Futebol/Amistoso - ( - Atualizado )

Ignorado no minuto de silêncio, Kevin passa despercebido em amistoso

Bruno Ceccon, Enviado Especial Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)

O amistoso entre Bolívia e Brasil, disputado na tarde deste sábado em Santa Cruz, não contou com qualquer tipo de citação direta ao garoto Kevin Beltrán Espada, atingido de maneira fatal por um sinalizador no jogo entre San José e Corinthians, pela Copa Libertadores.

A organização da partida realizada no Estádio Ramon “Tahuichi” Aguilera ignorou a morte do garoto até mesmo no minuto de silêncio, já que o tradicional momento de reverência antes da partida foi oficialmente dedicado a José Saavedra Banzer, ex-presidente da Federação Boliviana de Futebol (FBF).

José Maria Marin, mandatário da CBF, chegou a anunciar que a renda da partida seria doada integramente à família de Kevin. Insatisfeita, a FBF, presidida por Carlos Chavez, reclamou e entrou em acordo com a entidade brasileira. Desta forma, ganhou o poder de ficar com toda a arrecadação – o estádio estava lotado - e determinar a parte a ser repassada aos parentes do jovem.

Limbert e Carola Beltrán, pais de Kevin, ficaram profundamente incomodados com a situação e preferiram não ir ao estádio. Questionado sobre a divisão da renda neste sábado, Chavez limitou-se a avisar que a questão será tratada internamente pela FBF nos próximos dias.

As duas seleções entraram em campo portando faixas, em espanhol e em português, com a mensagem “um jogo pela paz e amizade nos estádios”, o que não pode ser considerado uma citação direta ao garoto que morreu na arquibancada do Estádios Jesús Bermúdez, em Oruro.

 

Indagado sobre o tema, Ronaldinho desconversou. “Havia uma certa parte política, mas procuramos ficar fora disso tudo. Tentamos oferecer um bom espetáculo a todos que vieram ao estádio e acho que fizemos a nossa parte. Teremos um grande torneio (Copa das Confederações), e qualquer jogo é uma boa oportunidade”, declarou.

Já os campeões do Sul-americano de 1963, maior título da história do futebol boliviano, foram devidamente homenageados, e também esperam receber parte da renda. Antes da partida, os remanescentes do feito desfilaram pelo gramado com a taça e receberam aplausos do público.

O técnico Luiz Felipe Scolari apontou o ambiente festivo como ponto alto do amistoso contra a inexpressiva equipe boliviana. “O mais importante foi o que se viu fora de campo. Espero que esse gesto da Seleção faça com que o futebol seja usado como fator de integração social, e não como algo prejudicial”, disse.

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