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Futebol/Copa das Confederações - ( - Atualizado )

Neymar perde o dom da paciência enquanto recupera o de jogar futebol

Helder Júnior, enviado especial Brasília (DF)

Neymar declarou nesta quinta-feira que foi agraciado por Deus com dois dons: ser paciente e jogar bem futebol. Em entrevista coletiva concedida no hotel onde a Seleção Brasileira está hospedada em Brasília, local da estreia na Copa das Confederações, o atacante do Barcelona provou que a calma já não é a mesma – muito em função das contestações sobre o seu desempenho.

O primeiro dos muitos sinais de irritação de Neymar apareceu quando ele foi questionado sobre uma suposta lesão no joelho. “Não sei se você acompanha a Seleção Brasileira, mas não fico fora de nenhum treinamento”, rebateu, em uma de suas muitas respostas atravessadas. “Então, não tenho nada no joelho. Nenhum jogador atua 100%. Sempre há uma dor aqui e outra ali. Mas estou bem para jogar, à disposição do treinador.”

Com ou sem o seu joelho exposto na Seleção, Neymar tem recebido proteção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O atacante foi o último atleta a falar em entrevista coletiva durante a preparação para a Copa das Confederações e sempre é alvo de defesas acaloradas do técnico Luiz Felipe Scolari e de seus companheiros. “Parece que todos somos amigos desde criança”, disse, com o seu sorriso característico. Para seguir alegre, ele até pediu – e ganhou – a camisa 10 do Brasil para vestir nos últimos e próximos jogos.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Neymar perdeu a calma ao dizer que seu joelho está bom e ao defender as atuações pela Seleção
Recentemente, não é preciso fazer muito esforço para fazer Neymar parar de rir. Basta, por exemplo, perguntar sobre o seu fraco rendimento na Seleção Brasileira se comparado ao que já mostrou no Santos. “Não tem como eu ser o Neymar do Santos, até porque hoje sou do Barcelona”, contestou. “Nunca mudei o meu jeito de jogar, independentemente do time. Se cheguei à Seleção, é porque o que fiz pelo Santos estava certo. Por que eu mudaria agora? Isso não tem nada a ver”, esbravejou.

Mesmo a contragosto, a referência do Brasil – pelo menos fora de campo – apresentou algumas versões para justificar a falta de brilho pela Seleção. “Temos um treinador aqui, e ele pede para fazermos algumas coisas dentro de campo, como marcar e aumentar a movimentação. O entrosamento com os jogadores também é diferente. A gente ainda está se conhecendo aqui. Vamos achar um time primeiro, e estamos encontrando isso, para a qualidade vir naturalmente depois”, ordenou.

Neymar não quis que a sua explicação soasse como uma crítica a Felipão. Tanto é que ressaltou bastante o fato de o Brasil já estar mais próximo de uma formação ideal e deu novos argumentos ríspidos a quem insistia em questionar o modo como reage à exposição. “Se eu marco muito, alguém reclama. Se eu não corro, reclamam. Se eu não driblo, é porque não driblo. É complicado. Às vezes, não consigo entender algumas pessoas”, comentou o atleta, alvo preferencial de vaias da torcida quando defende a Seleção.

O auge do desabafo de Neymar ocorreu quando o seu jejum de gols foi contabilizado publicamente. “Isso não significa nada. Nada! Não é isso que vai mudar alguma coisa. Fazendo gol ou não, quero ajudar a Seleção de alguma forma. É claro que quero marcar gols. Se não der, paciência”, aceitou aquele que se diz abençoado com talento para ser paciente e para jogar futebol. “A minha cabeça está tranquila. Sou um cara que não liga muito para tudo o que vem acontecendo na vida”, concluiu o maior astro e camisa 10 do Brasil, tentando recobrar a calma.

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