Há pelo menos quatro meses sem disputar uma partida oficial pelo Olympiakos, da Grécia, que ainda lhe devia salários e não dificultou a rescisão de contrato, o atacante Diogo foi apresentado à Portuguesa no início da tarde desta terça-feira, com status de ídolo. Após passagens sem brilho pelo futebol europeu, além de clubes como Flamengo e Santos, o jogador de 25 anos voltou a pisar no Canindé quase cinco temporadas depois de ser negociado por R$ 24 milhões e viver dias de altos e baixos em Atenas.
A crise econômica europeia pegou a Grécia em cheio e afetou também o futebol, como atestou Diogo, um dos ‘retirantes’, assim como outros 70% dos brasileiros que viviam no país e agora retornam em busca de melhores condições de vida. Revelado nas categorias de base da Portuguesa, o atacante foi recebido na Zona Norte da capital paulista por alguns torcedores, além de todos os membros da diretoria, inclusive o presidente Manuel da Lupa, e até o ex-governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho, amigo pessoal do gerente Candinho, e que ajudou o clube a adquirir um novo ônibus, também apresentado nesta terça.
“Tive outras propostas, mas o que pesou foi a vontade de voltar e minha identificação com a Portuguesa. Não adianta ir para outro lugar sendo que você não quer”, relatou Diogo, sem condições legais de jogar a Série A2 do Campeonato Paulista, mas com estreia marcada para a Copa do Brasil e participação certa na elite do Brasileirão. O contrato, como estabelecido em acordo pelas duas partes, é válido apenas até o final de 2013, com opção de renovação. “Ainda não se sabe”, comentou.
Diogo começou a rotina de treinos no Canindé na segunda-feira e deu sequência nesta terça, com corridas ao redor do gramado. Satisfeito pela chance de retornar ao País, ele deixou de lado quatro meses de inatividade e abriu mão de mais seis meses de contrato: “Estou aqui há um mês, esperando para ver o que iria acontecer desde que entrei em acordo com o Olympiakos. Deu certo. Escolhi vir para cá para ter sequência em um lugar que me identifico. Vai demorar um pouco, mas em cerca de 10 ou 15 dias estou pronto”.
“Meus salários estavam atrasados, mas eles acabaram acertando antes de eu voltar, então não tive problemas com isso. O país vive momento de muita dificuldade, não é o mesmo de quando eu cheguei, também no nível do futebol. Se pegar até por nomes, quando cheguei estavam Recoba, Rivaldo, Cissé, vários jogadores. Hoje o campeonato não é mais o mesmo”, refletiu Diogo, analisando a situação econômica da Grécia e torcendo para dar certo na volta à Lusa, afastando também os fantasmas das más atuações e lesões de quando defendeu Santos e Flamengo.
