Futebol/Reportagem - ( - Atualizado )

Esquecidos, mais de 100 presos brasileiros cumprem pena na Bolívia

Bruno Ceccon, Enviado Especial Oruro (Bolívia)

Parlamentares de diferentes correntes se prontificaram a interceder pela liberdade dos 12 corintianos acusados de envolvimento na morte de Kevin Beltrán Espada. Enquanto os torcedores, ainda na condição de investigados, têm holofotes da imprensa e da opinião pública, há mais de 100 presos brasileiros atualmente detidos em território boliviano.

Um dos responsáveis pela defesa dos corintianos, o advogado Miguel Blancourt presta serviço de assessoria jurídica à Embaixada do Brasil em La Paz. A missão do profissional é visitar os presos de nacionalidade brasileira espalhados pela Bolívia – atualmente, existem de 120 a 150 detentos do País, a maioria por delitos ligados ao narcotráfico.

Detidos em Oruro desde 20 de fevereiro, dia em que Kevin Beltrán foi atingido por um sinalizador arremessado da torcida do Corinthians no duelo contra o San José, os torcedores reclamam de maus-tratos sofridos na Penitenciária de San Pedro. Há relatos de presos armados e de consumo de drogas dentro da cadeia.

De acordo com Blancourt, no entanto, o presídio de Oruro, em comparação com os outros da Bolívia, não é ruim. “Provavelmente, essa cadeia seja a menos conflitiva de todo o país e a que tem menos condições inumanas. Não me animo a dizer que é a melhor, mas sim a menos pior”, declarou.

Durante a estadia em Oruro, a Gazeta Esportiva.net interpelou Santos Tito, governador do Departamento (equivalente ao Estado), sobre os maus-tratos relatados pelos corintianos e o político prometeu providências. O diário local “La Pátria”, presente na entrevista coletiva, noticiou o tema e, como o jornal é vendido dentro da prisão, os brasileiros acabaram cobrados.

Bruno Ceccon/Gazeta Press
Miguel Blancourt, advogado ligado à Embaixada do Brasil em La Paz, costuma visitar os presos brasileiros
Conhecedor da realidade das cadeias bolivianas, Blancourt conta que o cenário descrito pelos corintianos em Oruro é comum. “Todos os detentos emagrecem até dois quilos logo na primeira semana. Existem drogas? Sim, em todos os presídios da Bolívia há drogas. Em todos, absolutamente”, declarou.

O sistema carcerário boliviano tem algumas outras aberrações. Na ala feminina de San Pedro, por exemplo, mulheres vivem com seus filhos. Em muitos casos, os próprios presos são responsáveis por questões como segurança e alocação dos detentos. Desta forma, há instituições penais em que é preciso pagar por vários serviços, como um simples lugar na cela. 

Para conseguir dinheiro, os detentos recorrem a alguns golpes, entre eles o 'sequestro' de carros. Com a colaboração de criminosos em liberdade, presos coordenam roubos de veículos e, para devolvê-los, exigem o pagamento de uma quantia em dinheiro por parte dos proprietários.

“Vou visitar presos brasileiros em diferentes prisões da Bolívia. Em comparação a outros detidos, os torcedores estão bem. A detenção talvez seja a menor das preocupações dos garotos. Eles não estariam tão intranquilos se as investigações estivessem avançando. Cada dia que eles passam presos é um desperdício. Essa tortura psicológica é o que causa mais problemas, inclusive físicos”, afirmou Blancourt.

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