Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

Filho de Gilmar fala em fim de sofrimento do “melhor pai do mundo”

Bruno Grossi, especial para a GE.net São Paulo (SP)

Foram 13 anos de luta intensa de Gilmar dos Santos Neves contra as complicações causadas por um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2000. Na noite do último domingo, o goleiro que marcou época em Corinthians, Santos e Seleção Brasileiro morreu na capital paulista e na tarde desta segunda-feira foi enterrado no Cemitério do Morumby. Apesar da tristeza pela perda do patriarca, os familiares não esconderam a sensação de alívio.

Marcelo Neves, um dos filhos goleiro, foi o porta-voz da família nos últimos dias para informar o estado de saúde de Gilmar. O irmão Rogério, que reside nos Estados Unidos, retornou ao Brasil às pressas para acompanhar o pai. Durante o velório na Zona Sul de São Paulo, os dois acalmaram a mão, Marlene Izar, e confortaram as crianças da família.

“Estávamos há 13 anos nessa batalha: ele tentava se recuperar e não conseguia, era uma doença muito complicada. Isso vai minando quem convive com quem sofre um AVC. A gente sofreu bastante, principalmente minha mãe. É triste falar dessa maneira, mas chega uma hora que para um homem que sempre foi um atleta, um homem público, ter que ficar confinado numa cadeira de rodas, numa cama por 13 anos não vale a pena. É um alívio para ele e para todos nós”, afirmou Marcelo.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Marcelo Neves (à direita) e Marlene Izar (ao centro), enfrentaram dura batalha ao lado de Gilmar dos Santos Neves
O corpo de Gilmar foi enterrado às 14h55 sob aplausos de familiares e amigos, e logo o jazigo foi coberto por flores, lembranças sobre os feitos do goleiro durante a vitoriosa carreira foram exaltados. Além do histórico dentro das quatro linhas, as qualidades como patriarca da família Neves também foram exaltados.

“Tenho que lembrar o homem correto que ele sempre foi. Como goleiro não preciso nem falar que ele foi o melhor do mundo, mas foi também o melhor pai e o melhor marido do mundo”, destacou Marcelo, antes de lembrar um hábito nada convencional de Gilmar durante as viagens de ônibus com os clubes que defendeu.

Na contramão dos boleiros, o bicampeão mundial com o Brasil em 1958 e 1962 não era adepto aos sambas entoados a caminho dos jogos. Muito pelo contrário. “Ele não gostava de pagode e samba no ônibus, então quando começavam com essas coisas, ele levantava e chutava o bumbo pra ninguém mais tocar”, relembrou Marcelo, com bom humor.

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