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Futebol/Brasileiro Série B - ( )

Henrique ouve família palmeirense e fica para liderar o time na raça

William Correia São Paulo (SP)

Na semana passada, o Cruzeiro intensificou a sondagem para levar Henrique, assim como faz agora com Souza. Mas o zagueiro, diferentemente do volante que está insatisfeito com seu salário e foi afastado do elenco, conta que atende a um pedido até da família para ficar. E assume a função de capitão do Palmeiras “sangue na veia” na luta pelo acesso na Série B do Campeonato Brasileiro.

O jogador conversou durante 20 minutos com a Gazeta Esportiva.net na sala de musculação da Academia de Futebol e reiterou ter familiares em casa tão palmeirenses quanto ele diz ser. E reiterou nesta entrevista exclusiva que o carinho pelo clube supera qualquer vantagem profissional, a ponto de garantir que não sai do time.

Assim, mostra uma raça natural tanto para partir para o ataque quando o time precisa de gols quanto para peitar membros de torcidas organizadas em meio a protestos. Mesmo que minimize a tarja que usa no braço, fala em “objetivo” o tempo todo, como um recado aos colegas. “Não é mais do que uma obrigação se dedicar em campo. E só qualidade não vai fazer a diferença na Série B.”

Gazeta Esportiva.net: Recentemente, foram fortes os rumores de que o Cruzeiro esteve próximo de te contratar. Como você reagiu a isso?
Henrique: (Sorri, na tentativa de se conter e escolher bem as palavras) Falam e comentam muitas coisas, muitas pessoas tiram coisas que não foram faladas por mim nem pela pessoa que trabalha comigo (o empresário Marcos Malaquias). Tiveram algumas coisas, mas deixei minha vontade muito clara desde quando cheguei: quero fazer minha carreira aqui. Desde a minha primeira passagem, gostei do Palmeiras. Tenho um carinho muito grande pela torcida e a minha família também: meus filhos, minha esposa... Torcemos pelo Palmeiras. Claro que tem a parte profissional também, mas muitas coisas passam por cima disso. Minha alegria é continuar no Palmeiras, independentemente das situações que vivemos. Torcemos, nos dedicamos e lutamos para dar a volta por cima e dar alegria para a torcida também.

GE.net: Pelo carinho que você diz ter criado, dá a impressão de que sua primeira passagem em 2008, de seis meses, foi curta demais.
Henrique: Aquela foi curta demais e a de agora está passando muito rápido. São quase dois anos aqui já. Temos que correr atrás mesmo dos nossos objetivos porque no futebol as coisas acontecem rapidamente e precisamos estar preparados para tudo. Estamos em um momento no qual vai existir muita pressão, mas a alegria e a vontade de trabalhar tenho todo dia, e o grupo também. Isso é fundamental para o nosso crescimento e para que comecemos bem o campeonato. É um conjunto que nos favorece e nos fortalece.

GE.net: Você é capitão do time e fala como um líder do elenco. Qual será o seu papel na Série B?
Henrique: Não só eu, mas todos os jogadores do grupo têm essa liderança. Independentemente de nomes, o importante é estarmos juntos, unidos, trabalhando e lutando um pelo outro, e se dedicando para que consigamos esse acesso à Série A. É a liderança de todos que faz a diferença, com conversas e cada um colocando para todos as coisas positivas que tiver. Claro que às vezes, na pressão, as coisas podem cair para um lado, mas todos estão cientes do que temos que fazer nesta Série B e que não vai ser fácil. Todos têm essa força e palavra de liderança tanto dentro de campo quanto fora.

GE.net: Na primeira entrevista coletiva do Gilson Kleina após a saída do Marcos Assunção, ele avisou que você e o Barcos seriam os capitães e deixou a braçadeira só com o Barcos até ele sair para o Grêmio. Como foi a conversa do Kleina para te avisar que seria o capitão?
Henrique: Ele não me falou nada, não comentou nada comigo. Falou direto na imprensa e deu para o Barcos. Mas é como falei: essa liderança, indiferentemente de quem seja o capitão, é de todos. O importante é todos falarem dentro de campo e fora mantermos a união. Mas é claro que tenho um pouco mais de responsabilidade e tento dar o máximo de tranquilidade para todos para que possamos jogar futebol e conseguir nossos objetivos.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Zagueiro assumiu a braçadeira de capitão depois das saídas de Marcos Assunção e Barcos
GE.net: Então a braçadeira só tem um valor simbólico?
Henrique: É claro que dá um pouco de responsabilidade a mais, mas não tem diferença nenhuma. Todos são iguais, tanto dentro quanto fora de campo com todos falando. Esse é o principal intuito: falar, cobrar e ter amizade. Não são só o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto capitães, todos têm essa força da palavra para estarmos unidos e fechados.

GE.net: Pelo Coritiba, você disputou a Série B em 2006 e foi campeão em 2007. O que pode trazer daquela experiência?
Henrique: A cada ano, a Série B está dificultando mais, as equipes estão se fortalecendo. Joguei dois anos e vi que não é fácil. Times considerados pequenos querem jogar contra time grande, se poupam para que possam jogar contra o Palmeiras. Este ano vai ser pedreira. É viagem, maratona de jogos, pressão... Vamos jogar no Nordeste, onde a torcida incentiva muito o time da casa. Mas estamos preparados. Passamos neste começo de ano por muitas coisas. Não tivemos a fase que queríamos, mas aprendemos muito e vamos colocar em prática agora para começar bem e ficar entre os quatro primeiros colocados.

GE.net: Você tem passado essa experiência aos colegas que estreiam em uma Série B?
Henrique: Em todos os dias, comento com eles que as dificuldades serão muito grandes e que cada jogo será importante e fundamental. Já demonstramos o que podemos quando entramos ligados, e nesta Série B não podemos deixar de estar concentrados porque com certeza os adversários vão entrar assim, a mil por hora. Temos que estar preparados para o que vamos enfrentar e dar a volta por cima. Com o elenco e a união que temos, com certeza temos tudo para subir.

GE.net: Ser favorito demais é um perigo para o Palmeiras subir?
Henrique: Isso é meio ruim para nós. Não existe favorito, dentro de campo é outra história. Falam muito em nomes, de um time aqui e outro ali, mas as coisas dentro de campo são totalmente diferentes. O que vale são a vontade, a raça, a determinação dos jogadores e a qualidade. É tudo o que temos que fazer: falar menos fora e fazer mais em campo.

GE.net: Quais serão os maiores concorrentes na briga pelo acesso?
Henrique: Não vimos tantos jogos porque estávamos em uma correria de Libertadores e Paulista. Mas tem muitos que foram campeões estaduais e muitas equipes difíceis do Nordeste e do Sul. Vai ser um campeonato difícil, sem favorito. É dentro de campo que precisamos mostrar a nossa diferença.

GE.net: Você aparece bastante no ataque, e em jogos decisivos, muitas vezes nem volta para a defesa. Qual a participação do Gilson Kleina nessa sua decisão de subir?
Henrique: Aqui não fazemos o que queremos, mas o que o Kleina dá aval. Gosto de sair de trás para o ataque e o Kleina dá total aval. Mas é claro que nem sempre é um pedido dele, já que gosto mesmo de atacar um pouco. Até dei uma diminuída nisso.

GE.net: Por quê?
Henrique: Às vezes, atacar um pouco e marcar desgasta mais. Não é porque o Kleina pediu para eu ficar, é questão dos jogos mesmo, que têm sido difíceis e não tem aparecido tanta oportunidade para sair.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Camisa 3 diz conter vontade de ir à frente, embora ressalte que Kleina dá aval para seus repentes de atacante
GE.net: Pela sua vontade de atacar, você ainda cogita a possibilidade de ser volante de novo?
Henrique: Penso em ajudar o Palmeiras, independentemente da posição. Tenho que estar preparado para tudo. Se o Kleina achar melhor eu ser zagueiro, volante ou o que ele pedir para eu fazer, com certeza tentarei e me dedicarei ao máximo para conseguir.

GE.net: Há quem diga que suas constantes subidas ao ataque são um exemplo de garra.
Henrique: Tenho um carinho muito grande pelo Palmeiras e me sinto em casa aqui. Jogo assim porque preciso, não gosto de perder. A derrota é amarga. O que eu puder fazer para ajudar o Palmeiras, correndo, me dedicando, me ralando, faço para ver a felicidade da torcida. Minha esposa, meus filhos, minha família toda é palmeirense e me cobra. Eu também me cobro porque torço pelo time. Dentro de campo, não tem o que fazer. Você está ali para jogar e se dedicar os 90 minutos, treinamos para isso. Não é mais do que uma obrigação se dedicar em campo.

GE.net: Você quer dizer que essa sua postura é natural...
Henrique: Não jogo assim só porque a torcida gosta. Penso em ajudar o time, independentemente do momento que vivemos, no dia a dia e nos jogos. Isso vem de mim mesmo. Na hora você está ligado, concentrado. Às vezes acontece um monte de coisa, mas você só se concentra no jogo. Essas coisas vêm naturalmente, tudo sai na hora e é espontâneo.

GE.net: Com essa forma de jogar, dá para sonhar em disputar a Copa do Mundo?
Henrique: Claro que sonho, todo jogador sonha. Vivemos um momento bom entre torcida e nós, jogadores, porque sabemos que precisamos dar mais. Com o Palmeiras estando bem, a torcida feliz, nós contentes e as coisas andando, tudo isso aparece. Com o Palmeiras crescendo, posso ser visto. Meu pensamento é primeiro ajudar o Palmeiras porque, consequentemente, aparece a Seleção.

GE.net: No amistoso contra o Chile, em que você jogou o segundo tempo, Luiz Felipe Scolari chegou a falar que jogar a Série B não seria um obstáculo para uma convocação?
Henrique: Não conversamos sobre isso. Temos que dar um passo de cada vez porque as coisas no futebol acontecem muito rapidamente e você tem que estar preparado para tudo. Estou preparado para isso, independentemente de estar na Série A ou B. A Série B é um campeonato difícil, muito corrido e movimentado. Claro que não queríamos estar na Série B, mas ela vai ser boa para nós. Precisamos dessa alavancada para estarmos no ano que vem na Série A e as coisas continuarem acontecendo.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Jogador vê problemas superados neste ano como prova da força do time quando se concentra em campo
GE.net: O que este time tem para o torcedor ter certeza do acesso no fim do ano?
Henrique: Passamos por muitas coisas difíceis no começo do ano, foi complicada a pressão, com jogadores novos subindo, e conseguimos dar a volta por cima. Temos jogadores de qualidade, nosso ambiente é bom, estamos unidos. Vontade, determinação e raça dentro de campo eles vão ver porque só qualidade não vai fazer a diferença na Série B. Vamos nos doar, nos dedicar 100% a cada jogo.

GE.net: Uma das coisas que aconteceram foi aquela confusão em um aeroporto da Argentina, quando membros da Mancha Alviverde atiraram xícaras contra o elenco. Hoje, a paz com a torcida foi estabelecida definitivamente?
Henrique: Não adianta a torcida vir contra o time ou o time ficar contra a torcida, isso não leva a nada. Só piora as coisas, dentro e fora de campo, e a felicidade se torna difícil para todos. Temos que estar unidos e fechados, independentemente da situação. Na Libertadores, a torcida incentivou, nos apoiou e compareceu no estádio, o que é importante. O time sente o carinho e o apoio. Espero que a torcida compareça e nos incentive.

GE.net: O que passou pela sua cabeça durante aquela confusão? Você foi um dos jogadores que conversou no aeroporto com líderes dos torcedores que arremessavam xícaras.
Henrique: Acertaram o Prass. E eu não queria que acontecesse comigo o que aconteceu com ele. Podia ter acontecido com qualquer um, ter pegado no rosto ou no olho e acabado com a carreira de qualquer um. Claro que ficamos tristes e preocupados, não queremos que isso aconteça. Somos pais de família, nos dedicamos, corremos pela felicidade dos torcedores. Se o momento não é bom, e estamos passando por uma fase difícil há algum tempo, temos que estar juntos e fechados para todos estarem felizes. Sabemos que é difícil torcer e o time não ir bem, mas só podemos nos unir para todos darmos a volta por cima. Situações como aquela não levam a nada, só pioram as coisas. Uma conversa entre homens vale muito mais do que muita coisa.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Defensor ressalta confiança em Paulo Nobre como justificativa para os salários atrasados não atrapalharem o time
GE.net: Houve esse tipo de conversa com o Paulo Nobre em relação aos dois meses de direitos de imagem do ano passado que o Arnaldo Tirone não pagou?
Henrique: Ninguém foi falar com o Paulo sobre salário atrasado ou qualquer outra coisa. Todos veem que ele é um cara sincero, de palavra, que olha no olho da pessoa. Ele mesmo falou de salário, e confiamos muito no trabalho dele, do (diretor executivo José Carlos) Brunoro e de todas as pessoas envolvidas. Estamos tranquilos, tanto que não cobramos nada, sempre parte deles a conversa. Temos que nos preocupar em jogar. Claro que esperamos que tudo esteja certo, mas sabemos o momento pelo qual o clube está passando e entendemos isso.

GE.net: Por que tanta confiança neles?
Henrique: Se os salários atrasados fossem um problema, jogaríamos a culpa em várias outras coisas também. Eles estão fazendo de tudo para que não só os salários sejam pagos, mas para que muita coisa aconteça. E é claro que precisamos de um pouco de calma, porque nada acontece em um piscar de olhos. Eles nos estão fazendo ver o trabalho deles e sabemos que podemos contar com eles, como eles também podem contar conosco.

ZAGUEIRO SUBSTITUI PIERRE NA LIDERANÇA DE VENDA DE CAMISAS  DO PALMEIRAS
Gazeta Press
Henrique foi companheiro do volante, que hoje está no Atlético-MG, na conquista do Paulista de 2008

Se existiam dúvidas sobre a idolatria da torcida por Henrique, estatísticas recentes as invalidaram. Cerca de 70% das camisas vendidas nas lojas oficiais do Palmeiras são com o nome e o número do zagueiro. O capitão assume um posto que, na década passada, foi ocupado com frequência por Pierre.

“O Pierre teve uma admiração grande da torcida e nossa por ser um cara de caráter, competência, qualidade e vontade, demonstrando isso dentro de campo. Fez por merecer tudo isso. Ele honrou a camisa do Palmeiras”, lembrou Henrique, companheiro do hoje volante do Atlético-MG na conquista do Campeonato Paulista de 2008.

Ser responsável por um dado tão significativo faz o zagueiro até gaguejar. Embora já soubesse dos números, o jogador procurou palavras para mostrar a sensação de estar entre os preferidos da torcida quando foi questionado pela GE.net.

“Isso me deixa feliz. Vejo o carinho da torcida e fico muito contente. Tento retribuir dentro de campo. Trabalho para fazer o que puder para deixá-los felizes, saindo de casa orgulhoso com a camisa do time. Trabalho para ver sorrisos nos rostos dos palmeirenses”, comentou.

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