As palavras do presidente Paulo Nobre e do diretor executivo José Carlos Brunoro são as poucas esperanças do Palmeiras para evitar perder uma série de jogadores nos próximos dias. O clube deve dois meses de direito de imagem (que representa grande parte dos salários da maioria) e, se completar o terceiro mês de débito, qualquer profissional pode apelar à Justiça e sair de graça.
O assunto foi divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo e incomoda, já que o problema atinge quase todos os atletas e também membros da comissão técnica, como Gilson Kleina. Recentemente, os jogadores elegeram representantes para conversar com a diretoria e ouviram a promessa de que o primeiro grande valor a entrar nos cofres será destinado aos salários atrasados, o que deve ocorrer até o fim de abril.
Por enquanto, o discurso desperta confiança. Em conversas informais, Gilson Kleina se mostra tão tranquilo de que receberá o que o clube deve que faz até piada com a situação. Com menos humor, mas sem aparentar desespero com o caso, os principais nomes do elenco também dizem acreditar principalmente no esforço dos dirigentes.
Nobre e Brunoro, contudo, sabem que suas palavras não bastarão por muito tempo. Ambos têm o temor de perder jogadores de graça em meio à crise financeira, tanto que esse foi um dos principais motivos da negociação de Barcos com o Grêmio, pois faltava pouco tempo para o argentino ter direito a apelar à Justiça para deixar o Palmeiras.
Para aumentar a pressão, está também a turbulenta relação com as torcidas organizadas. Embora os jogadores tentem negar, a tentativa de agressão da Mancha Alviverde a Valdivia até atirando xícaras em um aeroporto assustou. E Fernando Prass, único atleta que se machucou na confusão, saiu do Vasco na Justiça em dezembro exatamente por atraso de salários.
