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Governador de Oruro promete fiscalizar cadeia que abriga corintianos

Bruno Ceccon, enviado especial Oruro (Bolívia)

O governador do departamento de Oruro (equivalente ao estado), Santos Tito, promete tomar providências para apurar as denúncias de maus-tratos feitas pelos 12 corintianos presos na penitenciária de San Pedro. O grupo é acusado de envolvimento na morte do garoto Kevin Beltrán, atingido por um sinalizador no jogo contra o San José.

A Gazeta Esportiva.net visitou seis dos 12 detidos em Oruro na tarde de segunda-feira. Em uma conversa informal, os torcedores relataram as condições precárias em que se encontram. Um dia depois, a reportagem questionou Santos Tito durante uma entrevista coletiva, concedida em frente à sede do governo local.

“Vamos conversar com os responsáveis (pela penitenciária). Desconhecemos totalmente essas denúncias que você está transmitindo, mas não podem existir maus-tratos nas cadeias. Os direitos humanos protegem cada um dos seres que habitam o país. É necessário tomar providências sobre isso. Vou fazer as averiguações necessárias”, prometeu, diante da imprensa de seu país, que o indagava sobre política local naquele momento. Após a pergunta sobre a situação dos corintianos, toda a mídia presente demonstrou grande interesse pelo novo assunto, que deve ganhar maiores proporções nos próximos dias.

Bruno Ceccon/Gazeta Press
Governador Santos Tito afirmou desconhecer más condições da penitenciária onde estão os 12 corintianos
Os 12 torcedores do Corinthians estão presos em Oruro desde o dia 20 de fevereiro, data do jogo contra o San José. Abatidos e visivelmente mais magros do que nas primeiras aparições, eles reclamam das condições da prisão. Segundo o grupo, há presos que andam armados com facas e consomem drogas, práticas que o governador disse desconhecer.

“Os reclusos devem ser tratados com boas maneiras no nosso país e em qualquer lugar do mundo”, declarou Tito, lamentando o episódio como um todo. “Somos seres humanos e qualquer situação desse tipo nos preocupa. Seguramente, brasileiros e orureños estamos muito preocupados”, completou.

Os corintianos acusados de envolvimento na morte de Kevin também reclamam da falta de assistência médica. Rafael de Almeida, por exemplo, foi preso com o braço engessado, enquanto Danilo Silva de Oliveira já teve infecção urinária. Para receber atendimento hospitalar, segundo os brasileiros, é necessário pagar propina.

Eleito como candidato do “Movimiento al Socialismo”, partido do presidente Evo Morales, o governador de Oruro ainda disse não acreditar que a prisão dos 12 corintianos tenha conotações políticas. A medida seria uma espécie de represália ao Brasil, que ofereceu asilo ao senador Roger Pinto, da oposição.

“Não devemos tratar isso do ponto de vista político. Aqui houve um fato muito forte, que causou comoção mundial, e não pode mais acontecer. É preciso apurar o paradeiro da pessoa que realmente provocou essa morte e ela deve abrir precedentes não apenas na Bolívia, mas em nível internacional”, afirmou Santos Tito.

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