Futebol - ( - Atualizado )

Em Brasília, Gobbi procura dar terceiro passo após morte de Kevin

Brasília (DF)

O presidente do Corinthians, Mário Gobbi, cumpriu nesta quarta-feira uma agenda de compromissos em Brasília. Ele encontrou com dois ministros pedindo ajuda na libertação dos 12 torcedores alvinegros presos em Oruro, na Bolívia, acusados de envolvimento na morte de Kevin Beltrán, de 14 anos.

A primeira reunião do dirigente – acompanhado do secretário geral do clube, Ronaldo Ximenes – foi com José Eduardo Cardozo. Em cerca de 15 minutos de conversa, o ministro da Justiça ouviu as solicitações do cartola, preocupado com a “situação precária” em que estão os detidos.

Na sequência, Gobbi foi ao Itamaraty. Foi a vez de o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, escutar os apelos pela solução da questão, o terceiro passo apontado pelo presidente corintiano desde a noite em que Kevin foi atingido por um sinalizador, em fevereiro.

“Primeiro, cuidados para que o clamor público não acarretasse ao clube punição exagerada e para que não fosse retirado o direito de defesa. No segundo momento, tratamos de prestar solidariedade à família do jovem Kevin, em um processo que não é simples, respeitando o luto da família, contando com o auxílio e a participação direta do consulado brasileiro. Com essas duas questões resolvidas, é hora de cuidar para que os inocentes sejam protegidos pela lei”, afirmou o dirigente.

Divulgação/Agência Corinthians
Gobbi ouviu de José Eduardo Cardozo que o Ministério da Justiça está tomando providências (foto: Rodrigo Coca)
Torcedor do San José, Kevin Beltrán morreu durante a partida de seu time contra o Corinthians, em Oruro, pela Copa Libertadores. Como os indícios indicam que o sinalizador tenha partido da torcida alvinegra, o Timão teve de atuar com os portões fechados do Pacaembu em uma rodada e segue sem carga de ingressos nos compromissos sul-americanos como visitante. A polícia boliviana, antes do fim do jogo, em 20 de fevereiro, prendeu 12 torcedores.

Um menor de 17 anos, membro da Gaviões da Fiel, assumiu em Guarulhos a autoria do disparo. A Justiça boliviana recebeu com ceticismo a confissão e se recusou até a dar liberdade condicional aos torcedores detidos na penitenciária de San Pedro.

Em uma das reuniões que teve nesta quarta, Mário Gobbi ouviu de José Eduardo Cardozo que o esforço tem sido constante. O Ministério da Justiça enviou à promotoria de Oruro uma reportagem produzida pelo programa “Fantástico”, da TV Globo, na qual peritos analisam imagens da tragédia. Também foram enviados o depoimento do menor que confessou e os antecedentes criminais dos 12 presos.

Antonio Patriota também prometeu esforço ao presidente do Corinthians. O ministro das Relações Exteriores esteve há um mês na Bolívia, onde conversou com o presidente Evo Morales e com o ministro David Choquehuanca. Segundo ele, a preocupação é que os brasileiros tenham condições dignas na penitenciária de San Pedro.

“O Brasil lamenta imensamente a perda da vida de um jovem durante um jogo de futebol, mas está muito empenhando em assegurar que os direitos dos torcedores presos na Bolívia sejam respeitados e que o tratamento mais sério possível possa ser dado”, disse Patriota, com o cuidado de “respeitar a soberania da Bolívia”.

Divulgação/Agência Corinthians
O ministro Antonio Patriota diz estar agindo com respeito à soberania da Bolívia (foto: Rodrigo Coca)
De acordo com os torcedores, visitados pela Gazeta Esportiva.net nesta semana, a situação é péssima na cadeia. Abatidos e claramente mais magros do que nas primeiras aparições desde a prisão, eles reclamam. Dizem que há presos armados com facas e consumo de drogas.

Foi pelos problemas relatados e por considerar inocentes os corintianos detidos que Mário Gobbi foi a Brasília. “Vim aqui cumprir uma missão como cidadão. Não podemos achar justa a prisão de inocentes, sejam eles quem forem. No caso, são torcedores do Corinthians. Não queremos a liberação de culpados. Pedimos o contrário”, resumiu o dirigente.

Viagem de Feliciano é aprovada
Foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara dos Deputados a viagem de seu presidente, o polêmico Marco Feliciano, à Bolívia. Não foi definida a data, mas o pastor deve visitar os corintianos presos em Oruro na próxima semana.

“Vamos lá a pedido das famílias. As famílias dizem que os nossos brasileiros não estão sendo bem tratados. Vamos analisar, vamos ouvir, vai ser um trabalho muito bem feito”, afirmou Feliciano, que espera retornar com ao menos um dos corintianos, com problema nos rins.

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