Futebol/Copa Libertadores - ( - Atualizado )

Gobbi se exalta e põe prisão de corintianos acima de morte de Kevin

Helder Júnior e Luiz Ricardo Fini São Paulo (SP)

O presidente Mário Gobbi não estava preocupado em comemorar a vitória do Corinthians sobre o São Paulo ou em debater as polêmicas do clássico deste domingo, no Morumbi. Após a partida, o mandatário se exaltou de tal forma para defender os 12 corintianos encarcerados na cidade boliviana de Oruro, onde o garoto Kevin Douglas Beltrán Espada morreu por causa do disparo de um sinalizador, que roubou a atenção da entrevista coletiva concedida pelo técnico Tite no mesmo momento.

“A nojeira é muito grande. Se eu ficasse omisso agora, teria nojo de mim mesmo e jogaria pela janela tudo aquilo que o meu pai me ensinou. Querem pagar a morte do Kevin torturando e sequestrando inocentes. Não se paga um crime cometendo outro, como se fazia na ditadura brasileira. Não consigo dormir por causa dessa brutalidade, que é maior do que a morte do Kevin”, exagerou Gobbi, aos berros, em uma defesa bastante exaltada dos torcedores presos.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Gobbi defendeu as torcidas organizadas, que marcaram presença no clássico deste domingo
O presidente prometeu se encontrar com o ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota em Brasília, na quarta-feira, mesmo dia em que o Corinthians enfrentará o colombiano Millonarios pela Copa Libertadores da América. Dessa forma, após ter oferecido uma “ajuda humanitária” (recusada) à família de Kevin Espada, agora ele age diretamente em apoio aos torcedores encarcerados – como já têm feito as organizadas corintianas, através de seguidas manifestações.

“A família do garoto tem todo o nosso respeito e a solidariedade, mas quero saber quem foi que o matou. Quer dizer que, para soltar um sinalizador, você precisa de 12 pessoas? Já houve a condenação desses brasileiros, não só corintianos, sem que houvesse provas nem processo. Agora que perceberam isso, estão com a brocha na mão”, desabafou, recorrendo a alguns de seus bordões quando alguém concordou com o seu posicionamento. “Veja se há um besouro no meu olho. Estão descobrindo que é injusto agora? Falei isso no dia seguinte à morte do menino e fui achincalhado nos meios de comunicação.”

Em seu primeiro pronunciamento sobre a tragédia, Mário Gobbi havia sido veementemente cobrado por suposta colaboração do Corinthians às excursões de suas torcidas organizadas. “As pessoas devem entender que não é por ser de organizada que alguém é automaticamente um bandido. Bandidos existem em todos os lugares, meu amigo. Sou delegado e sei que há criminosos em todas as carreiras”, disse. “E colocar o clube como responsável é algo completamente imoral, inconcebível, feito como válvula de escape para a ausência do estado de direito. Quer dizer que eu, presidente do Corinthians, sou o responsável pelas 35.000 pessoas que vão ao Pacaembu?”, argumentou.

Apesar dos gritos em defesa dos corintianos presos na Bolívia, Gobbi deixou claro que as suas críticas não se estendiam ao governo brasileiro. “Desde o primeiro dia, a Embaixada do Brasil está dando total apoio”, garantiu o dirigente, antes de refazer seus questionamentos. “Estou cobrando: quem matou Kevin? Quero saber: cadê as provas? Descubram quem matou o menino, provem e soltem os inocentes.”

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