tenho nenhum tipo de complicação com o sangue. A lesão foi um golpe forte que recebi no músculo e se produziu uma síndrome compartimental. Começou a inflamar o músculo da perna de tal forma que quase a perdi, mas não houve nenhuma complicação sanguínea. É uma lesão complicada, mas depois que fiz a cirurgia de urgência já sai de todo perigo. Estou fazendo a reabilitação adequada.

GE.net: Como foi essa sensação de quase ter sua perna amputada?
Mark González: Estive a uma ou duas horas de que me cortassem a perna, porque a inflamação era tão grande que a perna começou a perder sensibilidade. Corri risco de amputação e de morrer de trombose, porque a circulação poderia ser cortada. Graças a Deus, não ocorreu. Cheguei a tempo, fizeram a cirurgia e todo esse perigo já passou. Depois da cirurgia, não tem mais nada. Estou contente de estar na última etapa, de poder voltar a jogar. Falaram muito de mim e quero voltar a jogar para calar bocas.

GE.net: O presidente do CSKA, Yevgeny Giner, disse que você deveria se aposentar depois desse problema...
Mark González: Foi um tema delicado a que nunca me referi e não vou fazê-lo agora. Minha melhor forma de fazer as coisas como realmente são e de desmentir é jogando. Estou fazendo praticamente tudo. Minha última etapa consiste em trabalhar no mesmo ritmo dos outros jogadores.

GE.net: O que você fez para lidar com o drama e as dúvidas sobre sua volta?
Mark González: Aposentaram-me do futebol. À base de muito esforço e sacrifício que ninguém imagina, a vontade de querer voltar me levou a superar essa situação. Não era nada fácil. Em alguns momentos, pensei que talvez não poderia voltar a jogar futebol. Além da parte física, o mental também foi muito importante. Superei a fase mais difícil da minha vida e hoje em dia posso agradecer ao meu preparador e a Deus por me dar mais uma oportunidade.

AFP
Após presidente do CSKA dizer que ele deveria se aposentar, meia quer jogar para "calar bocas"
GE.net: O Marcelo Oliveira, hoje no Palmeiras, também correu o risco de ter sua perna amputada por conta de uma infecção hospitalar contraída em uma cirurgia no joelho esquerdo...
Mark González: São situações complicadas. Você nunca vai conseguir expressar como se sente numa situação assim. É como perguntar o que se sente depois de fazer um gol. São coisas inexplicáveis e são momentos difíceis. Não sei a situação dele, mas posso contar o que vivi. Em momentos como esse, dá vontade de abandonar tudo. Mas passam os dias e é quando você tem que ser mentalmente forte. Lesões assim são mais mentais do que físicas, e, quando você está mentalmente positivo, pode superar qualquer coisa. Eu me alegro muito por ele. Imagino que tenha passado por momentos muito difíceis.

GE.Net: Você terá condições de jogar a Copa do Mundo?
Mark González: Esperamos que sim. Agora estou na última etapa de recuperação e nos primeiros dias de abril já vou me incorporar ao CSKA para voltar aos treinamentos. E ainda falta muito, falta todo o segundo turno das Eliminatórias. Temos um time jovem com muita qualidade, confiamos muito na nossa capacidade e que podemos nos classificar ao Mundial.

GE.Net: Você tem conversado com o técnico Jorge Sampaoli?
Mark González: Conversamos bastante. Mais da recuperação do que de assuntos futebolísticos. Ele esteve muito presente na minha recuperação e isso me motiva bastante como jogador. Não vou jogar nas Eliminatórias por uma coisa lógica, mas me incorporo com a seleção e depois volto à Rússia no final do mês.

GE.net: Por que decidiu fazer o tratamento no Palmeiras?
Mark González: Venho seguindo o meu recuperador, o José Amador. Ele veio para poder ajudar na recuperação do Jorge e, como estou liberado no meu clube, decidi seguir o José aqui no Brasil para continuar meu processo e não interrompê-lo. Tenho uma boa relação com o Jorge e surgiu a possibilidade de vir aqui fazer a recuperação. Ele falou aqui no clube e fico muito agradecido do presidente ao roupeiro, que nos trataram muito bem.

GE.net: Você já conhecia o Palmeiras?
Mark González: Não tive a sorte de conhecer antes, mas o fato de estar aqui no clube e ter sido recebido pelo presidente, que nos presenteou com camisa com nossos nomes (Mark e José Amador ganharam os uniformes de presente). São coisas que não se vê todos os dias em qualquer clube. Além de oferecer o CT, todos fizeram eu me sentir em casa. Fui tratado com muito carinho, do roupeiro ao presidente, coisa que também não se vê muito hoje em dia. Isso você agradece eternamente, é algo impagável.

AFP
Valdivia e Mark González fortaleceram a amizade disputando juntos a última Copa do Mundo
GE.net: Deu vontade de jogar no Palmeiras?
Mark González: Nunca fecho portas a ninguém. Adoraria voltar a jogar na América do Sul um dia, e por que não no Brasil? É um mercado muito bom mundialmente. Quem sabe no Palmeiras algum dia? Não se sabe o que pode acontecer.

GE.net: O Valdivia fala bem do clube para você?
Mark González: Sim, claro. E eu também vou falar bem porque estou vivendo na própria pele. Vejo a forma de trabalhar, a interação, o corpo médico, vejo tudo o que implica na equipe. É surpreendente, não tem nada a invejar de time europeu.

GE.net: Quando acaba seu contrato com o CSKA?
Mark González: Fico livre do CSKA em um ano. Na época da Copa do Mundo, a princípio, estarei livre. Ninguém sabe o que vai acontecer no futuro, mas nunca fecho portas. Isso, eu garanto.

Publicidade

Publicidade


Publicidade

Publicidade


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade