Futebol/Recopa Sul-americana - ( )

Tite prefere festejar com caipirinha a planejar renovação contratual

Helder Júnior São Paulo (SP)

Tite se enrolou em uma bandeira do Corinthians para dar uma volta olímpica, isolado de seus jogadores, logo após a conquista da Recopa Sul-americana. Acenou para o público que o ovacionava e, como já notou a sua filha, não dispensou o cumprimento “com uma batida de mão seguida de um soquinho” ao ficar diante de uma criança. Tudo o que ele queria naquele momento era festejar.

Em 2012, Tite previu saída do Timão

O presidente Mário Gobbi, ao contrário, já estava preocupado com o futuro do Corinthians – e com o do próprio Tite – assim que a decisão com o São Paulo acabou. Avisou que se inquietava com a sequência da temporada e principalmente com a possibilidade de perder o treinador no final do ano, quando acabará o vínculo estabelecido em contrato.

“Vamos comemorar agora. Sei que o presidente também quer comemorar”, supôs Tite, sem disposição para projetar qualquer negociação para prolongar a sua trajetória no Corinthians. “Prefiro tomar uma caipira com a minha esposa e falar com os meus filhos. O resto pode esperar”, postergou o comandante, que sempre cita a caipirinha como o drinque ideal para os seus momentos de alegria profissional.

Nos últimos anos, Tite teve vários motivos para se embriagar com as suas “caipiras”, como gosta de dizer. O técnico que foi mantido pelo clube mesmo com a vexatória eliminação na pré-Libertadores de 2011, diante do colombiano Tolima, conquistou o Campeonato Brasileiro daquele ano, a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes de 2012 e o Campeonato Paulista e a Recopa nesta temporada.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Tite foi abraçado pela diretoria durante a festa no Pacaembu, mas preferiu pensar na "caipira"
“Já me falaram que me tornei o técnico mais vitorioso do Corinthians, mas eu estava meio aéreo. É claro que fico contente com isso. Não sou falso humilde. Mas tenho inteligência de saber que tudo é resultado do trabalho de um conjunto. Sei reconhecer o esforço de todo o estafe, do grupo de atletas”, discursou o multicampeão.

Tite não se esqueceu nem mesmo de lembrar um dirigente que não trabalha mais (pelo menos oficialmente) no Corinthians, aquele que foi responsável por sua contratação e por segurá-lo após o fracasso contra o Tolima. “Agradeço muito ao Andrés Sanchez, que vai se recuperar legal (operou uma hérnia abdominal nesta semana), por ter apostado na minha competência e integridade moral. Um abraço no coração dele. Sou um profissional muito feliz, privilegiado”, disse.

Apesar de tamanha felicidade regada a caipirinhas, Tite já chegou a dar indícios de que pretendia findar o seu ciclo vitorioso no Corinthians. Em novembro do ano passado, em entrevista para a Gazeta Esportiva, o treinador admitiu que pretendia deixar o Parque São Jorge em 2014, em função do desgaste natural e da cultura de rotatividade de técnicos do futebol brasileiro.

Agora, ele desconversa. Tite falou que novos desafios aparecem para se manter motivado no Corinthians depois que o jogo com o São Paulo acabou, com vitória por 2 a 0, e evitou expor as suas pretensões. Nem mesmo aquelas relacionadas ao Campeonato Brasileiro, que já está em andamento.

“Deem dois dias para eu responder de novo sobre o Brasileiro, por favor. Palavra de honra que quero relaxar agora. Acabamos de ser campeões, superando uma responsabilidade maior do que a do São Paulo, pois eles estão em meio a uma reciclagem. Jogar com esse peso nas costas é fogo”, sorriu Tite, bem mais leve com o reconhecimento que teve de diretoria e torcedores. “Faço a minha oração de agradecimento e fico na dúvida se mereço tudo isso que está acontecendo comigo.”

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