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Futebol/Copa das Confederações - ( )

Entre luxo e camelo, brasileiro apitou 1º jogo do torneio em 1992

Luiz Ricardo Fini São Paulo (SP)

O Brasil só iniciou sua trajetória na Copa das Confederações na edição de 1997, mas o País teve representante no torneio bem antes. O primeiro jogo da história da competição, disputado no dia 15 de outubro de 1992, foi apitado por Ulisses Tavares da Silva Filho, que foi designado também para ser o assistente de outros dois duelos.

Diante de 70 mil torcedores, no estádio Rei Fahd, o brasileiro arbitrou a surpreendente vitória por 3 a 0 da anfitriã Arábia Saudita contra os Estados Unidos, inclusive expulsando o norte-americano Brian Quinn nos minutos finais. Mais de duas décadas depois do jogo histórico, Ulisses não guarda muitas lembranças do que aconteceu em campo, mas se recorda do luxo, da exemplar organização da competição e até dos passeios em camelos pelo deserto.

Acervo/Gazeta Press
Ulisses Tavares da Silva Filho apitou primeiro jogo da história da Copa das Confederações, em 1992
“Fui o primeiro brasileiro a participar da competição, em uma época que tinha apenas quatro equipes, com quatro árbitros também. Tivemos um tratamento espetacular durante a competição, e o estádio era maravilhoso em Riad, eu nunca vi igual. Apitei em muitos lugares por aí afora, mas aquela era uma infraestrutura espetacular. E isso foi há 20 anos, imaginem agora...”, afirmou o ex-árbitro, em entrevista por telefone à Gazeta Esportiva.net.

Naquela época, o campeonato ainda era chamado de Copa do Rei Fahd e organizado na Arábia, longe de ser um torneio teste para países que sediariam a Copa do Mundo, como é hoje. A Fifa só assumiu efetivamente a competição e mudou seu nome em 1997, mas reconhece como legítimas as edições anteriores. Ulisses, inclusive, explica que integrantes da entidade máxima do futebol marcaram presença durante todo o torneio de 1992.

Além de Arábia e Estados Unidos, a competição também reuniu Costa do Marfim e Argentina, que acabou se sagrando campeã. Mas as principais lembranças do árbitro são do lado de fora do campo. No tempo livre que tinha dos jogos, o brasileiro aproveitava para conhecer os pontos turísticos do país, junto com os outros árbitros e integrantes das delegações.

“Foi muito divertido mesmo. Nós saíamos para passear, conhecer os lugares, comer nas tendas que montavam para as delegações... Chegamos a andar até de camelo. Era tudo novidade”, empolgou-se. Os trajetos incluíram os luxuosos templos do país, com as autoridades locais fazendo todos os esforços para agradar os estrangeiros.

“Tivemos reuniões e jantares com xeiques, reis... Eles deram um relógio caro de presente para os árbitros. Foi muito bem organizado e nos colocaram em um hotel cinco estrelas espetacular”, recordou.

Em meio à mordomia, os árbitros também tinha trabalho no gramado, em um torneio com apenas quatro partidas. A organização colocou um jogo para cada um deles, revezando os demais como auxiliares. Além de Ulisses, os demais foram Jamal Al Sharif (da Síria), Rodrigo Sequeira Badilla (Costa Rica) e Lim Kee Chong An-Yan (Ilhas Maurício).

Acervo/Gazeta Press
Árbitro brasileiro encerrou a carreira em 1994
Depois de ter apitado a vitória saudita contra os norte-americanos, o brasileiro trabalhou no dia seguinte como bandeira na goleada da Argentina sobre Costa do Marfim. Na disputa pelo terceiro lugar, voltou a ser assistente, despedindo-se do torneio, tendo a certeza de que a competição prosperaria.

“Aquele primeiro torneio foi um teste, mas eu imaginava que poderia progredir. Infelizmente, eu estava beirando à aposentadoria na arbitragem e não pude participar de outros eventos. Mas me senti muito honrado por estar no país”, afirmou, lembrando que deixou o apito em 1994, rodando depois como gerente de futebol de algumas equipes do interior.

Hoje, aos 67 anos, Ulisses Tavares da Silva Filho está aposentado e observa apenas pelo televisor os jogos da Copa das Confederações no Brasil. “Não tem comparação entre aquele torneio de quatro seleções com o que é feito hoje, com oito. O crescimento do futebol e na organização é muito importante”.

O que o deixa triste é não ver um brasileiro sequer entre os árbitros do torneio. “Isso é muito ruim, não é possível que uma potência do futebol como o Brasil não tenha ninguém nesta competição”, encerrou.

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