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Futebol/Copa das Confederações - ( )

Comediantes cearenses usam o humor contra protestos em dia de jogo

Helder Júnior, enviado especial Fortaleza (CE)

Rogério Ribeiro tem duas profissões completamente distintas. A seriedade com que ele enverga a farda do Corpo de Bombeiros de Fortaleza contrasta com a sua irreverência ao vestir o chapéu de cangaceiro do personagem Oscabritto nos shows de humor da capital cearense. Na quarta-feira, quando a Seleção Brasileira enfrentará o México no Castelão, ele pretende usar os seus dois atributos contra qualquer sinal de manifestação violenta.

“Vou trabalhar como bombeiro na Copa das Confederações, na parte de segurança e de combate a incêndios. Não acho que haverá problema, mesmo com os protestos que estão acontecendo pelo País. O nosso povo ama o futebol e vai até o Castelão só para curtir o jogo, o clima. O camarada deve pensar duas vezes antes de fazer alguma coisa aqui. O cearense é um povo feliz”, sorriu o eloquente Rogério.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Bombeiro Rogério Ribeiro, o Oscabritto, quer espantar os protestos com seu bom humor
De fato, parece um consenso entre os inúmeros comediantes cearenses que a população preferirá rir a protestar no dia do jogo do Brasil. O cantor Falcão, uma referência para quem está em iniciando carreira de humorista na terra onde nasceram Chico Anysio, Tom Cavalcante e tantos outros, opinou: “O povo cearense não é de fazer confusão. Como a Seleção joga pouco em Fortaleza, todo o mundo só quer ver os caras, torcer, fazer festa... Essa parte política fica um pouco de lado. É assim em praticamente todo o Nordeste”.

Já Adaildo Alves Neres (o Adamastor Pitaco, famoso pelo cabelo metade liso, metade crespo) faz um discurso mais filosófico – e nem por isso brega como gosta de se mostrar Falcão: “Quando a desgraça é ruim, os palhaços saem. Quando o toureiro perde a muleta, entram os palhaços para levar porrada. Se o Brasil está ruim, o humorista tem que entrar para levantar o astral. E nasci para isso. O cara deve nascer humorista. Existem muitos atores cômicos, mas não humoristas natos, como eu. Não sei fazer drama, e sou humorista 24 horas por dia, não só em cima do palco”.

Em Fortaleza, segundo os próprios profissionais do humor, quase todo o mundo é humorista fora do palco. O bombeiro Rogério, por exemplo, descobriu com as piadas que fazia no dia a dia a possibilidade de praticamente dobrar a sua renda com shows pela capital. “É um hobby que se tornou lucrativo”, contou, ainda solicitado para dar espetáculo no quartel. “Primeiro, pergunto se o comandante deixa. Quando ele dá a autorização, eu me solto.”

Divulgação
Oscabritto concorda com Falcão e Pitaco e se orgulha de vitória em um programa do Faustão
Mesmo que os humoristas estejam errados sobre o jogo de quarta-feira, uma manifestação na porta do Castelão não seria capaz de tirar o bombeiro Rogério do sério. Ele já se vestiu de Oscabritto até quando uma filha faleceu. “Foi em 2005 e, no mês seguinte ao velório, eu já estava me apresentando. O palco é outro mundo”, avisou aquele que protesta por reconhecimento como o primeiro colocado de um quadro de uma programa de televisão – o que rendeu R$ 50 mil ao seu grupo de humor no ano passado. “Uma vez campeão do Faustão, sempre campeão do Faustão. Ninguém vai tirar isso de mim. Coloque lá na internet – ‘Quarteto em Ri’ –, que o magro velho estará lá”, manifestou-se o bombeiro.

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