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Sem porta-voz, são-paulinos temem entrevistas em meio à crise

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Ninguém no São Paulo quer falar. Em meio à série de dez jogos sem vitória e às polêmicas fora de campo com a diretoria, a assessoria do clube tem dificuldade para convencer alguém a conceder entrevista. Nem mesmo os atletas mais experientes têm aceitado a função de porta-voz do elenco para tentar superar a fase ruim.

"Já vim em situações em que o time estava bem e pude fazer a entrevista mais sossegado", admitiu Jadson, eleito para a missão na segunda-feira. "Os jogadores querem vir em um momento bom para falar coisas boas. Nenhum jogador quer vir neste momento, mas estou aqui, chegou minha vez, e tenho que responder às perguntas que fazem para a torcida, para a crônica".

Fernando Dantas/Gazeta Press
Na última segunda-feira, missão foi do meia Jadson
O meia é um dos poucos poupados pela torcida nos últimos tempos. Jogadores como o zagueiro Lúcio e o atacante Luis Fabiano, alvos de protestos das arquibancadas, têm longos intervalos entre uma entrevista e outra. Até Rogério Ceni, capitão e principal líder do elenco, também costuma falar apenas depois dos jogos, nas saídas de campo.

A última entrevista do goleiro, a propósito, resultou em atrito com Adalberto Baptista. Após o camisa 1 dizer que o clube havia parado no tempo, o diretor de futebol respondeu que ele estava de cabeça quente, dentre outros motivos, porque as dores no pé direito o estavam limitando tecnicamente. Depois, o dirigente reuniu o elenco a fim de pôr fim à divergência com o capitão.

A par de tudo, o técnico Paulo Autuori tem enfrentado as polêmicas de frente. Nem por isso, porém, deixa de se preocupar com que elas sejam evitadas em entrevistas.

"Hoje em dia, o treinador não pode estar ligado só às coisas que se passam dentro de campo, tem que administrar pessoas. Não é fácil. Sem tirar a liberdade de cada um ser o que é, mas isso é algo que vou conversando com os jogadores, para que o grupo esteja focado apenas no futebol, em ter performance", opinou o comandante, na semana passada.

Para Jadson, essa preocupação deixará de existir quando o time voltar a vencer. "Estamos passando por um momento de turbulência. Não só jogadores, mas também torcedores, diretoria. Temos que dar a volta por cima, tentar mudar essa situação o mais rápido possível".

A próxima chance de vitória será às 21 horas (de Brasília) desta quarta-feira, contra o Internacional, no Morumbi, em partida antecipada da 12ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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