O São Paulo recuperou a liderança do Campeonato Paulista de forma turbulenta. Em meio a protestos de torcedores, para quem a “Libertadores virou obrigação”, a equipe comandada por Ney Franco sofreu para vencer o Oeste por 3 a 2 na tarde deste domingo, em um Morumbi bastante esvaziado. O meia Paulo Henrique Ganso, para revolta de boa parte do público, viu tudo do banco de reservas.
Com o resultado, ao menos o São Paulo foi a 26 pontos ganhos no Estadual, de volta à primeira colocação. O objetivo será conquistar um resultado positivo de forma mais convincente na próxima rodada, na quarta-feira, quando o time de Ganso e Ney Franco visitará o São Bernardo. No mesmo dia, o Oeste, com seus 14 pontos, receberá o Bragantino.
Já para a Copa Libertadores da América, o São Paulo terá um pouco mais de tempo de preparação. O jogo contra o The Strongest será apenas em 4 de abril, na altitude boliviana. O centroavante Luis Fabiano – que marcou o terceiro gol da vitória sobre o Oeste e não comemorou – será o reforço na ocasião. Os zagueiros Edson Silva e Rafael Toloi completaram o placar neste fim de semana.
O São Paulo que Ney mandou a campo contra o Oeste também parecia sereno, apesar da irritação de parte do pequeno público que foi ao Morumbi. Se estivesse ouvindo bem depois de não ter visto a manifestação das faixas, o técnico perceberia que a torcida fazia um coro persistente: “Não é mole, não! Libertadores virou obrigação!”. No Campeonato Paulista, no entanto, o momento é bom para a equipe.
Dessa forma, as apostas de Ney Franco para o princípio da partida estadual funcionaram. O São Paulo investiu do lado direito do campo, onde estavam os novos titulares Rodrigo Caio e Wallyson – logo no primeiro minuto, o atacante teve grande chance de abrir o placar, mas parou em defesa do goleiro Jaílson. Pela esquerda, o jovem Ademilson também passou a aparecer como boa alternativa para desafogar o jogo, em um Morumbi já sem chuva.
Aos 17 minutos, quando Jaílson começava a se transformar em herói para o Oeste, o São Paulo conseguiu abrir o placar. Ademilson bateu cruzado e rasteiro da esquerda. A bola encontrou Edson Silva livre de marcação na segunda trave. O zagueiro só teve o trabalho de concluir para a rede, esperar o assistente correr para o centro do campo (para se certificar de que não havia impedimento) e erguer as mãos para o céu para comemorar e agradecer a Deus.
Aos 30 minutos, a pressão são-paulina surtiu efeito. Jadson levantou a bola na área em cobrança de falta, e Rafael Toloi desviou de cabeça para o gol. Com 2 a 0, até os mais emburrados torcedores já tinham motivo para contentamento no Morumbi. Ainda mais porque Luis Fabiano, Jadson, Ademilson e os dois zagueiros da equipe voltaram a criar boas oportunidades para ampliar o marcador em sequência.
O São Paulo só não contava com um vacilo na última jogada do Oeste no primeiro tempo. Aos 45 minutos, Ligger tirou proveito de um cruzamento de Lelê e, com liberdade, cabeceou para descontar. Era o que bastava para os atletas do time do Morumbi deixarem o gramado no intervalo com ares de preocupação – assim como o ameaçado Ney Franco. Do outro lado, a equipe de Itápolis parecia ter ganhado forças para surpreender na etapa complementar.
As alterações de Ney Franco não deram muito resultado, e a sua equipe passou a errar passes e a chamar o Oeste para o campo de ataque. Acreditando no empate, o técnico Roberto Cavalo substituiu Lelê por Gilmar. O São Paulo, então, finalmente reagiu. Aos 24 minutos, Luis Fabiano invadiu a área e bateu cruzado para marcar o seu gol. O centroavante, no entanto, seguiu apático: não vibrou depois de balançar a rede.
Dois minutos depois do terceiro gol, Ney Franco provocou nova reação dos torcedores. Trocou Jadson por Cañete e deixou revoltados aqueles são-paulinos que queriam ver Ganso em ação neste fim de semana. Para aumentar a ira dos inconformados, o Oeste chegou ao seu segundo gol no Morumbi. Rogério Ceni errou na reposição de bola, e Serginho avançou com velocidade pela esquerda. No cruzamento, Wanderson conferiu.

