Futebol/Campeonato Paulista - ( )

Sob risco de demissão, Kleina ainda define azar como maior inimigo

William Correia São Paulo (SP)

Gilson Kleina tem tantas vitórias quanto derrotas (12) no Palmeiras, e a maioria dos revezes, além dos nove empates, foi justificada com azar, algo sobrenatural que atrapalha o seu trabalho. A desculpa voltou a ser usada após a derrota por 6 a 2 para o Mirassol nessa quarta-feira. Pode ter sido a última vez.

Sob forte risco de demissão, o técnico sempre ressalta todas as dificuldades que têm para armar a equipe, e na verdade passa a impressão de que não sabe lidar com os problemas que aparecem. Um exemplo é Marcos Vinicius, promovido ao profissional pelo treinador em janeiro, mas que teve sua estreia lamentada em Mirassol.

O azar da quarta-feira foi a indisposição estomacal de Mauricio Ramos pouco antes de o time entrar em campo. “As circunstâncias que estão acontecendo não são normais em uma equipe. São inúmeras lesões e ainda perco um jogador antes de entrar no jogo, além de ter que fazer estreias e improvisações.”

O discurso se repete desde setembro, quando Kleina foi contratado. Para explicar o rebaixamento que não conseguiu evitar no Campeonato Brasileiro, o técnico não cansa de citar a punição ao clube, que mandou quatro jogos fora de São Paulo, e lesões como as de Marcos Assunção e Valdivia.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Desde setembro, quando foi contratado para substituir Felipão, o técnico não economiza desculpas para se explicar
Para este ano, os primeiros argumentos foram as eleições presidenciais, em 21 de janeiro, e o veto do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) às contratações, embora o próprio Kleina tenha se colocado contrário a maior delas no fim da gestão de Arnaldo Tirone: Riquelme, prontamente descartado por Paulo Nobre.

Depois, foi a vez de lamentar as saídas de Luan e, principalmente, Barcos, já que Kleber, que antes empolgava o técnico, só gerou decepção até agora. E mais lesões: nessa quarta-feira, sete jogadores não tiveram condições de entrar em campo. Na Libertadores, ainda há o problema de quatro reforços que não foram inscritos pelo Palmeiras.

Mas um grande problema de Gilson Kleina é olhar mais o resultado do que o desempenho. Mesmo com atuações decepcionantes como a de domingo, no 0 a 0 com o Santos, muitas vezes bastou não perder para o treinador sentir que tinha achado a escalação ideal, mesmo que a formação com quatro volantes, por exemplo, tivesse a presença de nomes vetados para a Libertadores.

“Nessa situação, fizemos um grande clássico. Tirando a entrada do Marcos Vinicius, mantivemos a equipe para pegar entrosamento. Mas as coisas não se encaixaram. O primeiro gol com menos de um minuto desestabilizou, além do quarto, que foi um diferencial quando estávamos reagindo”, disse Kleina, falando da goleada em Mirassol.

Apesar das desculpas em suas entrevistas coletivas, também é comum Kleina negar que usa tantas justificativas. Como nessa quarta-feira, quando pode ter dado sua última declaração como técnico do Palmeiras. “Não temos que enumerar e dizer o que tem acontecido. Temos que entender e assumir a situação que estamos passando e trabalhar para manter a consistência.”

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