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Pessimista, advogado ganha cópia do processo e planeja habeas corpus

Bruno Ceccon, Enviado Especial Oruro (Bolívia)

Às 20h19 da última quarta-feira, sob frio intenso e garoa fina, Miguel Blancourt, advogado ligado à Embaixada brasileira em La Paz que defende os 12 corintianos presos em Oruro, finalmente recebeu das mãos da promotoria uma cópia das cerca de 800 páginas do processo. Pessimista, ele planeja pedir um habeas corpus para o grupo de torcedores.

Blancourt buscava uma cópia da documentação há dias e realizou uma série de viagens infrutíferas a Oruro, já que a promotoria não liberava a papelada. Ao lado da reportagem da Gazeta Esportiva.net, ele foi o último a deixar o Ministério Público local, desta vez com os três blocos do processo.

Antes de receber as cópias, o advogado era obrigado a consultar a documentação na minúscula sala da promotoria. Alfredo Santos, novo encarregado do caso, trabalha em um espaço de aproximadamente 5m x 5m ao lado de três ajudantes e com movimento intenso de pessoas.

“Depois de mais de 40 dias do fato (Kevin Beltrán morreu em 20 de fevereiro), finalmente tenho uma cópia do processo. Antes, era praticamente impossível estudar uma documentação que não tem nem sequer páginas numeradas dentro da sala da promotoria”, declarou o advogado.

Uma das primeiras providências de Blancourt será enviar a documentação ao Brasil. Além das famílias dos detidos, os advogados que trabalham pelo grupo de torcedores em São Paulo também poderão conhecer o processo. Maristela Basso, especialista em direito internacional, deve receber a papelada.

“Eu não deposito muitas esperanças em uma ação internacional, porque as vias internas da Bolívia ainda não terminaram. Depois da apelação do dia 12 de março, o próximo passo é o habeas corpus. Também não vejo muitas chances de sucesso, mas é preciso fazê-lo para terminar com as vias nacionais”, declarou Blancourt.

No dia 12 de março, após uma audiência de 9 horas, a apelação do grupo acabou recusada. De acordo com o advogado, a ata ainda não foi concluída e é necessária para tentar o habeas corpus. Estudantes de direito não remunerados são os responsáveis pela transcrição dos diálogos da audiência.

Bruno Ceccon/Gazeta Press
Advogado Miguel Blancourt, responsável por defender os 12 corintianos, deixa Ministério Público com processo
Blancourt presta assessoria jurídica ao Consulado brasileiro e visita regularmente os presos do País na Bolívia. Contratado pela Gaviões da Fiel para trabalhar pela libertação dos detidos em Oruro, ele admite não ver perspectivas promissoras para o grupo de torcedores.

“Minha obrigação é empurrar as investigações, mas meu sentimento é bastante pessimista. Não tanto pelo resultado do processo, porque tenho certeza que eles não serão condenados por assassinato, mas sim pelo tempo que poderia demorar. Uma sentença depois de dois anos de prisão de pessoas inocentes seria um meio fracasso”, declarou.

Blancourt acredita que os cinco torcedores que alegam que não estavam dentro do estádio no momento do acidente serão liberados em breve. Os outros sete, no entanto, podem permanecer alguns anos detidos em Oruro ou serem obrigados a cumprir prisão domiciliar em um imóvel alugado pela torcida.

Receoso, o advogado teme que o governo boliviano procure um bode expiatório entre o grupo de 12 corintianos detido em Oruro. Ele cogita a possibilidade de que a medida seja uma represália ao Brasil por conceder asilo ao senador Roger Pinto, integrante da oposição ao presidente Evo Morales.

“Eu vejo que há um empenho, inclusive do atual promotor, para ter alguém na cadeia. Parece que é um tema político, de orgulho nacional. A questão do Roger Pinto incomodou muito e vão exigir algum resultado, que alguma pessoa seja condenada nesse processo”, declarou o advogado.

Blancourt tenta convencer a promotoria de Oruro a considerar a confissão do menor que assumiu a autoria do disparo do sinalizador que atingiu Kevin Beltrán em São Paulo. Por outro lado, como conhecedor das entranhas da Justiça boliviana, alertou a Gaviões da Fiel que a solução pode ser financeira.

“Os processos por homicídio na Bolívia, quando chegam ao final, terminam com uma sentença que não tem nada a ver com os fatos. Geralmente, o que se faz é algum tipo de compensação financeira entre as pessoas e o processo fica abandonado. Adverti a Gaviões sobre isso, apesar de os 12 não terem relação com o fato”, contou.

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