Futebol/Recopa Sul-americana - ( - Atualizado )

Guerrero revê técnico que "manja muito" e o levou à seleção do Peru

Marcos Guedes e Tossiro Neto São Paulo (SP)

Paolo Guerrero afirma com frequência que disputar uma Copa do Mundo com a seleção peruana é o seu maior sonho no futebol. Essa possibilidade começou a tomar forma em 2004, quando o centroavante, então com 20 anos, foi convocado pela primeira vez. O técnico era Paulo Autuori, seu adversário na decisão da Recopa desta quarta-feira.

Promessa contratada pelo Bayern de Munique logo depois de se tornar profissional, o garoto ganhou a confiança do comandante brasileiro mesmo estando na equipe B do clube alemão. Do primeiro gol em uma partida contra o Chile até hoje, sua participação na equipe nacional foi contínua e motivo de muito orgulho.

“Todos sabem o sentimento que tenho por defender o meu país. Foi ele quem me chamou pela primeira vez. É um técnico que vai muito bem na parte tática, manja muito de futebol. Estou certo de que vai ser bom para o São Paulo”, comentou Guerrero, em entrevista à Gazeta Esportiva.

Divulgação
Paulo Autuori não se importou com o fato de Guerrero estar no time B do Bayern e o chamou à seleção
A parceria entre eles não foi suficiente para colocar o Peru no Mundial de 2006. A fraca campanha nas Eliminatórias --- nono lugar entre dez participantes --- foi repetida no torneio classificatório para 2010. Pior, a seleção alvirrubra ficou em último lugar, bem distante da África do Sul.

Na luta para jogar no Brasil em 2014, a situação é difícil, mas a chance é real. Os peruanos estão na sétima colocação, mas a apenas dois pontos do Uruguai, atual dono da quinta posição --- posto que vale vaga na repescagem. As próximas rodadas são justamente contra o Uruguai, em casa, e contra a Venezuela, sexta colocada, fora.

Até agora, a maior glória oferecida aos peruanos por Guerrero foi vestindo a camisa do Corinthians. O herói alvinegro no último Mundial se enrolou na bandeira do seu país depois de, nas próprias palavras, “jogar para c...” em Yokohama e foi recebido por uma multidão insana na chegada a Lima.

Divulgação/Agência Corinthians
O título mundial do Corinthians, em 2012, foi encarado pelos peruanos como uma conquista do próprio Peru
O sonho maior, no entanto, ainda é um objetivo inalcançado. A vontade de jogar a principal competição do futebol ainda é a mesma exibida quando, menino cabeludo, fez gol pela seleção principal pela primeira vez. Com Autuori no banco, substituiu Pizarro, à época astro da versão A do Bayern, e balançou a rede.

“Eu o chamei pela primeira vez. Em sua estreia, ele fez gol contra o Equador”, confundiu-se o atual treinador do São Paulo. Guerrero marcou também contra o Equador, mas sua estreia foi em uma derrota para a Bolívia -- no jogo seguinte, fez um dos gols da vitória por 2 a 1 sobre o Chile e causou surpresa geral.

“Era um jogador que tinha saído muito cedo do Alianza. Havia uma contestação muito grande porque eu estava convocando um jogador de uma equipe B, mas o argumento era simples: naquela altura, o nível competitivo dele era muito mais alto do que o daqueles que jogavam as competições internas”, disse Autuori.

“Guerreiro mesmo”
Em 17 de novembro de 2004, além de Paolo Guerrero e Paulo Autuori, estavam no Estádio Nacional de Lima os jogadores Maldonado e Valdivia. O meia, que chegaria ao Palmeiras em 2006, substituiu o volante --- então no Cruzeiro, hoje companheiro de Paolo no Corinthians --- para tentar virar o jogo.

Valdivia entrou aos 30 minutos do segundo tempo, quatro depois de Guerrero, mas foi o peruano que acabou fazendo diferença, recebendo bola longa, dividindo com o goleiro Tapia e marcando um gol chorado que a Fiel se orgulharia de chamar de seu. Sebastian González descontou nos acréscimos e não impediu o triunfo por 2 a 1 dos anfitriões.

Autuori já via ali as características que fariam os corintianos felizes quase uma década depois. “Ele é um jogador de muita movimentação, muita mobilidade. Guerreiro mesmo, não foge ao nome. Não foi difícil colocá-lo no time. Com felicidade, vi que sua carreira cresceu, e ele comprovou isso vindo para o Brasil”, afirmou.

O reencontro está marcado para as 21h50 desta quarta-feira, no Estádio do Pacaembu. Após um abraço, o guerreiro Paolo tentará driblar as armadilhas táticas armadas por um técnico que “manja muito”.

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