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Futebol/Copa das Confederações - ( - Atualizado )

Brasil supera nervosismo contra Uruguai para vencer e ir à decisão

Helder Júnior, enviado especial Belo Horizonte (MG)

Parecia que o Mineirão era o Maracanã. O ano, 1950. Assim como naquela catastrófica decisão de Copa do Mundo, a Seleção Brasileira esbanjou nervosismo diante do Uruguai nesta quarta-feira. Mas o final foi diferente. Com direito a um pênalti defendido pelo goleiro Júlio César, que vingou o crucificado Barbosa, o Brasil de Luiz Felipe Scolari venceu o Uruguai por 2 a 1 e avançou para a final da Copa das Confederações.

Graças aos gols do mineiro Fred e do volante Paulinho, o último deles aos 40 minutos do segundo tempo, a Seleção Brasileira enfrentará o time vencedor do confronto entre Espanha e Itália no domingo, no Maracanã – a semifinal europeia será disputada na quinta-feira, no Castelão. A equipe verde-amarela buscará seu quarto título no torneio, pois venceu as edições de 1997, 2005 e 2009. O Uruguai, que descontou através do centroavante Edinson Cavani nesta tarde, decidirá o terceiro colocado da Copa das Confederações também no primeiro dia da próxima semana, na Arena Fonte Nova.

O jogo – Já não era mais novidade a torcida brasileira continuar a cantar o Hino Nacional, à capela, mesmo após a música dos alto-falantes ser precipitadamente interrompida. Ainda assim, havia quem se emocionasse bastante. Os jogadores do Brasil saltaram, bateram em seus peitos e gritaram após a execução, enquanto alguns torcedores estenderam os braços para mostrar que estavam arrepiados.

Tamanha comoção, desta vez, deixou a Seleção Brasileira nervosa no gramado. O Uruguai usou o traquejo adquirido por jogar junto desde a Copa do Mundo de 2010 para tirar proveito da situação. O goleiro Muslera foi o primeiro a demorar a repor a bola em jogo, logo seguido por seus companheiros. A atitude despertou irritação no público, até então mais preocupado em ofender somente um famoso locutor de televisão.

Não foi apenas a torcida que saiu do sério. Os comandados de Felipão se sentiram ainda mais pressionados em incomodar rapidamente a defesa do Uruguai, como haviam feito contra a Itália. O excesso de ímpeto fez com que o volante Paulinho não se encontrasse no meio-campo, o lateral esquerdo Marcelo tropeçasse na bola e até o atacante Neymar, de novo aplaudido, fizesse passes sem direção.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Júlio César teve uma grande responsabilidade logo no início e conseguiu defender o pênalti de Forlán
Ninguém pecou mais do que David Luiz naquele momento de instabilidade. Aos 12 minutos, o zagueiro do Chelsea agarrou de forma desnecessária o seu colega de posição Diego Lugano dentro da área, em uma cobrança de escanteio. O árbitro chileno Enrique Osses (o mesmo que despertava suspeitas no próprio defensor uruguaio, com passagem pelo São Paulo) não hesitou em apontar para a marca da cal e assinalar o pênalti.

Foi então que a Seleção enfim reagiu. O goleiro Júlio César fixou os olhos em Diego Forlán, o uruguaio encarregado de cobrar a penalidade, e saltou no canto certo para vingar o falecido Barbosa (eleito o vilão da derrota no Maracanã em 1950) com uma bela defesa. Curiosamente, o veterano havia se lamentado porque não teve a chance de se consagrar diante da Itália, quando não houve pênalti contra o Brasil.

O feito de um ovacionado Júlio César era o que faltava para a Seleção começar a se ajustar. A torcida já comemorava até um chute forte de Oscar para afastar a bola do campo de defesa. Pouco depois, aos 16, o armador deu um motivo melhor para vibração ao protagonizar um bom lance ofensivo, com uma arrancada e uma finalização firme, por cima da meta defendida por Muslera.

Neymar também estava disposto a aparecer mais. O astro do Barcelona decidiu provocar os uruguaios com gingas com o pé sobre a bola e ao cair em qualquer dividida. O centroavante Cavani não gostou da postura (de que Lugano já havia reclamado na véspera) e, depois de cometer uma falta, desferiu uma ofensa que qualquer leigo em leitura labial poderia decifrar.

Se o clássico sul-americano era brigado, Hulk estava à disposição para ajudar com a sua força física. O atacante conseguia transpor a marcação celeste com a cabeça baixa, o peito estufado e os braços abertos. Bastaram uma conclusão dele para fora e um passe errado, contudo, para parte da torcida voltar a se impacientar. Os torcedores do Atlético-MG no Mineirão pediram a entrada do mineiro Bernard, enquanto os demais fizeram coro por Lucas.

Àquela altura, porém, a Seleção já parecia pronta para acabar com a desconfiança do público. Fred quase abriu o placar depois de um cruzamento rasteiro de Marcelo. Aos 40 minutos, ele não perdoou. Paulinho apareceu em cena com um bom cruzamento para Neymar, que correu pela esquerda e tentou encobrir Muslera. O centroavante do Fluminense, mineiro de Teófilo Otoni, ficou com o rebote da defesa parcial do goleiro uruguaio e arrematou para abrir o placar em sua “casa”, como definiu. “Uh, terror! O Fred é matador!”, retribuiu a torcida.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Mineiro de Teófilo Otoni, Fred mostrou que ainda conhece os caminhos para as redes do Mineirão
Mais calma no princípio do segundo tempo, a Seleção já se permitia até tentar tirar vantagem da ira dos uruguaios, ainda incomodados com as quedas de Neymar. A alegria durou pouco. Aos dois minutos, a defesa brasileira cometeu um vacilo generalizado. O último a falhar foi Thiago Silva, que jogou a bola nos pés de Cavani. O centroavante justificou o temor de Felipão com o seu oportunismo e bateu cruzado para mandar a bola no canto e empatar o jogo.

Toda a confiança que o Brasil havia adquirido no final do primeiro tempo pareceu ter ido embora com o gol de Cavani. Nos 15 minutos seguintes, o Uruguai aumentou o seu volume de jogo, a ponto de passar a atuar a maior parte do tempo na intermediária ofensiva, e provocou novos erros brasileiros. O panorama do jogo era preocupante. Até a torcida que havia se arrepiado com o Hino Nacional já estava silenciosa nas arquibancadas do Mineirão.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Fred e Paulinho foram os heróis da tarde em Belo Horizonte na vitória sobre o Uruguai
Felipão tomou uma atitude para trazer a plateia novamente para dentro de campo. Colocou o xodó atleticano Bernard no lugar de Hulk e levantou até alguns cruzeirenses com o garoto com “alegria nas pernas”, como gosta de dizer o comandante. A aposta foi acertada. Causando euforia coletiva sempre que encostava na bola, o meia-atacante contagiou os seus companheiros de time com dribles e assistências. O Brasil voltou a levar perigo ao Uruguai.

Como a melhora da Seleção não se traduziu em gol, Felipão mexeu na equipe outra vez. Trocou Oscar por Hernanes, prejudicando a sua armação, e desagradou àqueles que consideraram a alteração defensiva. O ambiente no Mineirão já era de tanta tensão que os desentendimentos nas arquibancadas não ocorriam só por discordância das escolhas do treinador. Um cruzeirense brigou com um atleticano, e a violência só foi contida por gritos de “vão embora” dos demais e pela ação dos orientadores do estádio.

O nervosismo chegou ao fim aos 40 minutos. Neymar, que já mandava beijinhos para rebater provocações de seus rivais, cobrou escanteio com categoria e encontrou a cabeça de Paulinho dentro da área. O volante redimiu a sua atuação apagada até então ao colocar a bola na rede e o Brasil na grande decisão da Copa das Confederações. Nem mesmo as aventuras do desesperado goleiro Muslera no ataque, nos acréscimos, fizeram o Uruguai se lembrar de 1950 ao término da semifinal.

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