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Brasileiro do San José curte fama na Bolívia e quer visitar presos

Bruno Ceccon, Enviado Especial Oruro (Bolívia)

Dono da camisa 10 do San José e responsável pelas cobranças de bola parada, o brasileiro Marcelo Gomes está no futebol boliviano desde 2004. Com passagens por equipes como Olaria, Bonsucesso e Bragantino, o meia canhoto curte a fama em Oruro, cidade que abriga os 12 corintianos investigados pela morte de Kevin Beltrán.

“É melhor ser conhecido aqui do que ser um desconhecido no Brasil”, disse o jogador de 31 anos nascido em Miguel Pereira, no estado do Rio de Janeiro. “O custo de vida na Bolívia é baixo e, acima de tudo, eu gosto da tranquilidade. Foi o país que abriu as portas para que mostrasse o meu futebol e pelo qual tenho muito carinho”, afirmou.

Com passagem pela base do Fluminense, Marcelo conversou com a Gazeta Esportiva.net depois de um treino do San José. A poucos metros do gramado, duas lhamas pastavam tranquilamente. Do lado de dentro, um grupo de crianças batia bola e, nos campos de terra ao lado, os jovens da categoria de base treinavam em meio à poeira.

Chamado de “rapai” pelos companheiros, o rapaz do interior do Rio de Janeiro não se incomoda com a falta de glamour. Pai de duas filhas pequenas, nascidas na Bolívia, ele conheceu a esposa durante sua passagem de seis anos pelo Universitário de Sucre. Atualmente, fala português com sotaque e constrói as frases pensando em espanhol.

Bruno Ceccon/Gazeta Press
Marcelo Gomes conversou com a reportagem da Gazeta Esportiva.net depois de um treino do San José

Satisfeito, Marcelo já se acostumou a ter o sobrenome grafado como “Gomez” e quer permanecer na Bolívia após encerrar a carreira. “Aqui, tem gente que me pede fotos e autógrafos. Eu conto com o carinho das pessoas e isso é importante. Sempre passo férias no Brasil e acho que, depois de parar, vou continuar fazendo isso”, contou.

O meia chegou a ser sondado para defender a seleção boliviana em 2006 mediante processo de naturalização, mas o projeto não avançou. Com a nacionalidade brasileira mantida, ele ficou surpreso ao saber que os 12 corintianos investigados pela morte de Kevin seguem presos em Oruro e manifestou o desejo de visitar os compatriotas.

“Pensei que já estava tudo resolvido. Vamos ver o que vai acontecer”, afirmou o jogador, antes franzir a testa e pedir informações sobre o estado dos torcedores corintianos. “Parece que a coisa está feia. Gostaria de ter a chance de visitá-los na penitenciária. Vamos ver se consigo reservar um tempo para isso”, completou.

Na medida em que a morte de Kevin aconteceu diante de um time brasileiro, Marcelo conta ter ficado mais abatido com a tragédia. Com os olhos voltados para o chão, o meia ainda lamenta o falecimento do torcedor de seu clube e já pensa no jogo de volta contra o Corinthians, marcado para o dia 10 de abril, no Pacaembu.

“As pessoas vão ao estádio para desfrutar do espetáculo e o coitado do Kevin, que saiu de Cochabamba para prestigiar o time, foi vítima de uma fatalidade. Jogar no Brasil é sempre especial para mim e espero que tudo já esteja solucionado até a partida contra o Corinthians. Tomara que não haja rancor nem da torcida nem dos jogadores”, declarou.

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