Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

Licenciado, Laor escreve carta e fala sobre recuperação

Do correspondente Rodrigo Martins Santos (SP)

Internado desde o dia 1º de março no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, escreveu uma carta, publicada nesta sexta-feira pelo site oficial do clube praiano, falando sobre os problemas de saúde que sofreu e a sua recuperação.

Laor, que chegou a ficar na UTI (unidade de Terapia Intensiva) do hospital, agora está na unidade de tratamento semi-intensivo. Porém, como o seu quadro chegou a piorar dias depois, os médicos adiaram a alta do mandatário. Não há uma previsão para a saída do presidente santista do Albert Einstein.

Além disso, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro está licenciado da presidência alvinegra. O pedido de afastamento foi votado na última segunda, pelo Conselho Deliberativo do Santos. O mandatário teve a sua licença de 45 dias aprovada. Tecnicamente, a decisão conta a partir do 12 de março.

Confira na íntegra a carta escrita por Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro:

Luis Álvaro agradece apoio de todos no período de recuperação

Muito obrigado a todos vocês que, nestas últimas três semanas, dedicaram parte de seu tempo desejando-me uma boa recuperação. Foram muitos telefonemas, e-mails, cartas, bilhetes, manifestações nas redes sociais e recados, sempre carinhosos, independente de credos, preferências ou correntes políticas. Os santistas são a maioria, mas também recebi votos de torcedores dos outros times, o que só confirma minha convicção de que futebol serve para unir, não para separar. O esporte não pode ser uma guerra fundamentalista, em que as diferenças são celebradas com ódio. Esporte é convívio, até porque ele não existe sem adversário.

Foram dez dias na UTI e outros vinte que completo amanhã na ala semi-intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein. No dia 28 de fevereiro, internei-me para uma biópsia no pulmão. Meu quadro exigiu, no dia seguinte, a realização de um cateterismo cardíaco com desobstrução da artéria coronária, o que foi realizado com amplo sucesso pela equipe do competentíssimo cardiologista Dr. Mauricio Wajngarten, do excepcional pneumologista Hélio Romaldini e respectivas equipes.

De lá para cá, meu estado de saúde tem melhorado a cada hora que passa. Remédios, fisioterapia e descanso fazem parte do meu dia-a-dia, que não deve estar exposto a atividades e assuntos estressantes. Assim que deixar o hospital, o que deve acontecer em breve, entro em campo para a segunda fase do tratamento, que prevê algumas semanas de licença e descanso em minha casa, ainda obrigatoriamente longe da rotina do Clube. Esta tem sido a parte mais difícil.

Deus me deu a dádiva de seis filhas maravilhosas. O Santos sempre foi meu filho homem, como costumo brincar. Em 2003, aos 60 anos de idade, aceitei o convite de um grupo de amigos e fui lançado candidato à presidência do Clube pela primeira vez. Obtive honrosos 40% dos votos e perdi a eleição, o que provavelmente salvou minha vida: dois meses antes de lançar minha candidatura, eu havia passado por um infarto e quatro paradas cardíacas.

Mas uma linda visão que tive inspirou-me a refazer o caminho que meu avô, 90 anos antes, havia feito. Quando dei por mim, eu passeava por um ‘hall’ multicor, de beleza única, como se fosse o próprio céu. O sentimento era de admiração e encantamento. Uma luz forte e brilhante se aproximava enquanto eu caminhava. De repente, vem a visão de uma faixa até mim com os dizeres ‘Santos campeão’. Antes que eu a pudesse tocar, me vi novamente na cama do hospital e os médicos tentando minha reanimação. Esta experiência astral nunca deixou meu espírito.

Quis o destino que, seis anos depois, me sentisse apto novamente a disputar a presidência, sempre com a visão íntima daquele sonho. Desta vez vencedor nas eleições, obtive, nos últimos três anos, glórias que nem no mais belo dos sonhos que tive eu poderia imaginar. Ter sido campeão uma vez como presidente do Santos já teria sido uma honra estratosférica. Mas foram seis títulos dentro de campo e, fora dele, uma mudança de conceito que ajudou a revolucionar o futebol brasileiro.

Tenho orgulho de ter ajudado a construir tudo isso, mas ainda há muito mais a ser feito. Antes, porém, preciso sair do Departamento Médico – o que está próximo de acontecer - e realizar uma pré-temporada para recomeçar, firme e forte, minha missão.

Gostaria de agradecer a sua ajuda, o seu carinho, a sua preocupação. Gostaria de agradecer especialmente minhas filhas e meus familiares, exemplos de dedicação. A toda a equipe do Hospital Albert Einstein. Ao meu vice Odílio Rodrigues, que de forma tão fiel e competente tem liderado o Santos em minha ausência, ao lado dos membros do Comitê de Gestão, gerentes, conselheiros e funcionários do Clube. Aos atletas, que se solidarizaram comigo e estão sempre ligando para saber como estou.

Graças ao apoio de vocês todos, estou voltando. Muito obrigado!

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