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Futebol/Copa das Confederações - ( - Atualizado )

Último campeão, Lúcio aposta na torcida para Brasil superar Espanha

Luiz Ricardo Fini e Tossiro Neto São Paulo (SP)

Último jogador a levantar o troféu de um torneio como capitão da Seleção Brasileira principal, o zagueiro Lúcio não vê a equipe de Luiz Felipe Scolari como favorita para a Copa das Confederações, mas acredita nas condições de o time anfitrião se sagrar campeão por atuar com o apoio da torcida.

Nesta entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.net, concedida antes das convocações das seleções, o zagueiro apontou a Espanha como principal candidata no torneio que começa neste fim de semana, mas vê o lado motivacional como fundamental para o Brasil voltar a ser campeão da competição.

A Seleção não conquista uma taça em campeonato desde 2009, justamente quando Lúcio marcou o gol do título na vitória por 3 a 2 contra os Estados Unidos, na Copa das Confederações da África do Sul. Na edição anterior, o zagueiro ainda teve a chance de comemorar o troféu na Alemanha, onde atuava pelo Bayern de Munique e teve o apoio da torcida local.

Porém, para chegar às conquistas, Lúcio teve de amargar dois vexames em Copa das Confederações, em 2001 e 2003. Agora, o pentacampeão mundial fica na torcida para que a equipe de Felipão aproveite a “grande chance de conquistar mais um título”.

Gazeta Esportiva.net: Você foi o último jogador a levantar um troféu pelo Brasil, na Copa das Confederações de 2009. Qual é a importância desta competição?
Lúcio: Título é sempre importante. Se você vai lá e não ganha, o pessoal coloca outro peso, falando que o time está ruim, não serve e tem de mudar. Se estiver disputando, você tem de mostrar seu valor. Claro que não é tão importante quanto uma Copa do Mundo, mas tem valor.

GE.net: Aquele título de 2009 ajudou a dar confiança à Seleção em meio às críticas ao técnico Dunga?
Lúcio: Críticas sempre vão existir no futebol, mas o que me marcou naquele grupo foi a união, o respeito um pelo outro e a vontade de vencer. Sempre comentávamos que não tinha titular e nem reserva. Quando um não podia jogar, o treinador já sabia que tinha um substituto e que poderia contar com outro. Ele acreditava nos jogadores que tinha em mãos.

GE.net: O Brasil estava perdendo por 2 a 0 para os Estados Unidos na final, quando o Luis Fabiano marcou duas vezes e empatou. Você foi o responsável pelo gol do título, aos 39 minutos do segundo tempo. Foi um dos mais importantes de sua carreira?
Lúcio: Sim. Foi um dos mais importantes na Seleção. O título também foi importante, atuando como capitão. Nós nos preparamos bem para fazer uma boa partida e treinamos muito jogadas de bola parada. Naquela situação, foi um pouco diferente, porque nossa equipe saiu perdendo por 2 a 0 e, depois, conseguiu empatar. Nos últimos minutos de jogo, consegui fazer um gol marcante e importante para a minha carreira, foi inesquecível.

GE.net: Além de fazer o gol, você teve a experiência de levantar o troféu. Tinha um significado a mais?
Lúcio: A responsabilidade aumenta, mas a minha maior alegria foi ver meus companheiros alegres, sabendo que dei uma contribuição positiva para que chegássemos até ali. Independentemente do gol, a equipe toda conseguiu vencer e ser campeã da competição.

GE.net: Desde que chegou ao São Paulo, você conversou com o Luis Fabiano sobre aquele título?
Lúcio: Sim, nós conversamos, até porque somos companheiros de quarto e ficamos revendo algumas fotografias. Um passa a foto que tem para o outro. Foi um momento legal, porque o grupo estava bem fechado, tinha união. Além de companheiros de Seleção, acabamos nos tornando grandes amigos e são coisas que vamos guardar para o resto da vida.

GE.net: Você se tornou amigo do Luis Fabiano na época de Seleção?
Lúcio: Foi nessa época. A gente tinha um entrosamento legal, assim como Kaká e Juan. Aquele grupo era muito fechado e tinha uma amizade bem verdadeira, todo mundo se respeitava bastante e acho esse o reflexo automático do bom relacionamento.

AFP
Lúcio marcou o gol do título e levantou a taça da Copa das Confederações de 2009 (Foto: Alexander Joe/AFP)
GE.net: Agora, como você imagina para a Seleção Brasileira jogar aqui na Copa das Confederações?
Lúcio: Todo mundo espera que a torcida apoie e possa dar sua contribuição, para ajudar a Seleção. É a grande chance de conquistar mais um título, agora jogando em casa. Claro que a Seleção vai ter de ter a sabedoria de jogar e lidar com a pressão normal. O importante é aproveitar a torcida ao seu favor.

GE.net: Geralmente, a Seleção Brasileira é quem sai para essas competições. Agora, os países de fora vêm para cá. Você acha que eles terão dificuldades de adaptação?
Lúcio: Acho que sempre tem essa dificuldade, até porque são cultura e clima diferentes, mas é dentro de campo que se resolve e quem tiver maior qualidade e competência vence.

GE.net: Você acha que vai ser importante também para o torcedor entender como vai ser na Copa do Mundo?
Lúcio: Quanto mais os jogos são difíceis, mais apoio precisa. Isso o torcedor brasileiro tem de fazer. Sempre vai existir cobrança, mas, na hora do jogo, tem de ter apoio e algo a mais pela vantagem de estar jogando em casa. O Brasil tem de saber se aproveitar bem disso.

GE.net: Apesar de o Brasil jogar em casa, você acha que a Espanha pode ser a equipe a ser batida?
Lúcio: O favoritismo sem dúvida está com a Espanha, por ter sido a última campeã mundial, ter uma equipe forte, com grandes nomes. Ela entra na competição como favorita, pelo elenco que tem e pelos títulos que vem conquistando, como Copa do Mundo e Eurocopa. Sem dúvida, é uma equipe de muita qualidade.

GE.net: Se a Espanha é favorita, em que nível o Brasil está na briga pelo título?
Lúcio: Acho que logo em seguida aparece o Brasil, pelo fato de jogar em casa. Tem de aproveitar este ponto positivo de ter o apoio da torcida e conhecer o País, os estádios...

GE.net: Na verdade, os jogadores não conhecem tão bem os estádios, que são novos. Isso causa algum prejuízo?
Lúcio: Digo que conhece por jogar no Brasil e ter a facilidade de treinar na hora em que quiser, sem a restrição dos outros países. Existe a facilidade por estar mais próximo dos locais de jogos.

GE.net: A Copa das Confederações vai ser um teste para o País também?
Lúcio: Com certeza, para se preparar bem e ver o que está certo e o que tem de melhorar para a Copa do Mundo.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Zagueiro Lúcio disputou quatro edições da Copa das Confederações: ganhou duas e perdeu duas
GE.net: Você conhece o Felipão muito bem. Como você acha que ele vai trabalhar a questão da torcida junto com a Seleção?
Lúcio: Acredito que a principal arma do Brasil vai ser a motivação, com o apoio fundamental da torcida. Com todo mundo entrando motivado e com a qualidade dos jogadores, a Seleção tem condições de vencer a Copa das Confederações.

GE.net: Sua primeira Copa das Confederações foi em 2001, quando o técnico Emerson Leão imaginava ter o respaldo da CBF para não levar jogadores badalados, mas foi demitido na volta do torneio.
Lúcio: É isso o que digo. Antes de começar, a competição não tinha peso e valor, não davam uma importância maior. Depois que perdeu, chegou ao ponto de o treinador ser demitido. Quando você entra em campo, vai disputar o título para guardá-lo em sua carreira. Tem de entrar em todas as competições para vencer.

GE.net: Como foi esta primeira Copa das Confederações que você disputou?
Lúcio: Era uma das primeiras convocações ainda, e a Seleção estava em momento complicado, conseguiu depois se classificar com dificuldade para a Copa do Mundo. No meu caso e no de outros jogadores também, os clubes não queriam nos liberar para ir ao Japão, porque preferiam que nós tivéssemos um descanso maior. Na metade da competição, acabei machucando meu pé e não participei do último jogo. Não foi uma das melhores (competições). Além disso, não tivemos um tempo de preparação e entrosamento para pegar um ritmo de jogo.

GE.net: Teve um peso não contar com jogadores balados?
Lúcio: Acho que a logística pode ter atrapalhado um pouco. Se comparar com 2005, o Parreira também abriu mão de alguns jogadores na Copa das Confederações e conseguimos o título na Alemanha. Em 2005, a equipe estava mais estruturada, tinha uma base, enquanto em 2001 passávamos por dificuldade também nas Eliminatórias. Tudo isso somou para que no final não tivéssemos um bom resultado no Japão.

GE.net: Mesmo assim, você ficou surpreso com a demissão do Leão?
Lúcio: Todo mundo ficou, não só eu, até porque a princípio não era o que a diretoria da CBF tinha comentado. Claro que ficamos surpresos e tristes, porque ele era nosso comandante. Quando perde, é com todo mundo. Ficamos com uma pontinha de tristeza.

GE.net: Em 2001, foi a primeira vez que a Fifa colocou a Copa das Confederações como teste no mesmo país da Copa do Mundo. Você acha que ajudou para vocês conhecerem o Japão e a Coreia do Sul?
Lúcio: É uma ajuda muito grande poder conhecer o país, onde vai ficar, os estádios em que vão ter jogos... É uma vantagem para as Seleções que participam da Copa das Confederações, porque se trata de uma adaptação.

AFP
Lúcio foi campeão com a Seleção na Alemanha, com vitória sobre Argentina na final (Foto: Marcus Brandt/AFP)
GE.net: Depois do fracasso em 2001, o Brasil foi eliminado na primeira fase da edição de 2003. O que aconteceu?
Lúcio: Foi em uma data muito estranha. Para nós, a Copa das Confederações seria sempre um ano antes da Copa do Mundo. Era complicado para todo mundo jogar em 2003. Alguns clubes bateram o pé para não liberar seus jogadores, pelo desgaste e pelo risco de lesão. O Brasil não conseguiu jogar bem e não teve a preparação adequada também.

GE.net: O Brasil já tinha o status de pentacampeão. Acha que isso pesou?
Lúcio: Eu não me recordo bem se estavam todos os jogadores lá (O Brasil não contou com atletas como Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo e Rivaldo no torneio). Isso também dificulta bastante. Tivemos de nos adaptar rápido à troca de jogadores, ao ambiente e fomos para a França. Essa falta de preparação muitas vezes atrapalha sim a Seleção, que tem sempre pouco tempo para treinar.

GE.net: Depois de duas edições, você ganhou sua primeira Copa das Confederações em 2005. Teve um sentimento diferente?
Lúcio: Toda competição é importante para mim, mas, naquela ocasião, eu estava jogando pelo Bayern de Munique e toda minha família estava lá na Alemanha. Tivemos um tempo de preparação melhor, a estrutura na Alemanha era excelente e o grupo estava muito focado, com um tempo melhor trabalhando com o Parreira. Nós já nos conhecíamos e tínhamos um entrosamento.

GE.net: Mas a Copa das Confederações estava engasgada para você?
Lúcio: Eu não diria engasgada, mas, quando você joga duas vezes e perde, não vai querer jogar a terceira para perder, ainda mais representando o Brasil, que tem uma camisa com peso muito grande. Sabemos que a cobrança também é grande e aquele era um momento especial, até porque estavam outras grandes seleções, como a Alemanha. A final foi contra a Argentina e era uma chance de o Brasil mostrar nosso valor e nossa força. Motivou muito o grupo jogar contra grandes seleções.

GE.net: O torcedor alemão te apoiou no torneio?
Lúcio: Eles me apoiaram só depois que eliminamos a Alemanha (risos). Eles têm um carinho muito grande por jogadores brasileiros, mas são patriotas. A Alemanha vem crescendo bastante, fez a final com a gente e chegou muito bem em 2006. Eles nos respeitam, mas a torcida maior era para o país deles. Já depois que eliminamos a Alemanha por 3 a 2, quando andávamos nas ruas, podíamos ver o apoio deles mais para os brasileiros do que para os argentinos.

GE.net: Antes de o Brasil jogar contra a Alemanha, os alemães te provocavam nas ruas?
Lúcio: Eu tinha contato com alguns jogadores, como o Olivar Kahn, que era goleiro do Bayern, além de Schweinsteiger, Ballack, Podolski... Nós brincávamos e falávamos que iríamos nos encontrar. Eu dizia que o Brasil ganharia, e eles falavam que a Alemanha venceria. Depois do jogo, eles disseram que nós demos sorte, ou seja, eram coisas normais. Mas, da torcida, não tinha nada, até porque o torcedor alemão é bem justo, sabe ganhar e também perder. Neste sentido, é um país quase perfeito.

GE.net: E como foi vencer a Argentina na final?
Lúcio: A alegria de ganhar um título já é grande, ainda mais contra a Argentina por um placar elástico, de 4 a 1. Não foi só pelo resultado, mas pela forma que nossa equipe jogou, com um futebol de qualidade e muito entrosamento. Fizemos belíssimos gols e nos defendemos bem, conseguindo impor nosso futebol dentro daquele jogo. Foi uma alegria muito grande. Nós, jogadores, festejamos muito em campo, porque sabíamos da rivalidade e também reconhecíamos o bom time da Argentina, que poderia ter vencido.

GE.net: A Itália disputará a Copa das Confederações aqui. Algum italiano ligou para te pedir conselhos sobre jogar no Brasil?
Lúcio: Não, não... Eu não tenho tanto contato e intimidade com os italianos.

GE.net: Se a Alemanha viesse, você teria uma proximidade?
Lúcio: Com alguns, sim. Talvez o Schweinsteiger, que é com quem mais tenho contato. Trocamos algumas mensagens, mas não com os da Itália. Tenho amigos lá também, mas não a ponto de manter contato.

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