Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

Entre discursos, Palmeiras faz buffet virar estádio na festa oficial

William Correia São Paulo (SP)

O tradicional banquete de aniversário do Palmeiras não ocorreu na sede social do clube porque o Palestra Itália segue sob reformas, mas os presentes na festa oficial, em um buffet na Vila Olímpia, deram um ar de estádio ao local. Sob gritos comuns em arenas mesmo antes de a casa alviverde entrar em obras, o Verdão celebrou a entrada de seu 99º ano de vida.

Os festejos com a presença de conselheiros e convidados especiais – todos entrando com um papel que continha a assinatura do presidente Paulo Nobre feita pessoalmente por ele à caneta – começaram no início da noite dessa segunda-feira, exatamente o dia do 99ª aniversário palmeirense, e só acabaram durante a madrugada.

A ideia era encerrar o jantar próximo às 23 horas (de Brasília), horário no qual, segundo registros, o Palestra Itália foi fundado em 26 de agosto de 1914. Mas já era quase meia-noite quando Nobre reuniu seus vices-presidentes e os presidentes do Conselho Deliberativo e do Conselho de Orientação e Fiscalização do clube no palco para segurar uma grande bandeira palmeirense e cantar o hino.

A ordem era para que todos os presentes tivessem uma taça de champanhe na mão para celebrar o último aniversário antes do centenário, mas não foi necessário o incentivo. Convidados subiam nas mesas e cadeiras, usavam apoios de prato e talheres como instrumentos e cantavam com tanto entusiasmo que cobriam o hino executado nas caixas de som.

Só foi possível ouvir Paulo Nobre dizer “Parabéns, Palmeiras!” em um raro momento de silêncio. Com celebração que teve também lenços brancos girando com o auxílio dos dedos dos palmeirenses, ouviu-se a música “Eu sou Palmeiras, sim senhor, e bebo todas que vier, canto olê porco, meu único amor”.

Após o “Parabéns”, coube ao cantor palmeirense Wilson Simoninha levar sua banda para fazer um show ao vivo. E encerrou seu concerto com convidados invadindo o seu palco e, com sua permissão, tomando-lhe o microfone para cantar mais músicas tradicionalmente ouvidas em estádios nos quais o time joga.

Antes da festa promovida pelos próprios convidados, Paulo Nobre abriu uma série de discursos políticos. Após o presidente prometer entregar um Palmeiras “melhor do que recebeu”, o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, subiu ao palco vestido todo de preto, ouvindo críticas pela vestimenta escolhida, lembrando o arquirrival Corinthians.

Mas bastou o ministro falar para que ignorassem a cor de seu traje. Citou uma frase do falecido jornalista Joelmir Beting (“Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense é simplesmente impossível”), contou que explicava sua escolha por torcer pelo Palmeiras porque não conhecia nenhum outro clube, disse ter dados de que há mais de 8 milhões de palmeirenses espalhados em nove estados do Nordeste brasileiro e encerrou gritando “Vida eterna ao Palmeiras!”. Recebeu intensos aplausos.

Até o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, santista, agradou aos presentes com um curto discurso que começou com ele se dizendo “um peixe fora d’água”. Já o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, ex-jogador do São Paulo, tomou mais tempo dos presentes relatando mais sua gratidão ao esporte do que felicitando o aniversário palmeirense. Escapou das vaias, que muitos comentaram temer ao vê-lo subir ao palco, mas ouviu um protesto solitário. “Para de roubar a gente”, gritou um dos convidados.

Entre os políticos presentes, também estava Paulo Maluf, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, e todos foram recebidos pessoalmente por Nobre. O mandatário do Verdão foi receptivo trocando abraços com Marin e o vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, também presidente da Federação Paulista de Futebol e que manteve longa conversa aos cochichos com Affonso Della Monica, ex-presidente do Palmeiras.

E Paulo Nobre foi à porta do buffet para cumprimentar Alckmin. Em rápida conversa sob o olhar de jornalistas, o governador primeiramente perguntou ao dirigente sobre a expectativa para o centenário e, depois, fez a questão que lhe parecia mais importante: quando o Palestra Itália estará pronto? “No primeiro ou no segundo trimestre do ano que vem, governador. E garanto que será um dos melhores palcos de São Paulo para receber shows e jogos”, respondeu Nobre, trocando sorrisos com o político.

Perto da conversa, mas sem ouvi-la, estava Aldo Rebelo. O ministro se posicionou em um local do buffet que tinha bolas com o símbolo do Palmeiras e telões exibindo os principais jogos da história do clube, que era o que mais lhe interessava. O titular da presidente Dilma Rousseff na pasta esportiva lembrava cada cena com conselheiros que lhe abraçavam, mas sem tirar sua atenção das partidas históricas.

Um pouco mais afastado, estava Evair. O ídolo que marca a conquista do Paulista de 1993, título que encerrou jejum de quase 17 anos do clube, atendia a fãs perto de uma réplica de sua camisa, exposta ao lado de uma maquete do Palestra Itália reformado. Também estiveram presentes dois membros do time atual: o técnico Gilson Kleina e o zagueiro e capitão Henrique, que chamou atenção por ser o único convidado trajando calça jeans e camiseta.

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