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Futebol/Copa das Confederações - ( - Atualizado )

Primo e sorte ajudaram taitiano a destoar e tornar futebol profissão

Tossiro Neto, enviado especial Belo Horizonte (MG)

Atacante da seleção taitiana que estreia neste domingo na Copa das Confederações, Marama Vahirua é jogador profissional de futebol. Soa óbvio, mas não é. Único dos convocados pelo técnico Eddy Etaeta a usufruir da bola como instrumento de trabalho, ele terá em campo a companhia de compatriotas que ganham a vida através de impensáveis ocupações, como o alpinista Tehevarii Ludivion, zagueiro do time.

"Nove deles não têm emprego. O resto tem diferentes perfis", diz o treinador. "Alguns são entregadores, outros motoristas de caminhão, professores de educação física, contadores... Meu jogador de defesa sobe montanhas o dia inteiro e vai para o treino às cinco da tarde. Essa é a vida diária da maioria deles. Acredito que essa experiência vá mostrar nossa necessidade de profissionalismo".

Marama trilhou caminho distinto por não se contentar com o amadorismo na ilha em que nasceu. Inspirado por Pascal Vahirua (primo mais velho, que se naturalizou francês e até disputou a Eurocopa de 1992, sob comando de Michel Platini), mudou-se aos 18 anos para a França e, três temporadas depois, já era campeão nacional pelo Nantes. Tudo muito rápido.

AFP
Marama mostrou e admitiu timidez em entrevista
"Eu diria que tive sorte, porque saí da Polinésia Francesa bem jovem e encontrei pessoas certas na hora certa para chegar ao nível profissional. Conheci pessoas extraordinárias que me permitiram crescer", conta o tímido atleta de 33 anos, que foi emprestado para o futebol da Grécia depois de passagens por Nice, Lorient, Nancy e Monaco.

O curioso é que o jogador mais conhecido – ou de maior destaque – da seleção do Taiti jamais atuou por ela em um jogo oficial. Até um mês atrás, ele nunca havia abdicado dos compromissos em seus clubes para representar a nação. Com o título da Copa das Nações da Oceania do ano passado e a consequente vaga inédita no torneio intercontinental, o técnico Eddy Etaeta, enfim, conseguiu levá-lo.

Segundo mais velho do grupo, atrás apenas do goleiro Xavier Samin, Marama tentou compartilhar suas experiências nos treinos e amistosos antes da estreia. "Mas até mesmo para mim é tudo bastante novo. Nunca vivenciei isso. Nunca participei de uma competição como essa. Estou sonhando acordado. Muitas pessoas me ajudaram durante minha carreira, e este é um presente que está sendo dado a mim pelo meu país".

Titular neste domingo, contra a Nigéria, o atacante de camisa 3 sabe que um bom resultado no Mineirão, a partir das 16 horas (de Brasília), beira o impossível. Por isso, sua principal esperança é que a participação do Taiti motive o futebol de lá, em um futuro próximo, a não precisar de raras inspirações ou de sorte. Nem de alpinistas ou motoristas de caminhão.

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