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Após 5 meses, Nobre chama clube de "carro com freio de mão puxado"

William Correia São Paulo (SP)

Em uma semana, Paulo Nobre completará cinco meses como presidente do Palmeiras. Um tempo curto, mas suficiente para perceber que os maiores problemas na administração são os mesmos percebidos do lado de fora: conter a briga política que transforma o clube em um “carro com freio de mão puxado”.

Durante cerca de dez minutos de conversa exclusiva com a Gazeta Esportiva.net, o dirigente falou também da dificuldade de conter a sua ansiedade como torcedor para fazer o clube crescer até o fim de seu mandato, em dezembro do ano que vem. E admitiu: não sabe quando será possível colher frutos do trabalho que tem para “mudar a cara do Palmeiras”.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Após quase cinco meses de mandato, Nobre ainda tenta mostrar a conselheiros que eles representam o clube
Gazeta Esportiva.net: Você conseguiu até agora o que pretendia em quase cinco meses de mandato?
Paulo Nobre: Sou um cara que me cobro muito. Cobro muito dos outros e me cobro um pouco mais. Eu gostaria de estar vendo mais coisas acontecendo, porém, me balizando de outras pessoas que acompanham a administração, fico muito feliz quando escuto que o Palmeiras está com outra cara, que certas coisas ou posturas que aconteciam antigamente estão acontecendo em menor escala. Mas nunca vou parar de me cobrar. Sempre acho que pode ser um pouco mais.

GE.net: Mas está dentro do que você imaginava antes de assumir a presidência?
Paulo Nobre: Todo torcedor é, por excelência, técnico e presidente com ideias de contratações e dispensas. Quando você senta na cadeira como presidente, é completamente diferente. O torcedor fala ‘manda tal jogador embora’ e não sabe que você precisa continuar pagando salário. Na hora em que você vira presidente e sabe de tudo isso, todas as atitudes têm que ser muito frias. Se você não contiver o torcedor dentro de você, que toda hora está querendo dar palpite, tem grandes chances de fazer muita besteira. E depois se arrepender, mas não adianta mais, o leite já derramou.

GE.net: Está sendo difícil conter o Paulo Nobre torcedor?
Paulo Nobre: Isso é uma coisa que acho que estou conseguindo administrar até que bem. Sofro um pouco com isso, mas tenho plena certeza de que, se não for assim, a chance de eu meter o pé pelas mãos é muito grande. Essa é uma das grandes dificuldades de presidir o Palmeiras hoje.

GE.net: Como você está lidando com a política interna do clube?
Paulo Nobre: Você tem que saber lidar com toda a parte política, afinal o Palmeiras não tem dono. Por mais força que tenha um presidente, você tem que saber conduzir a presidência junto com o Conselho (Deliberativo) e as pessoas que te fiscalizam (Conselho de Orientação e Fiscalização, o COF), e isso é uma coisa muito positiva. Você precisa ter habilidade para trabalhar dentro desse cenário. A parte política não é fácil.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Paulo Nobre não sabe quando seu trabalho de mudar a cara do Palmeiras dará frutos
GE.net: É o que mais te atrapalha?
Paulo Nobre: Tem uma porção de outras coisas menores, mas que acontecem em uma escala tão grande que acaba atrapalhando o dia a dia. Com todos esses entraves que temos, o Palmeiras, muitas vezes, acaba sendo seu maior adversário. É a mesma coisa que você andar com o carro com o freio de mão puxado: ele anda, mas se desgasta muito e, eventualmente, não anda na velocidade que poderia andar. Mas paciência. Nossa função hoje é tentar mudar a filosofia que existe no Palmeiras. Se tivermos o sucesso que imaginamos, essa filosofia, com vagar começa a mudar.

GE.net: E como lidar com o torcedor?
Paulo Nobre: O torcedor é muito apaixonado, muitas vezes não tem a paciência necessária para que as coisas aconteçam. Quando você planta uma semente, tem que regar, esperar brotar, virar uma muda, depois uma árvore e, um dia, vai dar frutos. No Palmeiras, você planta sementes e as pessoas perguntam: cadê a fruta? Essa ansiedade do torcedor atrapalha muito. Se você começar a escutar muito todo recado apaixonado da torcida, acaba não saindo do lugar. Mas não tem surpresa nenhuma. Não vou falar que não sabia que a torcida do Palmeiras é muito ansiosa e cobra muito. É outra parte complicada de administrar no Palmeiras.

GE.net: Que fruto a sua administração vai gerar?
Paulo Nobre: Existem vários frutos. Podem ser títulos, fontes novas de receita, conseguir atingir uma independência financeira via seu sócio-torcedor, as pessoas terem um pouco mais de paciência para deixar as coisas acontecerem de uma maneira natural, a conscientização do conselheiro de que, quando ele fala, não está falando mais na pessoa física, mas como representante da instituição... São vários e vários frutos que podemos colher. Mas é claro que o mais importante de todos eles são os títulos. O Palmeiras é uma sociedade esportiva com o futebol como carro-chefe. Se você não ganha títulos, a coisa não faz muito sentido, principalmente em um clube grande como o Palmeiras.

GE.net: Quando será possível colher algum desses frutos?
Paulo Nobre: Só Deus sabe. A minha promessa é de muito trabalho. O trabalho te leva ao sucesso de forma natural. Quando o sucesso vai vir, é difícil dizer...

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