Futebol/Brasileiro Série B - ( )

Após dois gols, Kardec promete: "Não vou pedir vaga nos microfones"

William Correia São Paulo (SP)

Após ter cabeceado na trave a bola que virou gol de Valdivia em sua estreia no Palmeiras, Alan Kardec ouviu cobranças em seu segundo jogo pela chance perdida no empate com o Guaratinguetá. Mas respondeu nessa terça-feira saindo do banco para fazer dois na goleada sobre o Icasa. E já avisou: não vai ser nas entrevistas que conquistará a confiança de Gilson Kleina.

“Não tenho que ficar nos microfones pedindo uma posição e falando que tenho que ser titular. As coisas acontecem com trabalho, e tenho trabalhado para estar no meu melhor nível físico e técnico. E é claro que ainda não estou no meu melhor”, admitiu o centroavante, que sempre fala em paciência e inteligência para saber que é necessário melhorar após ficar um mês em inatividade antes de acertar com o Verdão.

“Fico muito feliz por ter feito esses gols em casa, a confiança aumenta, é uma coisa boa e gostosa de curtir, ainda mais em uma vitória. Mas, no fundo, tenho que manter os pés no chão. Vão acontecer partidas em que a bola dá na trave, como contra o Figueirense no gol do Valdivia. É gostoso marcar gol, mas preciso ter calma e ser inteligente”, prosseguiu.

Com o discurso e o desempenho nos treinos e jogos, o camisa 14 já faz o suficiente para agradar o técnico, que vê sua titularidade como questão de tempo. Mas ele prefere não crer tanto nisso. “Sonho em ser titular, mas o futebol dá muitas voltas. Já vi o futebol pregar muitas peças. Se me perguntarem, é claro que quero jogar, minha cabeça é sempre trabalhando para jogar e a tendência é evoluir, mas ainda estou em processo de evolução e adaptação.”

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
O camisa 14 está consciente de que ainda não tem a mesma condição física dos colegas para ser titular do Palmeiras
As entrevistas ofegantes no Pacaembu provam que a parte física precisa melhorar. “Foram 30 minutos, mas senti um pouco mais. Foram 30 minutos intensos, com 1 a 0 no placar, requerendo atenção total sem descuido na marcação, voltando para ajudar. Entrei dando alguns piques e o ritmo é completamente diferente de quando você inicia a partida”, explicou.

“Se me colocarem e eu jogar os 90 minutos, vou dizer que aguentei, mas podem me colocar e eu aguentar só 60, 70, sentir câimbras ou um cansaço maior. Os jogos vão dizer o meu limite, só os reconheço quando me esforço ou vou buscá-lo. E tenho que me cuidar para aguentar o restante da temporada”, continuou o atleta, consciente até de que nem sempre será elogiado como diante do Icasa.

“A cobrança é natural. Quando se está nos maiores clubes, é assim. Os torcedores cobram falando ‘pô, vamos fazer gol, precisamos de você’. Quero trabalhar, dar o meu melhor em campo e retribuir, primeiramente, ao carinho e à confiança que a diretoria, a comissão técnica e meus companheiros têm passado porque são coisas que naturalmente acontecerão para o carinho da torcida”, declarou.

A consciência de sua missão, ao menos, já está clara. “Sou um centroavante, um camisa 9, e preciso estar preparado para as oportunidades que aparecerem. Trabalho para fazer os gols, vivo disso, mas, acima de tudo, tenho que trabalhar com seriedade e humildade para ajudar a equipe com as minhas características”, concluiu Alan Kardec.

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