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Futebol/Recopa Sul-americana - ( )

Bicampeão, Ceni arremessou medalha de prata à torcida em 2006

Tossiro Neto São Paulo (SP)

O goleiro Rogério Ceni ganhou três medalhas da Recopa, mas só tem duas delas. Ele - que nesta quarta-feira volta a disputar o tira-teima continental, desta vez como campeão da Sul-americana, contra o Corinthians - ainda guarda as de 1993 e 1994 (de ouro), quando foi reserva de Zetti, mas se desfez da prata de 2006 poucos passos depois de ganhá-la do então presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, no Morumbi.

O São Paulo havia sido derrotado pelo Boca Juniors por 2 a 1 no jogo de ida, em La Bombonera, e perdeu o título em casa, na noite de 14 de setembro, ao empatar por 2 a 2. Assim que recebeu a premiação do vice-campeonato, o camisa 1 a retirou do pescoço, desceu do palanque, caminhou em direção ao setor onde ficam pessoas com deficiência e a arremessou.

"Em primeiro lugar, a medalha é minha e eu faço com ela aquilo que eu achar melhor", disse o jogador, à época. "Segundo, que eu joguei para o torcedor como forma de agradecimento pelo fato de ele estar lá incentivando", emendou, para negar que estivesse desvalorizando a segunda colocação, posto em que sua equipe tinha ficado também no Paulista e na Libertadores.

Na semana seguinte, o torcedor contemplado - um deficiente auditivo de 27 anos - foi ao CT da Barra Funda e tirou fotografia com todo o elenco. Inclusive com Ceni, o qual não aceitou a devolução da medalha, reforçando se tratar de um presente. Meses mais tarde, noticiou-se que amigos do goleiro tomaram a iniciativa de comprá-la de volta por R$ 300 por entender que deveria ficar com o verdadeiro dono. Sua assessoria agora nega.

Montagem sobre fotos de Djalma Vassão/Gazeta Press
Goleiro a retirou do pescoço pouco depois de ganhá-la das mãos do ex-presidente da Conmebol, Nicolás Leoz
No mesmo ano, o ídolo são-paulino também se desfez da medalha de campeão brasileiro. Mas o gesto e a expressão foram diferentes. Antes de atirar a peça de ouro na arquibancada, ele a beijou, sorrindo. Foi uma forma de encerrar a polêmica anterior, fazendo outro torcedor sortudo mais alegre com alguns dias de fama.

Ceni agora vai passar por nova premiação da Recopa, oito anos mais tarde, provavelmente na última temporada da carreira. Depois de bater Cruzeiro e Botafogo e perder para o Boca, o adversário será o Corinthians. "Uma final importante, porque é uma competição internacional, e teremos um rival tradicional. Vamos em busca desse título e, independentemente das dificuldades, precisamos vencer", falou ao site do clube.

O primeiro duelo está marcado para 21h50 (de Brasília) desta quarta-feira, no mesmo Morumbi onde o goleiro arremessou as medalhas. Já a segunda e decisiva partida será em 17 de julho, com mando de campo do campeão da Libertadores, no Pacaembu.

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