Futebol/Campeonato Paulista - ( )

Desobediência de jogador contribuiu com última queda de Ney Franco

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Fazia tempo que Ney Franco não enfrentava uma turbulência como a em que está metido no momento no São Paulo, com mostras de insatisfação dentro do elenco e risco de desclassificação precoce na Libertadores. O técnico não é demitido desde 2009, quando dirigia o Botafogo. Naquele ano, os problemas se limitavam a resultados ruins, mas a desobediência isolada de um jogador teve peso importante em sua queda.

O time carioca jogava em casa contra o Atlético-PR em busca de sua apenas quinta vitória em 17 rodadas no Brasileiro. No segundo tempo, com o placar ainda em branco, um pênalti a favor foi comemorado em vão. O cobrador oficial definido por Ney Franco era Lucio Flavio, mas André Lima o desobedeceu, pediu a bola e desperdiçou a chance. Na sequência, os paranaenses venceriam por 1 a 0.

Era a sexta derrota na competição, a segunda consecutiva, e o pedido de desculpas de André Lima, ainda no vestiário, não evitou que a diretoria confirmasse a demissão do treinador no dia seguinte, mesmo depois de repetidos discursos de que estavam “fechados”. Expressão coincidentemente muito utilizada no irregular São Paulo de agora.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Na vitória de domingo, treinador deixou Ganso o tempo todo no banco de reservas do Morumbi
A pressão na equipe paulista é até pior do que a que lhe custou o emprego no Botafogo. Apesar de ter findado jejum de quatro anos do clube, conquistando a Sul-americana de 2012, e de liderar o Campeonato Paulista, a campanha na Libertadores é fraca: quatro pontos de 12 disputados. Para piorar, Paulo Henrique Ganso e Lúcio, duas das principais estrelas do grupo, já demonstraram descontentamento por terem sido substituídos.

No domingo, a paciência de Ney Franco se esgotou. "Não aceito mais nenhum tipo de reação. Se acontecer de novo, será da parte de algum jogador que está rebelado dentro do grupo. Não vou tolerar esse tipo de reclamação. Os jogadores já entenderam. Se fizerem, não jogarão mais enquanto eu estiver no São Paulo", ameaçou.

Edson Silva e Thiago Carleto, jogadores escalados pelo clube para falar na segunda-feira, não são líderes do elenco nem estavam envolvidos nos atos de rebeldia. O primeiro, porém, opinou com a propriedade de quem conhece o comandante desde o Botafogo – entre a última demissão e a chegada ao São Paulo, Ney Franco treinou o Coritiba e as equipes de base da Seleção.

"Ele sempre foi desse jeito que estão vendo. Certo é certo, e errado é errado. Vai ser sempre desse jeito. Ele tem as decisões dele. Não só ele, como qualquer treinador, tem que impor suas decisões. A decisão que ele tomar está bem tomada", avisou o obediente zagueiro, autor de um dos gols da vaiada vitória de domingo.

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