Futebol/Copa Libertadores - ( )

Kleina só foca lado direito do Libertad e repete aposta que falhou

William Correia São Paulo (SP)

Com exceção da derrota por 6 a 2 para o Mirassol, o Palmeiras teve sua pior atuação neste ano ao levar 2 a 0 do Libertad, em Assunção, e Gilson Kleina lembrou daquele jogo para armar um esquema que julga capaz de bloquear o lado direito ofensivo dos paraguaios. Mas não só se ‘esqueceu’ do lado esquerdo e ‘ignorou’ mobilidades táticas como voltou a achar que a improvisação de Marcelo Oliveira na lateral esquerda pode ser uma solução.

No Paraguai, o volante também jogou na lateral, e teve um péssimo desempenho. Marcelo Oliveira não conseguiu acompanhar José Ariel Núñez, que criou e teve seguidas chances. Em uma delas, nas costas do improvisado defensor, conseguiu tirar Maurício Ramos da área e cruzar com facilidade para Velázquez abrir o placar.

O técnico parecia ter encontrado uma solução ao treinar na terça-feira com Marcelo Oliveira como zagueiro, abrindo Souza e Juninho colados à lateral esquerda para bloquear Núñez e seus colegas no setor. Mas Kleina mudou de ideia na atividade fechada de quarta-feira. Em sua entrevista coletiva, garantiu que não usaria três zagueiros, preferindo Marcelo Oliveira na lateral e improvisar Juninho na meia.

“Moreira, Mendieta e Núñez nos deram muita dificuldade no primeiro jogo. Treinamos dessa forma para nos precavermos com o lado forte deles. O outro lado também merece respeito, mas precisamos entender que o jogo mais forte deles é do lado direito”, reforçou o treinador, que pareceu não prever uma mudança tática. E pode pagar caro por isso.

Se Moreira segue como lateral direito, Mendieta tem treinado como um armador colado à lateral esquerda, bem diferente do que ocorreu diante do Verdão no Paraguai. Além disso, mesmo naquela vitória do Libertad, Núñez mudou seguidamente de lado, também causando problemas atacando pela esquerda, lado em que o técnico Rubén Israel escalará como lateral o ofensivo e inteligente Samudio, outro nome capaz de avançar e assustar.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Kleina não cogitou mudança tática do Libertad e esqueceu que Marcelo Oliveira comprometeu como lateral no Paraguai
Por priorizar tanto a proteção pela esquerda, Kleina afrouxou o outro lado. Ayrton não é confiável na marcação, tanto que já foi escalado como meia, e Charles também é mais valorizado pelo toque de bola do que por sua capacidade de retomá-la. Souza, teoricamente mais capaz de fazer um desarme, tem como maior preocupação atacar, o que expõe bastante o lado que, nesta noite, terá Samudio, Mendieta e, provavelmente, Núñez atacando até como alternativa para prender Ayrton, Charles e Souza em seu campo.

Caberá a Márcio Araújo, o mais marcador dos meio-campistas palmeirenses, compensar erros de posicionamento e preencher espaços para diminuir a dificuldade do time na briga pela vitória que garantirá a classificação antecipada para as oitavas de final da Libertadores.

“Enfrentaremos uma equipe invicta na Libertadores. Temos que ser inteligentes. Que possamos neutralizar os pontos fortes deles e fazer aparecer os nossos”, comentou Gilson Kleina, que precisará confiar em uma capacidade de improvisação mais eficiente e rápida do que a do Libertad.

Na parte ofensiva, com base no que foi visto no Paraguai, o Verdão também deve sofrer. Em Assunção, como Kleber estava machucado e Caio ainda não inspirava confiança, o Palmeiras atuou sem referência na frente, com Souza, Wesley, Patrick Vieira e Vinicius revezando-se do meio-campo para o ataque. Nesta quinta-feira, se Caio não estiver recuperado de edema na coxa esquerda, um quarteto com a mesma função será composto por Souza, Juninho ou Ronny, Wesley e Vinicius, da mesma forma que mal incomodou o Libertad no primeiro jogo - foi exatamente a má atuação no Paraguai que fez Kleina abrir mão desse posicionamento tático.

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