Futebol/Campeonato Paulista Série A2 - ( )

Agora técnico, capitão de 2004 quer ‘puxar orelhas’ no Santo André

Gabriel Carneiro, especial para a GE.Net Santo André (SP)

Contratado às pressas após a derrota diante do Comercial, Dedimar Souza Lima reestreou pelo Santo André nesta quarta-feira, com derrota por 3 a 2 diante do Juventus, que até então era lanterna da Série A2 do Campeonato Paulista. Aos 37 anos, o capitão do título da Copa do Brasil de 2004 começou sua nova passagem pelo Bruno José Daniel criticado por conta do distanciamento da zona de classificação, mas mantendo a esperança para descontar as frustrações na própria competição que venceu há nove anos e também na Série D do Brasileirão. Como técnico.

Antes de comandar a equipe na beira do gramado, nesta quarta, Dedimar ainda não havia tido tempo de orientar os jogadores em um único treinamento. Com 20 pontos somados, o Ramalhão está mais próximo da zona de rebaixamento do que da zona de classificação para a próxima fase, praticamente com os sonhos sepultados. Diante das broncas do presidente Celso Luiz de Almeida, que garantiu estar “de saco cheio” da postura da equipe, o comedido ex-zagueiro receita tranquilidade, mas garante que utilizará como método de correção de erros o tradicional puxão de orelhas.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Dedimar fez história como jogador do Santo André e havia sido especulado para voltar como técnico, em janeiro
“Ainda tem Copa do Brasil e Série D, além dessa sequência na A2 que precisamos levar com seriedade para tentar tirar algo do elenco. Sou o terceiro comandante em 2013, e isso é ruim para um time de futebol, porque fica sem identidade. Estou pegando um grupo em andamento, então a conversa vai ser de orientação. Preciso orientar, posicionar, conscientizar, puxar a orelha, tudo isso é necessário, então temos que saber conduzir pra não nos perder. Não posso fazer nada além disso”, resigna-se Dedimar, em sua primeira experiência como treinador logo na equipe em que é ídolo.

Natural da cidade de Irecê, na Bahia, o zagueiro, além de quatro passagens diferentes pelo Ramalhão, vestiu as camisas de clubes como Palmeiras, Juventude, Atlético-MG, Coritiba e Verdy Tokyo, do Japão. Isso sem contar a participação no Mundial Sub-20 de 1995 vestindo a camisa da Seleção Brasileira: “Foi uma surpresa ser chamado para ser técnico do Santo André no ano seguinte da minha aposentadoria. Eu não esperava que fosse tão rápido. Era uma situação que eu almejava, claro, mas recebi o convite com orgulho e tranquilidade”.

Ainda durante as últimas exibições como atleta profissional, Dedimar foi aluno de um curso de treinadores e conversou com outros profissionais do ramo, como Sérgio Soares, Wagner Lopes e Vágner Mancini, em busca de aconselhamentos. Nove anos depois de liderar a equipe em uma vitória histórica no Maracanã e um título ainda mais simbólico com a camisa do Santo André, o ídolo já trabalha para conhecer o atual grupo de jogadores, espantar a desconfiança e recolocar o nome do clube do ABC Paulista novamente entre os grandes.

Divulgação/Site Oficial
Terceiro à esquerda, de verde, Dedimar estreou com derrota no comando do renovado Santo André
“A vivência como técnico é outra. Estive tranquilo o tempo todo na partida contra o Juventus, mas ainda soou como se eu quisesse estar dentro de campo. Porém, eu sei que é uma função que exige muita responsabilidade e estou começando a sentir isso. O bom de tudo é que tem sido no Santo André. Queria permanecer até o meio do ano focado só na família, mas por medida de emergência deixei de lado e aceitei a proposta. O inicio não é muito legal, mas a gente aprende”, sintetiza Dedimar, focado em ser melhor que Itamar Schulle, Ademir Fonseca e Arnaldo Lira para escrever sua própria história.

Sem citar Dedimar, presidente protesta – Logo após a derrota diante do Juventus, o presidente Celso Luiz de Almeida criticou a equipe do Santo André, absolvendo apenas o técnico estreante: “Vou falar o que para vocês? Não tem o que falar. Lamento. Mais um jogo que perdemos em casa. Time que perde 14 pontos em casa não dá para chegar mesmo. Estou de saco cheio, mas não posso perder a cabeça, senão estou morto. Temos que terminar dignamente esse campeonato”.

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