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Receoso, presidente do San José cogita pedir ressarcimento ao Timão

Bruno Ceccon, enviado especial Oruro (Bolívia)

Casado e pai de quatro filhos, Freddy Fernandez não usa aliança, mas sim um anel do San José. Enquanto alguns torcedores batiam na porta da humilde sede do clube para perguntar sobre os ingressos do jogo contra o Tijuana, programado para quarta-feira, o presidente se disse receoso quanto ao duelo diante do Corinthians no Brasil e manifestou o desejo de ser ressarcido da multa de US$ 10 mil aplicada pela Conmebol pela morte de Kevin Beltrán.

“Isso nos causou um problema econômico muito grande. Penso que, de alguma maneira, alguém vai nos ressarcir pelo dano econômico que sofremos. Estamos nos preparando para entrar na Justiça. Caso seja necessário, poderemos solucionar isso mediante normas e leis. Alguém tem que nos ressarcir desse gasto. A Conmebol ou talvez o próprio Corinthians”, afirmou Fernandez à Gazeta Esportiva.net.

Multado em US$ 200 mil pela Conmebol, o clube presidido por Mario Gobbi dificilmente aceitará contribuir com o San José. Ainda assim, Freddy Fernandez pretende aproveitar a viagem da agremiação para o duelo no Pacaembu, marcado para o próximo dia 10 de abril, para conversar com os dirigentes brasileiros a respeito do assunto.

“O San José não cometeu erro algum, o clube é inocente. Nossa torcida, idem. O problema surgiu na torcida do Corinthians, com um artefato que nem existe na Bolívia. O time em si é inocente, já que não brigou em campo nem nada. Mas quem ocasionou o problema foi a torcida deles. Praticamente, o culpado é o Corinthians. Cada clube é responsável por todos os danos que sua torcida possa ocasionar”, argumentou.

Bruno Ceccon/Gazeta Press
Presidente do clube boliviano, Freddy Fernandez, 55 anos, é um empresário ligado a indústria de mineração no país.
De acordo com relatos de pessoas que compareceram ao jogo entre San José e Corinthians, disputado no Estádio Jesus Bermudez no dia 20 de fevereiro, a revista da polícia local foi falha e até inexistente. O presidente do clube boliviano, por sua vez, dá a entender que houve má-fé por parte do indivíduo que entrou na arquibancada com o sinalizador que atingiu Kevin Beltrán de maneira fatal.

“O controle realizado pela polícia foi adequado, mas lamentavelmente, quando uma pessoa quer causar um dano, consegue. Escondem o artefato em qualquer lugar, como nas partes íntimas ou dentro dos instrumentos”, afirmou Fernandez. A GE.net tentou entrevistar o coronel Carlos Quiroga Ramos, comandante da polícia no Estado de Oruro, mas ele alegou, através de um assistente, indisponibilidade de agenda.

Diante da polêmica em torno da morte de Kevin Beltrán e da responsabilidade de cada clube no episódio, Freddy Fernandez admite estar receoso em relação à possibilidade de encontrar um clima hostil em São Paulo no jogo diante do Corinthians. Os 12 torcedores brasileiros acusados de envolvimento na morte do garoto de 14 anos permanecem presos na cidade de Oruro.

“Veja o que já aconteceu. Pedimos ao Corinthians que nos dê confiança e segurança nessa viagem ao Brasil. Esperamos que não tenhamos problemas em São Paulo. Todos sabem como são as torcidas, as vinganças... Por isso, vamos pedir garantias para que tudo corra bem durante nossa estadia no Brasil. Desde que cheguemos ao aeroporto, precisam nos dar segurança”, declarou.

Atual quarto colocado no Torneo Clausura, o campeonato nacional boliviano, o San José planeja aproveitar as últimas rodadas para promover uma campanha em benefício da família de Kevin Beltrán. Segundo Freddy Fernandez, a ideia é oferecer parte da renda dos jogos decisivos, com mais público, como doação aos parentes do torcedor falecido.

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